
Marcus Montenegro, CEO e fundador da Montenegro Talents, uma das maiores empresas de agenciamento artístico do Brasil, com mais de 300 artistas em seu casting, tendo nomes de veteranos como, Nathalia Timberg, Irene Ravache, Leona Cavalli, RosaMaria Murtinho, Beth Goulart, Caco Ciocler, Herson Capri, entre outros, é o precursor na campanha “Eu quero veteranos na TV”, onde é engajado na causa do fim do etarismo na indústria do audiovisual, mostrando para a sociedade a importância do legado das grandes damas da TV e pela construção da TV Brasileira. Uma pessoa apaixonada pela cultura e pela arte, e é atualmente, um dos nomes mais solicitados para falar sobre o assunto, tendo uma excelente visibilidade e repercussão, sobre questões culturais, etarismo e da importância da arte brasileira.
Autor do livro ‘Ser artista – Guia para uma carreira sólida no mundo da atuação‘, escrito ao lado do jornalista Arnaldo Bloch e publicada pela editora Harper Collins, já sendo considerado um Best Sellers, no segmento, Marcus comemorou cinco anos de sucesso autografando, na Bienal do Livro. Nele dá dicas preciosas e orientações fundamentais para quem quer trabalhar na indústria do entretenimento, ressaltando a diferença entre uma celebridade com milhões de seguidores e um artista admirado pelo talento e por sua arte.
Apresentador do podcast “Ser Artista”, onde entrevistou mais de 52 personalidades, está de volta para mais uma temporada emocionante e reveladora, com a confirmação da presença de Ana Beatriz Nogueira, Isabelle Drummond, Ana Paula Araújo, Carla Marins, Herson Capri, Roberta Miranda, Cláudio Botelho e Bete Mendes. Os episódios que emocionaram o público com histórias intensas, bastidores surpreendentes e confissões inesquecíveis, inicia uma nova jornada de encontros com nomes que transformam a arte em resistência, beleza e reflexão. Nesta temporada, seguirá celebrando a dramaturgia, a música, o cinema, o teatro e todas as expressões culturais que alimentam a alma — sempre com conversas profundas, humanas e inspiradoras com quem vive e faz arte no Brasil. “Ser Artista” é mais do que um podcast. É um abraço na alma.
E as novidades não param por aí. O autor e empresário, com solidez no mercado editorial, está escrevendo mais quatro livros. Um sobre a história do Retiro dos Artistas, com André Arteche, outro sobre os monólogos para gravação dos atores do projeto Arte on, sua biografia que vai será lançada em 2027, e o livro que vai comemorar os 75 anos da TV brasileira, ao lado de Mauro Alencar.

Você é o precursor da campanha “Quero veteranos na TV”. Quando você sentiu a necessidade de engajar esse movimento? A campanha começou a se organizar em 2015, quando a gente percebeu que ia ter o desmonte do elenco fixo da televisão brasileira e começou a juvelização. Os elencos eram fixos antigamente para 80%, autores 40% a mais, 20% jovens, e essa proporção foi ficando completamente invertida. Então, como eu sou um estudioso de mercado, eu percebi que isso daria um efeito a curto prazo bastante significativo para a chegada do etarismo no audiovisual, onde o número de personagens 50, 60 a mais ficaria muito escasso nas novelas brasileiras.
E quais as consequências positivas que você está vendo no audiovisual? Acho que as consequências positivas do movimento é que eu acho que a partir de 2020, como a coisa ficou muito crítica, então acho que os atores se conscientizaram dessa realidade que eu já vinha plantando há cinco anos, e o mercado cada vez mais jovializado. E o que acontece, que hoje essa discussão foi para a mesa, a gente já sente um reflexo que a indústria percebeu o afastamento do público através da ausência dos veteranos e personagens estratégicos da televisão brasileira. Eles fidelizaram a audiência, fidelizaram esse público, eles construíram a televisão e essa discussão foi para a mesa em vários pontos e ela começa a dar resultados a curto prazo. Eu espero que a médio e longo prazo a gente tenha uma indústria completamente coerente e entenda que diversidade e etarismo não é diversidade.
Você é empresário de muitos veteranos consagrados. Isso ajudou a dar o Start na campanha? O fato de eu ser empresário de muitos veteranos consagrados, na verdade, não foi o start necessário da campanha. Era um estudo de mercado que eu vinha fazendo de uma maneira geral. Eu não estou fazendo uma luta pelo meu elenco, eu estou fazendo uma luta pela classe, pela categoria. Eu sei da importância dos atores veteranos, e veteranos quando eu falo, eu estou falando de 50+. Porque tem muita gente que começou a carreira muito cedo. eu sei da importância que eles agregam de valores a uma obra o quanto eles trazem a audiência o quanto eles fidelizam o público através do seu trabalho, da sua imagem o quanto o público escolhe uma obra para assisti-los, para vê-los então, é em função disso não necessariamente por causa do meu elenco, mas é em função do mercado.
Seu livro “Ser Artista”, é um Best Sellers, que ajuda muitos atores a ter um direcionamento na carreira. Você acredita que conseguiu atingir o que esperava? Como foi o retorno? Sim, o meu livro, eu acho que ele já ultrapassou todas as expectativas que eu poderia imaginar que ele pudesse atingir. Ele está há cinco anos entre os 100 + da Amazon. Ele é um livro que ajuda na construção de carreira e mostra a necessidade de um artista se posicionar da maneira 360 no mercado, que é uma visão global de todas as etapas para poder não esperar convite, para desenvolver seus próprios projetos. Ele já está, ele virou já praticamente uma holding, porque já tem um audiobook, teve a peça, o podcast, a masterclass, o curso, agora vem a prática de montagem e virão outras obras derivadas, vem a série, documentário e virão outras obras derivadas dos próximos anos. E eu estou muito satisfeito como um livro, pode ser um divisor de água na carreira de uma pessoa e como ele pode sedimentar o pensamento transformando a vida de tantos jovens como é o caso do meu livro. Ele é usado como material de pesquisa e estudo no Brasil inteiro.

Já na segunda temporada de sucesso o podcast “Ser Artista”, já entrevistou mais de 52 personalidades. Qual foi a entrevista que mais foi marcante pra você? O podcast Ser Artista está fazendo uma carreira muito bonita, porque ele está sendo, inclusive, utilizado para mestrado, doutorado e pesquisa de programas, de produção de programas de entretenimento. Todas as entrevistas são muito embasadas, muito estudadas, com pessoas que têm muito o que dizer, independente da idade. Mas, com certeza, a sequência dos veteranos, da Nathália Timberg, da Irene Ravache, da Ana Lúcia Torre, da Suely Franco, da Beth Mendes, da Rosa Maria Moutinho, do Mauro Mendonça, todas elas são entrevistas muito impactantes, recheadas de muita emoção, recheadas de muita história da televisão brasileira, de muita relevância, de muito legado. Então, seria injusto, a minha parte era a melhor entrevista, mas todos os veteranos agregaram muito com as suas entrevistas no legado da cultura brasileira.
Você se considera um apaixonado pela arte brasileira? Eu sou um brasileiro com muito orgulho, eu adoro o meu país, eu adoro a nossa arte, eu sou um apaixonado pelo teatro, eu vou ao teatro toda semana, eu assisto cinco, seis peças por mês, leio uns dois livros por mês, assisto séries, gosto de exposições, acredito demais no potencial do brasileiro. Acho que nós somos referência, sim, mundial, em todas as frentes da arte, acho que é um país muito rico com uma diversidade muito bonita e que tem muito a contribuir para a cultura do mundo pela sua diversidade, pela sua pluralidade pela sua alegria, pela sua generosidade e a singularidade de um país continental com cinco regiões tão bem definidas mas com grandes artistas em todas as áreas, em todas as regiões e realmente eu sou apaixonado pela arte brasileira.
Em seus futuros projetos, está o lançamento de um livro que irá comemorar os 75 anos da TV Brasileira. Como está sendo a preparação? O livro que vai comemorar os 75 anos da televisão brasileira é um livro que está me deixando muito feliz. É uma parceria com Mauro Alencar, que é o maior conhecedor de teledramaturgia nacional e latino-americana. Ele que sempre avaliou a minha pesquisa, a minha campanha do Quero Veteranos na TV, o meu pensamento. É um livro que eu acho que vai poder mostrar como, através das 350 personagens, que criaram impacto socioeconômico-político na sociedade. Muito estudo, muita pesquisa para realizar esse livro, é um coffee table, ele vai ter um capítulo latino-americano, ele vai ter um capítulo oriental, vai ter o prefácio da Patrícia Kogut, o pós-fácio do Boni, e ainda vão ter os verbetes de todos os autores e diretores citados das obras citadas no livro. Então, acho que o livro vai mostrar um panorama muito bacana, vai servir de muito estudo, e a gente apresenta muito isso, o auge da televisão e o declínio nas novelas, quando os personagens veteranos perdem a força na dermatologia. Está muito claro para a gente isso. E como eles criavam o impacto de transformação de uma maneira muito mais forte e eficaz no passado, pela potência da personagem. Então, acho que é um livro que vai servir muito de material de estudo e de alerta também, que nós podemos retomar o trilho de uma maneira consciente através do conhecimento, sabedoria e valorização dos atores que primam pela construção da carreira.
Qual o legado que você gostaria de deixar para a arte? O meu legado que eu gostaria de deixar e o que eu venho fazer há alguns anos, que é deixar registrado a história de grandes atores do Brasil, que muito contribuíram para a construção da televisão brasileira, do cinema e do teatro, que sempre foram comprometidos com a qualidade e com as suas escolhas para a realização de espetáculos através de espetáculos que realmente criassem uma identidade para o público refletir, para o público sair do teatro com uma mensagem e se fosse um entretenimento, uma diversão de alta qualidade, pessoas que me deram toda a disciplina, todo o conhecimento e que eu acho que elas transformam as vidas de muita gente através dessa seriedade, dessa maneira bonita que elas têm de desenvolver a sua carreira, das suas escolhas através do conhecimento. Eu acredito profundamente na educação, por isso que eu fui para a área de educação, hoje eu sou um professor, eu acredito muito que um país com formação, cultura e educação ele possa fazer a diferença. Isso para mim é um país do futuro. E o Brasil tem uma memória muito curta e eu acho que o legado hoje é uma missão que todos nós que podemos deixar, que temos acesso a um conteúdo de qualidade, temos a obrigação de passar para as novas gerações, para que a gente tenha uma geração sensibilizada, humanista, baseada no conhecimento, informação e cultura.

Fotos Edu Rodrigues


