
A cada novo personagem conhecemos uma nova Barbara Reis. Atualmente no ar com a personagem Lena em Três Graças, Barbara tem nos surpreendido com as diferentes camadas que essa mulher traz por tras de atitudes impulsivas, emotivas e bem humanas. Com o tema da maternidade de pano de fundo, Barbara tem levantado questões importantes através do texto afiado de Aguinaldo Silva no horário nobre. E Barbara é bem isso, movida a novos desafios ela vai mostrando a cada novo trabalho uma nova faceta. E para nós aqui da MENSCH, a cada nova material de capa descobrimos um pouco mais dessa atriz encantadora e talentosa.
Barbara, atualmente você vive na TV a Lena, de Três Graças, uma personagem bem diferente de tudo que você já fez até agora. Como foi a preparação e que desafios encontrou nessa personagem? A Lena é uma mulher expansiva, intensa e muito impulsiva, o que já traz um desafio enorme. A preparação passou por entender esse ímpeto dela, essa urgência de viver e de decidir sem filtros. O maior desafio foi dar verdade a essas atitudes, equilibrando a impulsividade com emoção e humanidade, para que o público pudesse se conectar com ela.



Lena é uma mulher determinada, sensível e que busca a realização em ser mãe. Tem algo de Lena em você e algo de você nela? Sempre existe troca. Eu me reconheço na determinação e na sensibilidade dela, e levo para a Lena meu olhar, minhas vivências e minha escuta como atriz. Ao mesmo tempo, ela me provoca, me tira do lugar comum e me faz acessar emoções que eu talvez não conseguiria sozinha. O tema da maternidade mexe muito comigo, porque toca em algo muito íntimo: o tempo, o corpo, as expectativas que a gente coloca sobre si mesma e as que o mundo coloca sobre a gente. Com a Lena, eu quis explorar o silêncio que existe nessas dores que nem sempre são ditas. A pressão social, o medo de não corresponder, o sentimento de insuficiência. Ela é uma mulher que tem tudo, mas sente que falta algo essencial, e isso abre um espaço muito humano dentro dela. Eu busquei esse lugar de vulnerabilidade, de aceitar que a fragilidade também faz parte da força.
Até então o público tem abraçado a causa dela? Ou o fato dela comprar um bebê tem causado certa repulsa por parte do público? Como você tem percebido a aceitação dela nas ruas? Tenho sentido reações muito diversas. Algumas pessoas se chocam, outras tentam compreender. Nas ruas, o que mais percebo é o público tocado pela dor da Lena, pela carência e pelo desejo dela de ser mãe. Ela provoca debate, e isso é muito potente.
A personagem é um pouco discreta na trama. Podemos esperar uma reviravolta na trajetória dela? Com certeza. A Lena ainda vai surpreender bastante. Ela é uma personagem que cresce na trama, ganha mais espaço e revela camadas importantes. O público pode esperar mudanças significativas no caminho dela.



Recentemente você esteve em cartaz ao lado do marido, atuando como uma das produtoras executivas da peça Limítrofe. Como tem sido a experiência como produtora? Tem sido uma experiência intensa e transformadora. ‘Limítrofe’ continua vivendo, se reinventando a cada temporada. Em breve, faremos uma apresentação em Niterói, na Sala Nelson Pereira dos Santos, e em março de 2026 seguimos para a reestreia no Teatro Ipanema. Produzir é assumir riscos, responsabilidades e olhar para o projeto como um todo, o que me deixa muito feliz e orgulhosa desse caminho coletivo que seguimos construindo.
É verdade que essa sua veia artística surgiu depois que você assistiu sua irmã nos palcos? Como foi esse despertar? Sim, foi ali que algo despertou em mim. Ver minha irmã no palco foi muito impactante e me fez entender que aquele também podia ser o meu lugar. Foi um encantamento que virou desejo e, depois, caminho.
Falando em outra forma artística de se expressar, você esteve nos palcos no musical Ruth & Lea, interpretando Ruth de Souza. Como foi a experiência e quando a música entrou na sua vida profissionalmente? Foi uma experiência profundamente emocionante. Interpretar Ruth de Souza é uma honra imensa e uma grande responsabilidade. A música entrou na minha vida profissional como mais uma camada de expressão, ampliando as possibilidades de contar histórias.



Como você vê esse protagonismo negro no audiovisual? Sente realmente uma mudança de consciência não só dos autores, mas da produção, direção e de todo o sistema que envolve a criação de projetos artísticos? Vejo avanços importantes, sim, mas ainda é um processo. Existe uma mudança de consciência, mas ela precisa ser contínua e estrutural. O protagonismo negro precisa estar presente também nos bastidores, nos espaços de decisão e criação.
Ao longo da sua carreira você interpretou mulheres dos mais diversos tipos. De vilã à mocinha, de pobre a rica, de militante à milicianda. O que mais te toca nisso tudo? O que te move? O que mais me toca é a possibilidade de mostrar a complexidade das mulheres. Gosto de personagens que fogem do óbvio, que provocam reflexão, e ampliam o olhar do público. Isso é o que me move.
Você é uma mulher vaidosa? Do que não abre mão e onde está a real beleza? Sou vaidosa no sentido do autocuidado. Não abro mão de me sentir bem comigo mesma. A real beleza está na autenticidade, na autoestima e na liberdade de ser quem se é. A proximidade dos 40 anos tem mexido comigo, sim, mas de um jeito bonito. Me sinto mais inteira, mais dona de mim. Menos ansiosa para provar e mais disponível para viver.
Na hora de relaxar, o que você procura? Procuro silêncio, natureza, movimento e boas conversas. Relaxar, para mim, é desacelerar e voltar para o essencial.


Fotos Marcio Farias (@marciofariasfoto)
Stylist André de Moraes (@moraesde)
Beleza Vivi Gonzo (@makegonzovivi)
Ass. de Imprensa Cintia Lopes Comunicação (@cintialopes_comunicacao)
Agenciamento @leandroalencaragenciamento


