Com seu olhar matador Letícia Birkheuer ganhou as passarelas do mundo e nos conquistou de cara. Sua trajetória de modelo às novelas foi um percurso natural dentro de um universo que procura talento e beleza no conjunto da obra. Ao mesmo tempo que a beleza abriu portas também criou certas barreiras que Letícia com elegância e disciplina no ofício de atriz, assim como modelo, aos poucos foi derrubando. “Enfrento tudo com a cabeça fria, e dedico meu tempo a aprender tudo que posso, estudando, fazendo cursos, investindo, me produzindo…”, comentou Letícia em entrevista a MENSCH. Em sua segunda capa, ela volta ainda mais linda, cheia de planos e em breve volta a TV. 

Por trabalhar como modelo e ser atriz você ainda é muito julgada pela beleza? Sempre serei observada, criticada, invejada, elogiada, julgada, não só na parte estética, mas em todas as minhas atitudes e palavras. Isso é normal com qualquer pessoa pública, aliás, hoje em dia com qualquer pessoa, principalmente na terra de ninguém chamada internet, onde todos têm opinião sobre tudo.

Falando em beleza, ela abre muitas portas mas ao mesmo tempo existe um trabalho maior para mostrar que não é apenas isso na hora de conquistar um trabalho? Beleza abre portas em qualquer trabalho que exija uma boa aparência. Por outro lado, sofremos muito mais assédio. E temos que aprender a lidar com as situações mais escrotas do mundo. E claro, provar que somos muito capazes para “talvez” conseguirmos uma oportunidade no trabalho. Ser mulher e ser bem sucedida não é pra qualquer uma.

Ao longo da sua trajetória encontrou mais obstáculos na carreira de modelo ou de atriz? Como superou? Nas duas encontrei e encontro obstáculos. Enfrento tudo com a cabeça fria, e dedico meu tempo a aprender tudo que posso, estudando, fazendo cursos, investindo, me produzindo, trabalhando em projetos sem dinheiro mas de muito aprendizado e dificuldade, além de ajudar meus colegas porque acredito que quando se pratica ajudar os outros, dar oportunidades, você se torna um ser humano melhor. E sou feliz com o meu crescimento e conquistas nos dois trabalhos. E tem muito mais vindo aí.

Da vida de modelo o que mais te marcou e te trouxe ensinamentos? Da vida de modelo o que mais me marcou foi o quão descartável as modelos são para o mundo da moda. Somos cabides. E ponto. Então aprendi a olhar superficial para tudo e com um certo desprezo pelas pessoas. Time is money correctSo, lets do what we are paid to do!

E como atriz, como foi o início e como se vê hoje em dia? O início foi mágico, todo mundo quando faz a primeira novela fica encantado com o carinho do público, com a atenção das marcas, e a turma da novela vira uma família. Por 8 meses. Depois, começa a vida real, os cursos, os workshops, a batalha por papéis marcantes, pelas oportunidades…, enfim. Não incentivaria meu filho a seguir minha profissão.

Na época de “Belíssima”, sua estreia na TV em 2005, de cara você foi contracenar com Glória Pires e Fernanda Montenegro. Como foi isso? Deu frio na barriga? Foi muito bom trabalhar com essas grandes atrizes. Me ajudaram muito. Atores consagrados não tem inveja, não perdem tempo em fazer fofoca dos outros, não tão preocupados em perder o lugar na trama. Já outros mais inseguros e menos conhecidos…

Hoje em dia o que ainda te dá um fio na barriga? Quando se sente desafiada? Toda vez que piso num palco tenho frio na barriga e o coração acelera.

Você é uma das mulheres com olhar mais expressivo. Concorda? Acha que isso sempre foi um dos seus diferenciais de beleza? Sim, apesar de algumas pessoas falarem que não iam trabalhar comigo porque eu era estrábica. Lá no início da carreira. Foi justamente o meu olhar que me tornou uma das 10 melhores modelos do mundo. O Brasil só dá valor pra muita coisa quando os gringos falam que é bom.

Para quem não te conhece pessoalmente pode passar aquela imagem de que você é uma mulher inacessível por conta do porte, beleza e estilo de vida. Já sentiu isso? Você inibe os homens? Talvez sim. A maioria dos homens são inseguros. E eu tenho zero paciência pra essas bobagens de ciuminho, insegurança, medinho. Aliás, tenho muita preguiça. Mas meu namorado nunca se inibiu comigo, muito pelo contrário.

Você já viajou o mundo, seja a trabalho ou passeio. Qual a grande diferença entre os homens brasileiros e de outros países como americano e europeu? Europeu é mais cauteloso e reservado, mais educado e gentil. Menos drama, raramente demonstram afeto.

Falando em viagens, que lugar te marcou? Onde se sente em casa? E qual a experiência mais frustrante? Me sinto em casa na Itália. Nunca mais volto pra Capetown. Foi um desastre minha passagem por lá.

Falando em beleza, até onde vai sua vaidade? Do que não abre mão? Não abro mão da clínica Volpe em SP, da Dra. Paola Garambone no Rio, da Dra. Maria Amélia Bogea, da Farmácia Analítica, dos meus cremes e produtos manipulados, da minha querida dentista Janesca Casalli que cuida do meu lindo sorriso, do meu salão Care Body and Soul, do meu crossfit na CFP9 (sou viciada), e do vôlei na praia.

Para relaxar um bom… vinho

Para conquistar Letícia basta… Não basta não, precisa ter muitas qualidades, e não são poucas.

Fotos Carol Beiriz / Beleza Will Ferrari / Stylist Gugu Ribeiro