
Por Bruno Albertim
Após um ano de funcionamento, o Seu Motta consolida a maturidade de sua cozinha marinha com um excelente almoço executivo, que traduz bem a filosofia do chef Hugo Prouvot: técnica clássica a serviço do ingrediente em seu melhor momento. O menu, oferecido de segunda a sexta (R$ 58), inclui três opções de principal — salada de isca de peixe com molho de iogurte, camarão tropeiro puxado na manteiga com alho, cebola, couve, ovo, feijão-verde, purê de jerimum e arroz, e um peixe inteiro fresco, servido com pirão, arroz e feijão-verde. Antes, chega à mesa um kibe de peixe com aioli verde; ao fim, um suchá de limão com capim-santo e gengibre encerra o percurso.

“Isso fala muito não apenas da casa, mas também do público, que hoje aceita novas experiências — saindo dos mesmos filés de sempre e abrindo o paladar”, diz Prouvot. “Tive coragem de servir um peixinho inteiro, e temos conseguido comprar peixes inteiros e frescos de até meio quilo: robalinhos, xixarrinhos. Esse é um prato que traz toda a maturidade gastronômica do negócio.”
Aos 13 anos, em Ubatuba, onde o mar beija a Mata Atlântica, Prouvot já conhecia o tempo de cada peixe: “inverno era época de sororoca; verão, de dourado; e cação, o ano inteiro”. Um dos chefs de maior apuro técnico do país, foi subchef de Laurent Suaudeau no Copacabana Palace e de Russso no Emiliano, em São Paulo. Nenhum mestre, porém, foi tão marcante quanto o avô português, Motta Pereira, cuja memória batiza o restaurante. A casa, hoje em Boa Viagem, preserva a essência caiçara e o frescor da matriz de Ubatuba. Ambiente claro, clima de veraneio e serviço informal compõem o cenário ideal para o pós-praia. Com o Seu Motta, Hugo Prouvot reafirma, com leveza e rigor, o melhor do mar reinventado à pernambucana.




