
Vamos fazer uma viagem no tempo. Mas não uma viagem que possa gerar multiversos – a teoria de viagem no tempo mais aceita no meio científico e bastante explorada pelos filmes e séries da Marvel. A nossa será à la trilogia De Volta para o Futuro. E, por sinal, os anos 80 são o nosso destino. A gente vive o ressurgimento dessa década há pelo menos dez anos, com a estreia de Stranger Things na Netflix. Desde então, estamos nesse loop temporal. De remakes, reboots e continuações com mais de quarenta anos de intervalo, diversas produções resgatam os anos 80, como se eles nunca tivessem acabado. E talvez culturalmente não tenham mesmo.

A década de 1980 também foi a em que o termo cultura pop caiu na boca do povo. Como dito antes, os blockbusters foram inaugurados com Tubarão (1975), seguido por Star Wars (1977), porém a consolidação veio justamente no início dos 80.
Ao mesmo tempo, outras áreas da cultura pop também explodiam. Michael Jackson transformava Thriller em evento global e ajudava a fazer do videoclipe uma linguagem. A MTV surgia para provar que música também se via. Os videogames deixavam de ser curiosidade tecnológica para ganhar lugar fixo na sala ou no quarto. E os desenhos animados, de He-Man a Caverna do Dragão, conseguiam prender as crianças na frente de uma tela por algumas horas (hoje os pais quebram a cabeça de como fazê-las largar as telas).
O fato é que todo esse caldeirão criou uma mistura poderosa: entretenimento com escala industrial e memória afetiva de fabricação quase caseira. Havia exagero, sim. Havia excesso, cafonice, sintetizador, ombreira, músculo demais, neon demais e fumaça cenográfica demais. Mas havia também uma confiança quase ingênua no espetáculo. Os anos 80 acreditavam na aventura, no herói improvável, na fantasia sem vergonha de parecer fantasia. Era uma década que entendia o poder do artifício — e não pedia desculpas por isso.
Também existe um motivo menos romântico e mais econômico para essa volta. As crianças que cresceram naquela década viraram adultos. Adultos com dinheiro, assinatura de streaming, filhos, poder de consumo e uma memória afetiva pronta para ser acionada. A indústria percebeu isso rápido. Revisitar os anos 80 passou a ser não apenas uma homenagem, mas um modelo de negócio. Reviver ficou lucrativo. E, quando nostalgia vende, Hollywood raramente resiste. O saldo final entre a entrega da emoção e o retorno financeiro é positivo. Pois o público revive aquela época sob uma luz favorável e os estúdios ganham ao produzir mais filmes desse e de outras temáticas, em um loop virtuoso. No fim, os anos 80 não voltaram. A gente é que nunca saiu deles.
O QUE VEM POR AI
He-Man – o defensor do Castelo de Grayskull volta às telonas em um filme que mostra Príncipe Adam (Nicholas Galitzine), que cresceu no planeta Terra e precisa voltar a Eternia (seu planeta natal) para combater o Esqueleto. O filme estreia em 06 de junho de 2026.
SOS – Tem um louco no espaço 2. Uma das continuações com décadas de hiato. Veremos uma sátira a Star Wars e filmes do gênero. O elenco original de volta, incluindo Mel Brooks, aos 99 anos — e ainda ativo o suficiente para voltar ao espaço! A previsão é que o filme chegue nos cinemas em 2027.
Conan Rei – Arnold Schwarzenegger vai retornar ao papel do cimeriano mais de 40 anos depois do clássico original. O projeto, intitulado King Conan, está em desenvolvimento e deve mostrar o personagem já como rei, anos após suas batalhas. Nos quadrinhos, existe o Conan Rei, que o mostra já idoso. Ainda não há data de estreia.

FILMES QUE QUEREMOS REVER
9 Semanas e ½ de amor (1986): Kim Basinger e Mickey Rourke, no auge de suas formas, protagonizam não um romance, mas uma história de desejo levado ao limite.
De Volta para o Futuro (toda trilogia): De Volta para o Futuro é uma trilogia que pode se orgulhar de ter todos os filmes bons. Uma das coisas que mais chama atenção é o fato de o terceiro filme fugir do cenário dos anteriores, sem perder a essência da franquia.
Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986): Dirigido por John Carpenter e estrelado por Kurt Russell, esse é um filme trash perfeito para aquele dia que você só quer relaxar e se divertir. Um caminhoneiro ajuda o amigo a resgatar a noiva de um feiticeiro de 2000 anos em Chinatown, São Francisco. Faz sentido? Não, por isso, é ótimo.
O Feitiço de Áquila (1985): Dois amantes que não podem ficar juntos porque de dia, ela vira um falcão e à noite, ele, um lobo. Precisam da ajuda de um jovem para quebrar a maldição. Fantasia de primeira ambientada na Idade Média. E Michelle Pfeiffer é a protagonista.




