
Por Dulce Rodrigues
Andrew Warhola Jr. nasceu em 6 de agosto de 1928, em Pittsburgh, Pennsylvania, em uma família de imigrantes da Eslováquia. Sua infância foi marcada por uma doença neurológica rara chamada coreia de Syndeham, causada por uma infecção que causava convulsões involuntárias e estranhas manchas rosadas em sua pele. Essa rara condição obrigou o pequeno Andy a passar longos períodos no hospital ou convalescer em casa, onde começou a desenhar e colecionar fotos dos protagonistas dos curtas-metragens de televisão mais famosos da época. Sua mãe, que nunca aprendeu inglês, incutiu seu fervor religioso ortodoxo no menino, o que influenciaria muito os dons artísticos de Andy.
UM MUNDO COLORIDO
Desde a juventude, Andy apresentou interesse pela arte e ganhou prêmios em concursos escolares. Devido aos seus múltiplos problemas de saúde, Andy, que era extremamente sensível, teve que lidar com a incompreensão dos colegas e, para superar isso, criou um mundo de fantasia no qual inventou pseudônimos, disfarces e até personagens imaginários com os quais conviveria pelo resto da vida. Desde jovem, Andy Warhol era fascinado pela fama. Isso se refletiu em retratos no estilo Polaroid icônicos que fez de figuras como Marilyn Monroe, Elvis Presley, Elizabeth Taylor e até de Che Guevara. Ele via esses rostos como símbolos da cultura americana, e usava cores vibrantes e serigrafia para eternizá-los. O próprio artista cultivou uma imagem de celebridade, cercando-se de estrelas, em seu famoso ateliê.

Antes de se tornar o ícone da Pop Art, Warhol fez carreira como ilustrador no mundo da publicidade em Nova York, na década de 1950. Seu estilo detalhado e sensível, marcado pelo uso de linhas finas e delicadas, chamou a atenção de grandes marcas. Esse início comercial influenciou diretamente sua abordagem artística posterior, que mesclava arte e consumo.
Quando chegou a hora de entrar na faculdade, Warhol ingressou no curso de design do Carnegie Instituto de Tecnologia (hoje Carnegie Mellon University) em Pittsburgh, onde obteve o grau de Bacharelado em Belas Artes em Design Pictórico,em 1949, e logo depois, mudou-se para Nova York para seguir carreira como artista comercial.
Warhol começou a pintar no final dos anos 1950 e recebeu notoriedade repentina em 1962, quando exibiu pinturas de latas de sopa Campbell’s, garrafas de Coca-Cola e réplicas de madeira de caixas de esponja de aço Brillo. Em 1963, ele estava produzindo em massa essas imagens propositalmente banais de bens de consumo por meio de serigrafias fotográficas, quando, então, começou a imprimir variações infinitas de retratos de celebridades em cores berrantes. Nessa época, tornou-se um dos ilustradores mais bem-sucedidos, com trabalhos no meio publicitário para veículos de mídia como The New York Times, Vogue, NBC e The New Yorker e marcas como Tiffany & Co. e Columbia Records. Boa parte das obras produzidas por ele tinha como base fotografias, técnica que usou até o fim da vida.

Andy Warhol marcou o século XX com seus múltiplos talentos – de celebridades como Marilyn Monroe e Jackie Kennedy, pintadas em cores improváveis às serigrafias com múltiplos Beethoven, camuflagens e astronautas às capas de LPs que se tornaram objetos de arte no mundo da música; das pinturas em materiais inusitados, como Elvis, aos hipnóticos papéis de parede Cows; das pinceladas em telas gigantes como Última Ceia e Monte Vesúvio aos desenhos, estampas e vestidos históricos que nunca foram exibidos; dos filmes experimentais em seu ateliê nova-iorquino às “Polaroids” para as quais posaram figuras tão improváveis quanto John Lennon, Pelé, Joan Collins, Giorgio Armani, Diana Ross, Mick Jagger e Arnold Schwarzenegger.
Trinta e cinco anos após sua morte, a obra Shot Sage Blue Marilyn foi vendida por US$ 195 milhões (R$ 1,1 bilhão) em um leilão na Christie’s, em 2022, consagrando-se como a obra estadunidense mais cara já vendida na história. De acordo com a Warhol Foundation, o representante do underground americano produziu mais de 9 mil pinturas e esculturas e quase 12 mil desenhos, entre o final da década de 1940 e 1987, quando Andy faleceu.
Andy Warhol foi um ilustrador de revistas e anúncios de sucesso que se tornou um dos principais artistas dos movimentos de pop art dos anos 1960. Ele se aventurou em uma ampla variedade de formas de arte, incluindo arte performática, cinema, instalações de vídeo e escrita. Warhol morreu em 22 de fevereiro de 1987, em Nova York.

ANDY WARHOL NO BRASIL
A exposição “Andy Warhol: Pop Art!”, é a maior já realizada fora dos Estados Unidos, com obras que vieram do Andy Warhol Museum em Pittsburgh, explica Roberto Souza Leão, co-fundador do Instituto Totex, que organizou a exposição. Segundo ele, a mostra apresenta mais de 600 obras originais do artista, entre pinturas, fotografias e instalações, muitas das quais estão sendo exibidas pela primeira vez, aqui no Brasil. Para tanto, o Instituto levou três anos de negociações para chegar ao conjunto, com o qual a mostra pretende atrair 250 mil pessoas para o MAB, até 31 de agosto.
Priscyla Gomes, curadora brasileira da exposição, conta que a mostra Andy Warhol: Pop Art! foi organizada em duas salas do museu. Uma delas é dedicada ao início da carreira, quando Warhol adota a serialidade como estratégia de ruptura com os paradigmas da arte tradicional – as ilustrações da lata de sopa de tomate Cambpell e dos retratos de Elvis e de Marilyn, por aqui.


