
Crescemos vendo Rodrigo Faro nas telas — seja como ator, ídolo de uma banda que fez parte do imaginário dos anos 80 ou como apresentador. Junto de seu público, ele compartilha sem medos, roteiros ou máscaras o seu dia a dia, sua intimidade e seus novos desafios. Sabe como ninguém dividir, sem qualquer pudor, suas dores, aflições e sua gratidão pela vida. Um dos maiores apresentadores da TV aberta, Rodrigo é carisma em seu estado mais puro. Com um sorriso no rosto, ele me recebeu para um papo transparente e cheio de emoção.
Por Patrícia Alves
Rodrigo, você muito cedo, aos 9 anos, despertou para a carreira artística, atuando como modelo, apresentador e ator. De onde vem essa intimidade com a câmera? Quando despertou para isso? Vem do meu DNA. Meu avô tinha um grupo de música, onde tocava violão e cantava. Minha mãe foi artista, foi atriz do TBC — Teatro Brasileiro de Comédia, mas meu avô acabou proibindo ela de seguir na carreira. Vem da família, está no DNA essa vontade de se expressar, de trabalhar como artista. Nas reuniões de família, sempre presenciei mamãe e vovô cantando. Era muito legal. Acho que tudo isso me despertou a vontade de seguir como artista.
Seu início na TV foi como apresentador. O grande público pode não lembrar, mas você passou por programas como ZYB Bom (Band), Zaap (Record) e CheckPoint (Gazeta), até chegar aos programas mais recentes. Você é um dos apresentadores mais versáteis da TV. De onde vem essa facilidade em lidar com plateias e o grande público? Acho que o que me aproximou da plateia foi ser um apresentador que mostra sua vulnerabilidade, que quando erra brinca com o erro, não tem vergonha de pagar mico. As pessoas brincam que eu não tenho limites naquela hora. Lido muito bem com improviso, mas estudo e me dedico muito. O palco é a extensão da minha casa e a plateia também. Amo estar com o público do lado, ter o retorno imediato, o olho no olho, o riso, a respiração. Eles apresentam o programa comigo. É muito gratificante.


Como foi comandar realities de tanta repercussão como A Fazenda e Ídolos? Foi muito gostoso poder fazer os dois, porque eu já estive do lado de lá. Já fui candidato várias vezes na minha vida. Eu me via neles e acolhia seus sonhos, que é a coisa mais bonita da vida. Amar, sonhar e agradecer é o que podemos fazer e que não paga imposto. É importante saber lidar de maneira delicada com o sonho do outro.
Na sequência, você enveredou pela dramaturgia. Era um desejo seu ou foi acontecendo? Comecei na publicidade. Sempre busquei ser um artista que faz tudo. Estudei dança, canto, teatro. Fiz até faculdade de Rádio e TV porque queria me aperfeiçoar cada vez mais. Para mim, foi tudo natural. Sempre busquei essa versatilidade. Isso fora do Brasil é comum. Aqui é que temos que entrar em uma “caixa” e fazer uma coisa só. Me vejo como um “artista” e tenho paixão por todas essas vertentes. Tenho paixão por tudo isso, além de abrir uma gama enorme de trabalho.
Sua estreia nas novelas foi em Antônio Alves, Taxista (SBT), em 1996, e na sequência você foi para a Globo fazer A Indomada e outros projetos na emissora, onde passou 10 anos atuando como ator. Em geral, em muitas novelas de época, temas leves e divertidos. Ir para a Globo era um sonho? O que mais lhe marcou desse período? Ir para a Globo sempre foi um sonho. Fazia teatro e fui chamado para a Oficina de Atores da Globo. A dramaturgia da Globo é, sem dúvida, o grande espelho para qualquer ator que busca o grande público. Ainda mais em uma época em que não havia a Internet — era a única tela que tínhamos para aparecer. No meu tempo era ir para a fila e tentar mostrar seu talento. Quando eu consegui ir para a Globo, foi um motivo de enorme orgulho para mim e para minha mãe. Um sonho realizado. Foi muito especial!


Agora, quase 20 anos depois, você e a Globo se reencontram. Como anda essa relação? É “namoro”? Vai rolar “casamento”? (risos) O que podemos esperar desse relacionamento (o que você pode nos contar, claro!)? A gente iniciou um namoro e essa volta não foi por acaso. Tenho recebido um carinho enorme de todo o elenco. O espaço que o Luciano Huck me deu no Domingão… Imagina, dancei com ele e entrou a vinheta Dança Gatinho. Quem imaginaria isso? Tive propostas de novela, mas neste momento resolvi que esse não era o caminho. Busco estar feliz em frente da câmera e em um projeto que faça sentido. Quero um projeto que me faça feliz e que meus olhos brilhem. Mas o namoro está acontecendo! Vamos ver o que vem pela frente.
A dança sempre fez parte da sua história e, mais recentemente, você participou do Dança dos Famosos. Como foi a experiência? O Luciano Huck me ligou e, inicialmente, fiquei meio inseguro. Nesta altura da vida participar de uma competição? (risos) Mas aí pensei “Vou aceitar e levar entretenimento ao público, fazer o que sei fazer, me divertir”. E fui muito feliz! Adorei ter participado, conheci artistas incríveis que eu já admirava. Um saldo extremamente positivo.
Você, sendo fruto da TV, como foi interpretar Silvio Santos no cinema? Foi uma das coisas mais importantes e especiais que aconteceram na minha vida. Principalmente porque eu tive o aval dele. Olhei no olho do Silvio e disse “Eu quero te homenagear e levar um pouco da sua história à tela do cinema. Mas só vou fazer isso se for legal para você”. Quando ele me levou para o palco e me deu o aval, foi emocionante. Fiz a homenagem em vida — pena que ele não pôde ver. Foi uma das maiores emoções da minha carreira.



Pensa em retomar a carreira de ator em novelas? Nunca fecho portas, mas agora não está nos meus planos. Apesar dos convites, que me honram muito.
No Domingão do Huck você fez uma apresentação totalmente nostálgica envolvendo os anos 80. Como foi ter feito parte do grupo Dominó, que marcou uma geração de adolescentes? Os anos 80 foram os melhores! Foi muito especial. A ideia foi do Luciano Huck. Quando recebi a ligação para fazer o Dominó, disse que faria só se o Luciano fosse o quarto integrante. Ele falou “Vamos pensar…” Passou um tempo, ele me ligou e aceitou o desafio. Ensaiamos juntos e quebramos a Internet. Um dos momentos mais icônicos da TV brasileira.
Como vê o futuro da TV aberta? A TV é eterna – ela só precisa aprender a trazer novos públicos, se reinventar. Ela precisa ser cada vez mais ao vivo e multiplataforma. Vem aí a TV 3.0! Interação com a tela… Tudo isso vai dar um enorme fôlego à televisão.


Você sempre compartilhou sua vida pessoal com o público de forma transparente e leve, o que lhe conecta ainda mais com ele. Como seleciona o que é público ou privado? Não seleciono nada (risos). Odeio filtros, mostro a vida do casal como ela é. E é isso que me conecta com o público. Eu não tenho limite e não seleciono nada. Não dá para mostrar só o que é bonito. A aproximação acontece quando você se conecta na vulnerabilidade, na verdade.
Você já declarou que gostava de dançar pelado em casa e recentemente usou biquíni após o treino, o que gerou burburinho nas redes. Essa desconstrução do astro da TV é o segredo do sucesso nas redes? A gente tem que ser único, não o melhor. Eu busco estar fora da curva, da caixinha. Fazer coisas diferentes, sem me preocupar com a imagem. E isso só me aproxima das pessoas. Amo quando falam “Ah, Faro, só você pra fazer isso”. Fora do padrão e diferente, sempre.
Você não tem problema em se mostrar um homem vaidoso, inclusive compartilhando seu transplante capilar. Você acha que inspira outros homens a fazerem o mesmo? Nenhum problema. Procuro inspirar e nunca esconder o que faço. A vida como ela é. Vivo da imagem, preciso me cuidar. Precisamos nos amar – se a gente não se amar, nunca vamos amar ninguém verdadeiramente.


Você acredita que as redes sociais já atingiram seu ápice e que em breve vamos viver um declínio em que outras mídias vão retomar um lugar expressivo? Acredito sim. Esse saudosismo está voltando. As pessoas sentem falta do olho no olho, do visceral, do orgânico. O ser humano não quer mais tudo programado, sem criatividade, sem espontaneidade. Não dá para sentar em uma mesa, cada um no seu celular, sem olhar no olho. Precisamos telefonar, saber como a pessoa está. Precisamos voltar a nos reconectar — ser humano com ser humano! Sem algoritmos ou números.
Na vida pessoal você enfrentou com muito companheirismo e cuidado o desafio envolvendo a saúde de Vera Viel. O que mudou em sua vida depois desse episódio? Aumentou minha fé, a união e o amor com a Vera. E quero dizer que não fiz mais do que minha obrigação. Não é virtude. Cuidar da pessoa mais importante na Terra, depois de Deus, é o que qualquer homem precisa fazer. Minha companheira. Os valores estão invertidos e precisam ser relembrados. Só fez nosso amor aumentar e reafirmar que estaremos juntos para sempre.

Aos 52 anos, você está em plena forma física. Se brincar, melhor do que quando era mais novo. Como você comentou recentemente, um “seminovo” (risos). Como é envelhecer para o Rodrigo Faro? Natural… Acho que é aprender, adquirir sabedoria, experiência. Desacelerar, contemplar, aprender. É um exercício saber que nosso corpo é perene e vai embora. Mas nossa alma não — nem nosso espírito. Eu terei sempre a alma de uma criança.
E para encerrar… O que sonha fazer que ainda não fez? De verdade… Só peço a Deus muita saúde. Não tenho nada a pedir. Só a agradecer! Tenho sabedoria, talento, amor, família, um público fiel. Agradeço todo dia ao abrir os olhos. Não sonho com mais nada. Agradeço e entrego nas mãos Dele a missão que ele tem para mim para os próximos 50 anos.
Assista o vídeo de making of:
Foto Marcelo Bruzzi
Styling Luciano Bortolotti e Leandro Rabello
Beleza Helena Moita
Assistente de styling Ana Monegaglia
Video Wallyson Dennes


