Há exatos 9 anos, durante o trabalho de Rafael Zulu na novela “Fina Estampa” que tivemos o primeiro papo com ele. Agora, por coincidência estamos aqui para outra matéria de capa e novamente “Fina Estampa” está no ar. Porém, o mundo mudou bastante de 9 anos para cá. E claro, assim como todos nós, Rafael também mudou. Hoje pai de uma garota de 13 anos, com filmes para entrar em cartaz e se reinventando nessa pandemia de louco para não pirar. Foi esse momento de isolamento social, não de criatividade, que Zulu passou do limite da TV, teatro e cinema e se lançou no digital. Com programa em rádio, lives pela internet e novos projetos surgindo, como o “Desabafo do Zulu”. Versátil com seus personagens e com jogo de cintura que um bom brasileiro tem, Zulu está de volta à nossa capa! E se quiser uma sugestão de trilha sonora para esse papo, coloca um bom hip hop ou um bom samba pra tocar e vamos em frente!

Zulu, nossa primeira entrevista foi em 2011 justamente durante seu trabalho em “Fina Estampa”. Agora voltamos a conversar e “Fina Estampa” está no ar novamente. Como avalia sua participação na época e sua evolução até hoje? Que bom que quase anos 11 anos depois estamos aqui novamente. (risos) Então, eu nunca fui gostei de me assistir, porém estou curtindo bastante rever a novela anos depois. Visivelmente consigo ver a evolução profissional que tive ao longo dos anos. Confesso que tento não sofrer com a falta de experiência da época. 

Falando de trabalho, novela, seu mais recente trabalho foi o Cido em “O Outro Lado do Paraíso”, onde você vivia o namorado do personagem de Eriberto Leão. E ai, foi muito divertido esse trabalho? Chegou a sofrer algum preconceito? Uma novela muito especial. Fiz grandes amigos e pude mais uma vez trabalhar com profissionais que admiro. O Eriberto é um irmão, então o jogo rolou muito bem. Todo núcleo cômico é bom demais, né? Eu adoro. (risos) Conseguimos tratar e retratar situações reais que os gays sofrem diariamente de forma leve e divertida. Não, não sofri preconceito nenhum por fazer um personagem gay. 

Até por que hoje em dia tudo parece que virou motivo de preconceito. Se a pessoa for negra, gay, gordo, velho, pobre…sempre aparece o preconceito. Por que as pessoas estão tão intolerantes com o outro? Uma das coisas que atribuo ao preconceito, é a falta de conhecimento. Infelizmente vivemos num mundo onde a vida do outro muitas vezes importa mais pra gente do que pra própria pessoa. Abomino todo e qualquer tipo de preconceito, porém o racismo é um dos que mais me surpreende negativamente. Eu adoraria poder falar diretamente, cara a cara com esse bando de racistas que temos por aí.

Recentemente você comentou que sua filha sofreu racismo no colégio quando ela tinha 10 anos. Esse tipo de coisa quando acontece com um filho aí que dá um sentimento de revolta não é? Sim, ela passou por isso justamente por ser uma das únicas meninas negras da escola dela. Mas ela ainda vai viver situações parecidas por que infelizmente moramos num país extremamente racista com o negro. O que faço sempre, é catequiza-la e cada vez mais mostrar pra Luiza, que ela não tem absolutamente nada diferente de nenhuma outra pessoa pelo fato dela ter o cabelo crespo e a pele negra. Ela sabe que é linda inclusive por ser negra.

Por ser um cara conhecido e bem relacionado não te impede de passar por esse tipo de coisa. Muito importante você falar isso, por que eu sempre digo que o fato d’eu ser uma pessoa conhecida não me isenta de passar pelo absurdo do racismo. Ele que é escancarado no Brasil, pra gente que é conhecido, se torna mais velado, porém existe e muito. 

Falando na sua filha, você foi pai cedo. O que o papel de pai modificou em sua vida? Tudo. Ser pai foi a melhor coisa que me aconteceu. E ser pai da Luiza é sensacional. Ela é um ser humano especial, linda, talentosa, amorosa… eu amo ser o pai da Luiza.

Num momento onde grandes eventos, festas e shows não são possíveis como é para você, como produtor, lidar com isso? Pois é, o momento não tá fácil pra nenhum setor, mas bem sabemos que o setor de eventos e entretenimento tá sofrendo demais e fatalmente serão os últimos a voltarem. O momento é de se reinventar na medida do possível. 

Como tem lidado com esse momento de pandemia e quarentena? O que foi mais difícil e o que te levou a aprender? Tentando produzir pra não pirar. (risos) Tempos difíceis, né? Mais difícil certamente foi ter que ficar em casa o tempo todo. Levei a quarentena muito a sério, e sonho estando na rua somente quando necessário. Mas ainda assim consigo diariamente extrair coisas boas em meio ao caos. 

Sente mais falta de atuar ou desse trabalho de produtor de eventos? Em setembro já volto a atuar no filme que teve que parar por conta da pandemia. E tenho além desse filme mais dois projetos de cinema.

Essa vida agitada de trabalhos e festas já atrapalhou para manter os relacionamentos? Nunca, sempre soube separar. Normalmente estou gravando e/ou fazendo teatro durante a semana, e fim de semana algum evento que faço parte. 

Você é um homem cheio de estilo. Se considera um cara muito vaidoso? Obrigado. Eu sou vaidoso mas nada em excesso. 

Pelo jeito você assumiu o visual careca de vez e não abre mão. É dos carecas que elas gostam mais mesmo? Eu não sou careca, eu estou careca. (risos) O primeiro personagem que exigir de mim cabelo grande, assim farei. 

Que peça não pode faltar no guarda-roupa e qual seu estilo em vestir? Jeans e uma camiseta preta ou branca. Sou muito básico.

Em casa relaxando que costuma ler, ver e ouvir? Amo assistir documentários, ouvir Hip Hop e Samba, e ler roteiros de peças de teatro.

E como anda o Zulu chef de cozinha? Você que já participou do “Super Chef” na TV, continua dedicado? É algo que realmente curte? Adoro cozinhar, o Super Chef potencializou isso, e a quarentena fez com que eu me apaixonasse pela gastronomia. Me considero um cozinheiro, não um chef. (risos)

O “Desabafo com Zulu”, foi algo criado para poder extravasar nesse momento e terminou virando algo maior? Como surgiu isso? Ele já existe há uns 2 anos, porém eu tinha parado! Uma galera vinha me cobrando e agora eu tenho feito há cada 15 dias. Como eu sempre digo, tento colocar uma lupa em várias questões da nossa sociedade e retratar de forma cômica ou não.

E para completar o bloco de atividades durante essa pandemia, como está o “A Hora do Brasil”? Feliz demais com “A Hora do Brasil”. A rádio Mood é uma rádio carioca super moderna e descolada, tem a ver comigo. Lá tô tendo a oportunidade de conversar com profissionais de todos os setores, e colocar em prática algo que eu amo e estou cada vez mais debruçado: ser apresentador. 

Como lida com redes sociais, likes, haters e o que é público ou privado? Lido muito bem, acredito até a segunda página, e não sofro pelos likes e haters. Eu acredito demais que a partir do momento que tá na rede, deixou de ser privado… logo quem dá o limite somos nós. 

Pra encerrar, passada essa quarentena o que mais deseja fazer? Planos de trabalho ou lazer? Pude curtir muito a minha mulher Aline Becker nessa quarentena, fizemos planos de viagens e vários outros. O que eu quero mesmo quando tudo passar, é estar com as nossas famílias. 

Fotos Guto Gosta

Styling Samantha Szczerb

Beleza Titto Vidal

Agradecimentos: King & Joe, Seghetto, Érica Rosa Atelier, Hermes Inocencio, Clube Melissa