Com seu jeito meigo e um ar de romantismo no ar, Débora Ozório foi conquistando o público a cada novo trabalho. Foi um mais ousado ou mais delicado que outro, não importa. Sempre somos arrebatados por ela. Atualmente vivendo um amor proibido na novela das 18h, Além da Ilusão (Globo), somos levados a uma época onde muitos conflitos dominavam uma sociedade mais conservadora. Mas Debora tira de letra. A MENSCH conversou com essa promissora atriz e o resultado você confere logo abaixo.

Débora é verdade que você estreou nos palcos aos 12 anos? Como foi esse início? Foi muito natural. Eu me encontrei no teatro muito nova, me apaixonei, escolhi, tive apoio dos meus pais e as oportunidades foram aparecendo. Sempre me dediquei muito para aproveitar cada trabalho e frutificar próximos. 

Como foi a preparação e esse percurso até estrear na TV em 2019 (em Totalmente Demais)? Estudei e continuo estudando muito. Acredito que esse é o caminho. Estou sempre querendo aprender mais. Fiz muito teatro, fui entendendo como funciona o mercado e indo atrás. Fiz muitos testes e assim absorvendo experiência e aprendizado. Conforme as oportunidades chegaram, me dediquei para aproveitar da melhor maneira possível. 

Depois de alguns papéis de época e mais românticos veio a participação na série Me Chama de Bruna, onde você interpreta uma prostituta. Como encarar esse papel tão diferente do que já vinha fazendo? Fazer personagens diferentes é muito bom. Quanto maior a diferença mais interessante. Espero poder sempre ter essa experiência de transitar por diferentes realidades dentro dos personagens. Foi um universo novo pra entender, saber mais e dar vida. Foi um trabalho importante. A série é muito boa a aborda temas que precisam de visibilidade, além de eu ter sido muito bem cuidada pelos diretores e ter feito amizades incríveis. 

Algo te assustou ou foi uma quebra de tabu como atriz ao participar dessa série? Eu sempre me disponibilizo para me surpreender. Sem dúvidas conforme a gente vai entendendo mais sobre algo, a gente desmitifica e não julga. Isso é muito instigante da profissão, uma sensação de abraçar o mundo através da arte. 

Onde e como se sente mais desafiada? Amo desafios. Pra mim, o grande sentido da vida é a evolução. Quando passamos por um desafio, a gente vai se liberando de diversos sentimentos e pensamentos. Eu me sinto desafiada em muitas coisas, a vida é muito ampla. Mas como sou muito conectada com meu trabalho, citaria que me sinto desafiada com a chegada de novos personagens, na criação e execução deles. A despedida deles também é um desafio. 

Sua personagem atual, Olívia (em Além da Ilusão) também traz uma certa polêmica (e quebra de tabu) pois se apaixona por um padre. Como tem sido para você e como tem sido a repercussão? É muito engrandecedor falar de amor. Com a Olívia a gente fala de amor proibido. Envolve religião, padrões, a cultura da sociedade, é tão cheio de reflexões. O público está muito envolvido e sensibilizado pela história, é gostoso de ver. E sentir! 

Outra personagem que pareceu ser um grande desafio foi a Dora da série Filhas de Eva (Globoplay). Como foi ser neta da personagem de Renata Sorrah e filha da personagem de Giovanna Antonelli? Deu um frio no estômago na hora de gravar com essas feras? O que ficou de bom? Foi um divisor de águas nas minha trajetória. Estar do lado dessas mulheres fortes e artistas de altíssimo nível foi uma honra. Absorvi tudo que eu podia. As vezes só queria assisti-las. Fui muito acolhida e fiz grandes relações. Além de aprender de perto com elas, ficou o amor para fora das telas. Minha admiração é infinita e elas moram no meu coração. Vanessinha Giacomo também! E é o frio na barriga mais gostoso de sentir. 

Na séria sua personagem era uma jovem feminista. Como você vê o feminismo hoje em dia? Onde há erros e acertos nisso tudo? Eu sou mulher e criada em uma família cheia delas e unidas. Vejo como um processo necessário. É poder ser. A sociedade só tem a entender, entender que mulher é uma construção e abraçar a diversidade é um ponto preciso. Não pode ser somente sobre mulheres, é sobre sociedade. 

Você tem 24 anos, é de uma geração mais liberal, com uma cabeça mais livre de rótulos. Como percebe isso de machismo e feminismo nessa sua geração? Percebo que ainda temos um longo caminho a percorrer mas com muitas conquistas. A luta não para e temos muito diálogo pela frente. 

Percebe mudanças de comportamentos dessa geração comparada a anterior? Se sim, em que estamos mudando? Acho que sempre estamos em tempos de mudanças, pelo menos torço por isso. Estamos mudando no acesso a informações, as gerações naturalmente veem com outros olhares, acredito na força do diálogo que também está mais presente. 

Folga! Hora de namorar… Qual o destino ideal para relaxar e curtir a dois? Eu sou mais caseira que ele, amo um sofá com pipoca e filmes para ver. Também aproveitamos indo ao teatro, cinema, praia, cachoeiras e um outro lado que ama samba, ama música e dança, vamos em muitos shows. Visito lugares diferentes, afinal somos muitas coisas né? (risos) Viagens também sempre são bem vindas. No geral, precisamos de pouco para um ideal. Qualquer lugar é lugar quando a gente quer curtir. 

Não resiste a… ARTE 

O que coloca um sorriso no seu rosto? Tantas coisas. Tenho riso frouxo e amo. Sorrir é bom demais. Minhas sobrinhas, minha arte, música, paisagens, chocolate, cheiros, pessoas felizes, decorar um texto, teatro cheio, um trabalho novo. Qualquer coisa que preencha de dentro pra fora, e são muitas. 

Quais os planos depois de Além da Ilusão? Faço planos e gosto de fazê-los, é importante. Viver sem que me falte arte é o principal e estar aberta para as diferentes oportunidades que o mundo possa me oferecer. Tem muito coisa boa pra vir!

Fotos Vinicius Mochizuki