ESTRELA: GABRIELA LORAN MOSTRA SUA FORÇA COM SUA VIVI EM “TRÊS GRAÇAS”

Nossa estrela Gabriela Loran vive um momento bem especial como atriz e mulher. Quem tem acompanhado seu trabalho na novela Três Graças (Globo) entende o que estamos falando. Na trama ela interpreta a personagem Viviane que é responsável pela farmácia da população da localidade que distribui remédios (falsificados, diga-se de passagem) para a população carente. Daí já imaginamos que os dilemas são grandes. Agora acrescente a isso um romance com o filho do todo poderoso com uma mulher trans. Ou seja, um prato cheio para uma atriz mostrar a que veio. E Gabriela têm tirado de letra. Tanto que conquistou o apoio e torcida pela felicidade da personagem. Um momento histórico na TV brasileira onde a “cinderela” da história é uma mulher trans. E a resposta do público foi: “está tudo certo, ela merece ser feliz”. Sem dúvida um divisor de águas na carreira de Gabriela e na dramaturgia nacional. Para Gabriela que já vem na luta por seu reconhecimento como ótima atriz desde sua estreia na TV em 2018 com a personagem Priscila em “Malhação: Vidas Brasileiras”. Natural de São Gonçalo (RJ), aos 32 anos Gabriela está colhendo os louros de anos de dedicação e batalha por seu lugar ao sol. Ela chegou lá! Mostrou que seu talento, dedicação e potencial é maior do que qualquer barreira. Nasce uma estrela que promete muito mais.

Gabriela, o que Viviane tem te proporcionado desde a estreia de Três Graças? Viviane tem me proporcionado a oportunidade de mostrar o meu talento e de colocar à prova, ano após ano, toda a minha bagagem como atriz. Ela é um novo divisor de águas na minha vida, porque, a partir dela, posso revelar as diferentes nuances do meu trabalho. Posso, enfim, fazer jus ao diploma que conquistei com muito esforço e dedicação. Viviane é uma porta de entrada para personagens mais complexos, mais profundos. E eu acredito que ela, sem dúvida, será, e já está sendo, um divisor de águas na minha trajetória.

Antes mesmo de tocar no tema de ser uma mulher trans, a personagem já mostrou um caráter invejável, uma sensibilidade cativante e uma força feminina necessária para encarar a vida de frente. Acredita que isso tudo fez a personagem cair nas graças do público? Como você percebe isso? Sem dúvida, antes de apresentar a condição de vida da personagem, a Viviane foi construída como um ser humano, e a humanidade é um fator crucial para a catarse dessa personagem. O público se identifica com Viviane porque ela é uma mulher batalhadora, sonhadora, que se apaixona, que se ama, que cuida dos outros e demonstra afeto. Além disso, a Viviane ocupa um cargo diretamente ligado ao cuidado; ela é gerente da farmácia da Chacrinha, responsável por cuidar das pessoas. Isso, sem dúvida, é um elemento fundamental para que o público crie identificação com ela. A narrativa foge do clichê de reduzir a personagem apenas à questão trans e passa a enfatizar algo essencial: a Viviane como ser humano, como uma personagem profundamente humana. Essa força feminina que ela carrega é muito importante, pois mostra que ela é igual a qualquer outra pessoa, igual a qualquer mulher do Brasil, permitindo que qualquer pessoa possa se identificar com ela.

Não sei para você, mas acredito que a Viviane será um divisor de águas na sua carreira de atriz. Percebe isso? Assim como a Priscila, em Malhação, foi um divisor de águas na minha trajetória, Viviane vem se mostrando uma personagem extremamente complexa, cheia de camadas e com um enorme potencial de transformação. E ela já está transformando a minha vida em muitas esferas. Tanto publicamente, com o reconhecimento de atores renomados que me param para elogiar o trabalho, quanto na relação com o público em geral. Hoje, existe um Brasil inteiro torcendo pela felicidade de uma personagem como a Viviane. O Brasil torce para que ela se dê bem, para que ela dê certo, para que ela vença os obstáculos, para que ela brilhe. E isso é histórico. Nós não estamos apenas fazendo história; estamos reescrevendo a história de personagens como a Viviane.

Em entrevista recente você comentou em “ocupar espaços é abrir caminhos”. Você tem percebido mais isso no audiovisual ultimamente? Eu acho que a gente tem conquistado muitos espaços e, sem dúvida, a Viviane é a personagem que mostra, para quem quer que precise ver, que nós somos capazes, que eu sou capaz, que eu fui capaz.  Fico imensamente feliz em saber que a Viviane está sendo um sucesso, porque isso é a resposta que há anos venho pedindo, na mídia e nas entrevistas, uma personagem com mais complexidade. Ter recebido essa oportunidade e poder dar vida a essa personagem, mostrando que a escolha feita por mim valeu a pena, é algo imensurável. Não tem preço.

Acreditamos que você vive seu melhor momento como atriz e mulher. Concorda? Como tem se sentido nesses aspectos? Para mim, este está sendo um momento histórico da minha vida. Eu estou, sim, vivendo o agora. E hoje, esse presente representa uma colheita. Estou vivendo um dos momentos mais incríveis da minha vida, tanto profissional quanto pessoalmente. Na internet e fora dela, tenho conseguido construir e consolidar a minha imagem como atriz, que é algo que todo ator, toda pessoa que vive da arte, deseja. Estou tendo a oportunidade de mostrar para o mundo essa nova Gabriela. E esse rebranding acontece em todos os âmbitos da minha vida. Nas redes sociais, vocês já estão acompanhando essa nova fase, essa nova Gabriela, que se reflete tanto na minha trajetória profissional quanto na minha vida pessoal.

Na novela você vive um romance com o filho do todo poderoso da trama, o personagem Leonardo de Pedro Novaes. A questão do preconceito foi levantada de forma direta e ao mesmo tempo sensível, tanto que fez o público torcer pelo casal. Esperava por essa reação? Como isso tem te tocado? Desde o momento em que li o texto, eu já esperava que esse casal fosse um sucesso, porque nunca tínhamos visto, na teledramaturgia brasileira, personagens com tanta complexidade. Além disso, a trama da Viviane está sendo abordada de uma forma muito sensível e cuidadosa. Tive muita abertura com os autores para colaborar na construção do texto, contribuindo com elementos que considero importantes e levando minha vivência para a história. Essa troca foi muito rica. Tanto os autores quanto o diretor me ouviram bastante. O Luiz Henrique Rios, o Aguinaldo Silva, o Virgílio Silva e o Zé Dassilva estiveram sempre abertos ao diálogo, e juntos conseguimos construir um caminho muito interessante para a relação entre Leonardo e Viviane. Estou muito feliz com o que estamos construindo coletivamente. Desde a primeira leitura, quando também tive a oportunidade de colaborar na composição desses personagens, percebi que seria um sucesso. E é exatamente isso que estamos vendo agora: personagens complexos, cheios de nuances, que o público está amando acompanhar.

Como foi a construção da personagem? O quanto de Vivi existe em você e o quanto de Gabriela existe em Vivi? Bom, desde que eu li o primeiro texto do teste, eu me identifiquei muito com a Viviane, porque o meu primeiro trabalho também foi em uma farmácia. Eu já tive essa vivência. E acompanhar, ao longo da história, tudo se transformando — a personagem crescendo, as relações se construindo — foi, para mim, um presente muito grande. Então tem muito da Viviane na Gabriela e muito da Gabriela na Viviane. A diferença é que a Gabriela é mais impulsiva, ela se joga mais, enquanto a Vivi pensa bastante, é muito racional. Isso tem a ver com a origem dela. Ela vem da farmácia, vem de uma área mais ligada às exatas, e isso é muito interessante. Mas, em contrapartida, eu troco muito com a personagem. Principalmente naquela cena em que ela conta para o Leonardo, ali eu trouxe bastante da minha própria experiência, da minha primeira vez contando algo assim. Vivi uma situação não exatamente igual, mas parecida, no sentido de revelar algo importante para alguém que não sabia. Então, nesse momento, eu emprestei muito da Gabriela para a Viviane.

Em Três Graças sua personagem tem muito envolvimento com os personagens de Sophie Charlotte, Pedro Novaes, Marcos Palmeira e Dira Paes. Como é o relacionamento fora das câmeras? Já tinha trabalhado com algum deles antes? Sim, eu gravei com a Dira. A gente fez um audiobook sobre a vida de Marielle Franco, e foi a primeira vez que trabalhei com ela. A Dira é um verdadeiro fenômeno da natureza, tem um poder de acolhimento gigantesco. Com o Pedro e com a Sophie eu nunca havia trabalhado antes. Já com o Marcos Palmeira, eu trabalhei em Renascer. O Marquinhos é um amor, uma pessoa com quem eu trabalho muito — temos muitas cenas juntos. Ele é um querido, tem um coração enorme. Sou apaixonada pelo Marquinhos e por todo o elenco. Existe uma sinergia muito bonita entre a gente, também fora das câmeras.

Na vida qual foi sua maior ressignificação (e não estamos falando da física)? Acho que foi sobre me compreender enquanto ser humano e ir em busca daquilo que sempre sonhei e almejei. Nunca aceitei o que era dito como ‘predestinado’ para mim. Sempre rompi paradigmas e tabus que me foram impostos, não apenas a mim, mas também aos signos e marcas que carrego no meu corpo. Romper com tudo isso, vencer, ser quem sou e me transformar em referência para as pessoas que me acompanham e me seguem foi, sem dúvida, a maior ressignificação que pude viver.

O que você sonhava no passado que hoje se vê realizando? Sem dúvida, a minha carreira profissional. Poder transformar a realidade da minha família por meio do meu trabalho. Conseguir viver da arte. Sem dúvida, é um sonho que está se realizando.

Nos momentos de folga onde recarrega as baterias? Uma boa cachoeira, uma boa praia, estar com meus amigos ou simplesmente ficar em casa. Estar com quem eu amo e, sem dúvida, ter minha família ao meu redor, é isso que me reenergiza.

Quais os desejos e planos para este ano novo? Sem dúvida, engatar já em uma outra novela — quem sabe com uma protagonista vindo aí. Eu quero muito ter a oportunidade de mostrar para o Brasil que eu sustento uma protagonista. Acho que o público, né, a voz do povo é a voz de Deus, e tem muita gente que já me vê nesse lugar. Então, se essa oportunidade vier, tenho certeza de que será muito bem acolhida e muito bem realizada. Neste ano, quero cada vez mais bater o martelo, me estabelecer como atriz, como Gabriela Lorran, fugir de caixinhas e de tabus, e firmar minha carreira e o meu lugar como mulher e atriz.

E para conquistar Gabriela, basta… Para conquistar a Gabriela, basta um bom sorriso no rosto e um coração de verdade. Eu acredito que tudo começa pelo respeito, pelo acolhimento e pelo amor — isso tem que vir genuinamente, de dentro. Isso, para mim, já é o essencial. Um bom sorriso conquista, sim. E confesso, uma comidinha boa também ajuda bastante! Um restaurante legal, uma boa comida, conquista fácil.

Fotos @marciofariasfoto

Styling @moraesde

Beleza @makegonzovivi

Assessoria @mariocamelo

Locação @novotelrjleme