
Atriz, roteirista e produtora, Mônica Carvalho celebra 32 anos de carreira e consolida sua trajetória como uma das vozes mais fortes do novo cinema brasileiro. Com olhar sensível e determinação, ela transforma seus roteiros em obras de fé, emoção e representatividade feminina. A atriz, que marcou gerações na televisão, agora brilha também atrás das câmeras como roteirista e produtora — conduzindo suas próprias histórias com a mesma intensidade com que interpreta. À frente da Yva Filmes, Mônica se tornou um nome de força e sensibilidade no cinema nacional, celebrando conquistas que vão de prêmios internacionais à estreia de novos longas nas telonas brasileiras.
Em parceria com a WN Produções, ela lança “Estranhos na Noite”, que chega aos cinemas em outubro, e já prepara “Deixe-me Viver”, obra emocionante que promete tocar o público com temas como amor, escolhas e o valor do tempo presente. De alma inquieta e criativa, Mônica faz do cinema sua morada — lugar onde escreve, produz, atua e, acima de tudo, inspira outras mulheres a acreditarem nos próprios sonhos. Em uma conversa exclusiva com a MENSCH, a atriz fala sobre autonomia, fé, resiliência e o prazer de ver suas histórias ganharem vida nas telas.


Mônica, você vive um momento muito especial na carreira — são 32 anos de trajetória e uma ascensão notável no cinema como atriz, roteirista e produtora. Como você enxerga essa nova fase em que também se destaca nos bastidores, criando e conduzindo suas próprias histórias? Estar à frente e atrás de uma produção e participando de todo o processo criativo é realmente muito engrandecedor na minha arte e profissão. Sempre quis ocupar essa posição para ter autonomia sobre minhas próprias histórias. Amo escrever, e ter a possibilidade de materializar minha história no cinema com grande elenco só me dá a certeza de que estou construindo um lugar em várias posições dentro da minha arte. O que eu adoro! Não quero esperar o telefone tocar, quero ter a iniciativa de poder levantar meus projetos. Hoje eu produzo, escolho elenco e com quem quero trabalhar; é um presente e uma honra poder trabalhar com quem se admira e gosta.
Como é para você acumular funções agora, além de atriz você é produtora e roteirista, e o que isso agrega para sua carreira? O cinema sempre foi uma paixão avassaladora para mim. Hoje, com a minha produtora, a Yva Filmes, tenho uma autonomia enorme — posso escolher com quem quero trabalhar, e isso é grandioso. Venho de uma geração em que ficávamos contratados por anos, esperando o telefone tocar. Foram essas experiências em novelas nas três maiores emissoras que me ensinaram a elaborar roteiros, criar personagens… Eu amo interpretar tanto quanto amo escrever, mas agora meu maior foco é a escrita. É gratificante poder construir algo do zero e acompanhar cada detalhe do processo criativo.



A Yva Filmes tem se consolidado como uma produtora de conteúdo de excelência e sensibilidade. Como tem sido essa parceria com a WN Produções, que resultou em projetos como Estranhos na Noite e Deixe-me Viver? O que essa colaboração representa na sua trajetória como produtora? Minha produtora, a Yva Filmes, vem se consolidando no mercado cinematográfico. Estou no meu quarto longa, como produtora e co-produtora. O Licença para Enlouquecer, que estreou ano passado no cinema, vai para o streaming este ano; foi meu primeiro roteiro e ganhamos prêmio como melhor longa-metragem no Leste Europeu. Vou estrear no cinema dia 16 de outubro, nas redes Cinemark, o longa Estranhos na Noite, em parceria com a produtora WN. Ano que vem lançamos Deixe-me Viver, que está sendo sondado pelas plataformas antes de ir para o cinema. Digo que foi muito trabalho, persistência e muita fé… Encontrar parceiros e profissionais bons é fundamental para que haja confiança e troca de ideias. Sempre acreditei em mim, no que eu queria; tinha convicção de que um dia iria ver minhas histórias no cinema, e agora na TV também. Me sinto orgulhosa do meu trabalho, do que estou plantando como mulher no mercado cinematográfico, que é predominantemente masculino. Ouvi muitos “nãos”, mas não me abalava; eu dizia: ok, tenho outra história aqui. Fui resiliente, acredito na minha intuição e sempre tive a certeza de que iria ver minhas histórias no cinema e agora na TV também.
Como você escolhe seus projetos artísticos? Hoje meu foco é o cinema e a produção de histórias que realmente toquem as pessoas. Depois de Licença para Enlouquecer, que abordou a pandemia com humor e foi premiado no Art Film Award International Festival, estou preparando meu quarto longa, Deixe-me Viver. Ele fala sobre o valor do presente, sobre escolhas que moldam nossas relações, e aborda a ortotanásia — é um convite a desacelerar e valorizar o que realmente importa. Interpretar Andrea nesse filme, uma mãe que desafia tudo para realizar o último desejo de sua filha, me permitiu viver intensamente cada emoção do roteiro.




Seu longa Licença para Enlouquecer recebeu o prêmio de Melhor Filme na Europa, um reconhecimento importante para o cinema nacional. O que essa conquista simboliza para você e como ela influencia seus novos projetos? Ganhar um prêmio no meu primeiro roteiro só me dá a certeza de que estou no caminho certo. Para mim, foi uma prova ou um sinal de que não devemos aceitar os nãos que recebemos; se acreditarmos em um sonho e trabalharmos por ele com afinco, só não se realizará se você desistir.
Você acaba de lançar Estranhos na Noite neste mês de outubro e Deixe-me Viver, que estreia em breve. O que o público pode esperar dessas duas obras e de você nessas novas personagens? Estar nas telonas sempre foi um sonho para mim. Espero vocês no cinema para assistir, a partir do dia 16 de outubro, o longa Estranhos na Noite. Minha personagem, a Francisca, é uma mãe, uma mulher que tem uma dor e precisa voltar a sorrir. Já em Deixe-me Viver, vamos deixar para o ano que vem… Mas separem os lenços, porque irão se emocionar com a história da Andrea.
Durante as filmagens de Deixe-me Viver, você foi convidada pelo estilista brasileiro Charles Herman para posar em um ensaio exclusivo em Milão. Como foi essa experiência de unir cinema e moda nesse ensaio exclusivo para a MENSCH? Quando recebi o convite do estilista brasileiro Charles Herman para fotografar em Milão com suas criações, fiquei surpresa e muito feliz. Foi uma experiência única — me senti uma verdadeira diva do cinema. Acredito que moda e cinema andam juntos, porque ambos contam histórias e se influenciam mutuamente.

Texto Marcia Dornelles
Fotógrafo Leornado Rodrigues
Hair Carmy Siciliano
Vestidos @Hermancharles
Direção criativa Paola Soares


