
Há jornalistas que informam. Outros contam histórias. E há aqueles que transformam o ato de viajar em uma forma de compreender o mundo. É nesse território que se encontra Patrícia Poeta. Conhecida do grande público pela presença firme e elegante na televisão brasileira, a jornalista amplia agora seu olhar para além do estúdio e se lança em um projeto que une reportagem, cultura e experiência: uma série de viagens e matérias especiais realizadas em diferentes partes do planeta. Mais do que destinos, o projeto busca encontros — com pessoas, tradições, sabores e histórias que revelam a essência de cada lugar.
Entre ruas históricas, paisagens icônicas e bastidores pouco conhecidos, Patrícia conduz o espectador por uma jornada que mistura curiosidade jornalística e sensibilidade de viajante. O resultado são narrativas que vão além do cartão-postal, revelando o ritmo, os contrastes e as nuances de cada cidade visitada. Nesta entrevista, com fotos produzidas em Paris exclusivamente para a MENSCH, ela compartilha os bastidores dessa iniciativa, as descobertas ao longo do caminho e a motivação que a levou a transformar o mundo em pauta. Porque viajar, para ela, é mais do que deslocamento — é uma forma de olhar, escutar e traduzir histórias que merecem ser contadas.
Depois de tantos anos na televisão, o que ainda te emociona ao entrar ao vivo no estúdio? São muitos anos de televisão. Mas toda vez que eu entro no palco, toda vez que vejo a luz da câmera acender, eu ainda sinto o mesmo frio na barriga de quando comecei. E eu acho que é exatamente isso que me move. Porque ainda é como se fosse a primeira vez. Ainda é emocionante. Hoje, no Encontro, o que mais me emociona é poder contar a história das pessoas. É poder dar voz a elas. Eu sempre digo que o Encontro é um programa feito pelo público e para o público. Então, nada mais justo do que levar ao ar as histórias reais, o dia a dia, aquilo que o Brasil quer ver e quer discutir. E quando eu encontro alguém na rua e recebo esse retorno, quando as pessoas dizem que estão gostando do que estão assistindo… isso não tem preço. Agora, poder viajar com o programa, que é nacional, e mostrar os rostos de tantos outros lugares onde o Encontro também chega… isso é muito especial. Porque o Brasil tem muitos Brasis dentro dele. E é nosso papel mostrar todos. Mostrar cada voz. Mostrar cada história.


Como foi o processo de transição do jornalismo mais tradicional para um formato mais leve e de entretenimento? Foi tudo muito natural. Muito orgânico. Na minha carreira, eu sempre procurei viver bem cada fase. Aproveitar o que cada momento tem de melhor. Eu fui muito, muito feliz no jornalismo. Afinal, eu sou jornalista de formação — e tenho muito orgulho disso. O entretenimento veio como uma evolução natural. Veio dessa vontade de continuar levando informação, mas de uma forma mais leve, mais acessível, com mais tempo para aprofundar os assuntos. No Encontro, por exemplo, a gente continua falando do dia a dia, do que impacta a vida das pessoas, dos temas que estão na pauta do país. Mas agora trazendo convidados, especialistas, diferentes pontos de vista, para destrinchar melhor cada assunto. É informação com acolhimento. É conteúdo com conversa. E eu gosto muito do que eu faço. Eu acordo todos os dias às quatro e meia da manhã com a certeza de que estou acordando para entregar o meu melhor. Porque eu sou muito feliz fazendo o que faço.
Qual foi o momento mais desafiador da sua carreira e o que ele te ensinou como profissional e como mulher? Nossa, já tive tantos… desde entrevistas duras e sensíveis de fazer…a voltar a minha terra natal e ver tudo destruído por causa dos temporais…muita gente junta sofrendo e chorando ao mesmo tempo… até ir trabalhar “sorrindo” na frente das câmeras, mas chorando “no cantinho“ quando meu filho ficou internado por semanas no hospital, por causa de uma bactéria. E esses são apenas os mais recentes… Como a gente diz: “quem vê close, não vê corre…”



A televisão mudou muito com o digital e as redes sociais. Como você enxerga o papel do apresentador hoje, em um mundo multiplataforma? Eu acredito profundamente em uma televisão com credibilidade, apuração, responsabilidade e com informação real. A internet chegou e abriu espaço para muitos — o que é maravilhoso. Deu voz a muita gente, democratizou o acesso, criou novas oportunidades. Mas essas pessoas que querem ser comunicadoras devem ter responsabilidade. Essa abertura também deu espaço para a desinformação. Para a propagação de notícias falsas. E isso é muito perigoso. Eu acho que, com essa expansão gigantesca das redes sociais, a gente precisa ter junto profissionais com o compromisso que sempre foi a base da boa televisão: o comprometimento com a verdade, com a checagem, com a responsabilidade. Não dá para simplesmente replicar. Não dá para sair distribuindo informação sem averiguação prévia. Porque informação mexe com a vida das pessoas. E muitas vezes pode afetar de forma irreversível. As redes sociais, em muitos momentos, viraram um tribunal a céu aberto. As pessoas se sentem no direito de endeusar alguém… e também de destruir outros. Mesmo sem provas. Mesmo sem respaldo com a verdade, sem sequer procurar saber o que está acontecendo de fato. E eu vou além: quando alguém dedica tempo para atacar, inventar ou espalhar algo falso sobre outra pessoa, isso diz muito mais sobre quem está propagando do que sobre quem está sendo atingido. A internet pode ser algo extraordinário, mas também pode ser usada de maneira maquiavélica. E isso me preocupa. Porque liberdade de expressão nunca pode ser sinônimo de falta de responsabilidade.
Existe algum projeto ou formato de programa que você ainda sonha em apresentar? Olha, eu vou te dizer uma coisa que talvez até soe repetitiva… mas é a minha verdade. Depois que eu passei por uma experiência de quase-morte, eu não consigo mais viver projetando tudo lá na frente. Eu aprendi a viver o hoje. E hoje, o Encontro é exatamente o formato que eu sempre sonhei em apresentar. É um programa vivo, um formato que permite mudanças, que abre espaço para novos quadros, novas conversas, novos olhares. Ele se reinventa. É um programa que nos dá liberdade para variar, para experimentar, para crescer. Então, falando com muita tranquilidade, mas também com muita convicção: hoje, o Encontro é o formato que me encanta, que me preenche como profissional. E talvez isso tenha a ver justamente com essa escolha de viver o agora.

Falando nisso, para este ano você resolveu cair no mundo para conhecer pessoas e lugares. Uma forma de se aproximar mais do seu público. Como tem sido a experiência? Tem sido extraordinário. Eu estou apaixonada. Eu vibro a cada viagem confirmada. Esse ano serão 12 cidades — e eu quero que cresça cada vez mais. A gente começou com duas… olha o tamanho que já tomou. Falar com as pessoas, ter acesso à vida delas, às histórias, às culturas, aos sotaques diferentes… pra mim isso não tem preço. Eu vivo cada viagem intensamente. São três dias de imersão: eu chego na sexta já gravando, a gente grava também sábado e domingo – e, na segunda-feira, faz o programa ao vivo. É fora da curva o quanto eu gosto de estar ali. De ouvir o que as pessoas amam na própria cidade. De conhecer as festas populares, as tradições e os costumes. É um projeto feito com o coração e eu abraço isso de verdade.
Por onde já passou/gravou e por onde pretende passar ainda? A gente já passou por muitas cidades. E eu vou te dizer uma coisa: viajando, teve uma cobertura que foi muito difícil, mas extremamente marcante pra mim. Foram as enchentes no Rio Grande do Sul. Estar ali, no meio daquele momento tão doloroso, com o meu povo… foi muito forte. Muito emocionante. E depois, voltar para gravar em Gramado, algum tempo depois e ver a cidade se reerguendo… ver a força das pessoas… e saber que a gente podia ajudar dando visibilidade, levando o programa pra lá… isso foi muito importante pra mim. Como profissional, mas principalmente como gaúcha. Mas já estivemos em muitos outros lugares. Em Goiânia, em Santos, Barretos, Fortaleza, Belém, BH…a mais recente foi o Rio de janeiro e a próxima será Foz do Iguaçu. Cada cidade com sua energia, sua identidade e sua história. Ainda temos muitas cidades para ir esse ano, mas por enquanto é segredo.


Esse ensaio foi todo produzido em Paris. O que a cidade tem que te encanta? Ela faz parte do seu roteiro pelo mundo que você quer trazer para seu público? Paris é uma cidade que respira cultura. Ela carrega história nas ruas, nos prédios, nas pontes e por onde você passa. Grandes acontecimentos nasceram e se passaram por ali. Essa mistura de cultura pulsante, debates, gastronomia, movimento… tudo isso sempre me encantou. Eu já estive em Paris algumas vezes, sempre a turismo. Sempre como admiradora. Mas, dessa vez, foi diferente: ir trabalhando para divulgar uma semana de alta costura e participar de uma campanha internacional. Foi emocionante. Porque quando você volta a um lugar que gosta, mas em outro momento de vida, com outra bagagem, outra história… tudo ganha uma dimensão maior. E eu vivi isso com muita intensidade.
Como você equilibra a vida pessoal com a exposição constante da vida pública? Eu venho de muitos anos no jornalismo, e existe uma máxima muito forte nessa profissão: a gente está ali para contar a história dos outros, não para ser a história. Então, ainda hoje, quando me vejo como pauta, isso me soa um pouco estranho. Mas eu entendo que faz parte. Eu estou diariamente na casa das pessoas, conversando com elas, levando informação, entretenimento, debatendo temas importantes. É natural que exista curiosidade. Eu procuro viver esse lugar com equilíbrio. Mostro um pouco, me preservo um pouco. Dou entrevistas quando tenho algo relevante para compartilhar, algo que realmente faça sentido. Não sou uma pessoa que busca estar o tempo todo em evidência. Eu agradeço muito o interesse e o carinho das pessoas, mas a minha essência é a discrição. Eu gosto da minha casa, da minha rotina, de uma vida mais reservada. Não sou de badalar ou de me expor excessivamente. No fim das contas, é um exercício diário de equilíbrio: entender que sou uma figura pública, mas sem abrir mão da minha verdade. E a minha verdade sempre foi essa — trabalhar com seriedade e preservar o que é íntimo.


Que conselhos você daria para jovens jornalistas e comunicadores que estão começando agora? Estudem. Busquem conhecimento. Tenham profissionalismo e ética. Essa é a base para qualquer bom profissional. Jornalismo exige preparo, exige apuração e o primordial: compromisso com a verdade. É uma profissão séria, que impacta diretamente a vida das pessoas. E, justamente por isso, precisa ser exercida com responsabilidade.
O que te inspira fora da televisão — livros, viagens, arte, pessoas? Viajar. Sem dúvida, viajar é uma das coisas que mais me inspiram. E eu tenho um hábito que muita gente estranha: eu adoro viajar sozinha. As pessoas sempre perguntam: “Mas por que sozinha?” Porque, para mim, viajar sozinha me abre para o mundo de uma forma diferente. Eu me permito conhecer novas pessoas, conversar mais, me aproximar. Quando faço uma viagem internacional, por exemplo, eu gosto de conhecer quem mora ali. Não quero enxergar o lugar apenas com o olhar de turista. Quero entender a cidade pela perspectiva de quem vive nela, de quem conhece os detalhes, os hábitos e as histórias que não estão nos guias. Isso é muito rico.
Ao mesmo tempo, eu acabo encontrando pessoas de várias partes do mundo. Cada conversa vira uma troca e aprendizado. Viajar amplia o meu olhar, expande meu repertório e me traz uma bagagem humana muito grande. É algo que me engrandece profundamente — como profissional e como pessoa.


Como você define o seu estilo pessoal e o quanto ele dialoga com a sua imagem profissional? Eu diria que é otimista. Eu gosto de olhar o melhor lado das coisas — não porque eu ignore os problemas, mas porque eu escolho não dar a eles um tamanho maior do que têm. Eu vejo, respiro e resolvo. Quando a gente faz isso, vive com mais leveza e atrai coisas positivas. Também aprendi que presença é tudo. Hoje, quando eu converso com alguém, eu estou ali de verdade… ouvindo, prestando atenção, me importando. Não são os grandes gestos que fazem diferença, mas sim as pequenas atitudes feitas com carinho.
Olhando para o futuro, que legado você gostaria de deixar na comunicação brasileira? De ter tocado a vida das pessoas de forma positiva, de ter agregado… somado… E eu faço isso através do jornalismo e do entretenimento. Eu quero que as pessoas se lembrem de que eu usei o jornalismo com verdade, com credibilidade e com responsabilidade. Que eu procurei levar informação, mas também entretenimento. Que eu tentei, de alguma maneira, nem que fosse por alguns minutos, trazer leveza e felicidade para o dia delas. Todos os dias, quando eu acordo — e eu falo isso com muita sinceridade — eu penso: “Como eu posso fazer algo positivo na vida de pelo menos uma pessoa hoje?” Essa é a minha meta diária. Se eu conseguir impactar positivamente uma única pessoa, o meu dia já valeu a pena. Se esse for o legado que ficar — o de alguém que tentou fazer o bem através do que faz — já estarei realizada.


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