Falar de Claudia Leitte é falar de festa, alegria, folia e boas vibrações. Do início de carreira com a banda “Babado novo” até hoje já vão quase 20 anos de carreira, muita música em cima do trio e uma evolução que resulta numa carreira brilhante. Ao longo desse tempo Claudia foi se revelando para o público de maneira que fomos ficando apaixonados. Deixamos de lado as comparações e as cobranças do início e hoje temos uma artista consagrada e uma mulher plenamente consciente do seu talento e do seu poder. A Claudia de hoje, no auge dos 40 anos, é infinitamente melhor, mais bonita e brilhante do que a Claudia que conhecemos aos 20. Isso além de um exemplo para as mulheres preocupadas com os efeitos do tempo, mostra que sempre podemos melhorar. Claudia Leitte não para! Após o sucesso “Perigosinha”, do Projeto “Bandera Move”, a cantora dá o ponta pé inicial nas suas apostas para o verão, com o single inédito intitulado “Desembaça”, lançado nesta sexta 18/09. Lembrando que durante a quarentena, Claudia fez duas grandes lives. Uma intitulada Saudade e outra para comemorar seus 40 anos, apelidada como “40ando na Quarentena”. A Claudia mãe, empresária, cidadã e acima de tudo ser humano foi o que encontramos aqui nessa gostosa entrevista. A parte física vocês já devem ter visto e se encantado aí nas fotos. E nós da MENSCH, nos sentimos besta! Besta por ter essa bela Claudinha no auge de tudo em nossa capa.

Claudia, agora em julho você completou 40 anos. Que por sinal foi marcado por uma live batizada de “40ando na Quarentena”. Como lida com o tempo e idade? Poder amadurecer nos traz sempre novos aprendizados e histórias para poder vivenciar. Hoje eu tenho muitas responsabilidades sob uma nova ótica. Óbvio que algumas coisas mudam com o tempo, mas também é isso que nos torna especial e únicos. Que venham os próximos anos.

Para sermos bem honestos olhando com calma o tempo é seu aliado. Só te fez bem. A que se deve isso? O que você foi mudando ao longo do tempo em relação a saúde e estilo de vida? Independente do tempo, acredito que todos devemos tentar ser a nossa melhor versão hoje. Isso é algo motivador e que está muito além das aparências. No que diz respeito a alimentação e exercícios, eu sempre tive diferentes fases, mas é verdade que busco comer comidas saudáveis, hábitos que aprendi com meus pais e hoje procuro passar aos meus filhos. Além da rotina com exercícios físicos, que aumenta ainda mais quando o Carnaval se aproxima, afinal estar em cima de um trio elétrico por cerca várias horas é uma verdadeira maratona.

Com isso já são quase 20 anos de carreira, da estreia no “Babado Novo” (2001) até hoje. Diante disso, é mais difícil chegar ao sucesso ou se manter nele? Quando você faz seu trabalho com verdade e amor é possível se comunicar com os corações. Isso é massa. Eu acredito que estou aqui para servir as pessoas através da minha arte e me sinto honrada em ter um público maravilhoso. Sou o que sou graças a eles.

Se sente muito cobrada hoje em dia? Cobrada em ser mais bonita, em ser mais a simpática, e ter mais sucessos… Como lida com isso? Todos temos que lidar diariamente com diferentes cobranças, até mesmo daquelas que fazemos com nós mesmos. É um desafio! Mas acredito que precisamos procurar entender o que realmente é relevante. Temos que buscar fazer algo por nós, por nossa família e pelas pessoas. Lógico que me arrumo e gosto de me sentir bonita, mas não há espaço para excesso de vaidade. O principal é estarmos felizes com o que somos e não esperar aprovação de ninguém quanto a isso.

Falando em sucessos, nesse ano você fez sua estreia no carnaval de rua do Rio de Janeiro. Como foi sair do circuito baiano para o carioca com seu bloco? Era um sonho levar o Carnaval de Salvador para o Rio de Janeiro e foi uma das coisas mais bonitas que já vivi. Foi emocionante, levamos mais de 120 mil pessoas para as ruas do centro. Guardo com alegria e gratidão esse momento.

Numa época em que os índices de feminicídio só aumentam é importante essa representatividade. Como isso mexe com você? Algum exemplo perto de você te fez alertar ainda mais sobre isso? É um absurdo e inadmissível que nos dias de hoje ainda existam crimes de feminicídio. O Brasil é um dos países que mais mata mulheres. Não podemos nos calar quanto a isso. É preciso debater, levantar essa pauta e transmitir conhecimento para as pessoas. Nenhuma mulher está sozinha. Reforço isso, pois juntas somos mais fortes. Eu penso em diversas formas de poder ajudar a combater esse mal em nossa sociedade, por isso apoio diversas ações, como a “Free Free”, que tem como objetivo a liberdade física, saúde emocional e independência financeira de meninas e mulheres. Destaco ainda o projeto “Beleza Escondida”, do qual sou madrinha, que é uma marca social que há mais de 20 anos cuida de mulheres e seus filhos que são vítimas de violência dentro de seus círculos familiares. Por meio de doações, eles investem em Casas de Apoio para oferecer atendimento psicológico, social, orientação pedagógica e avaliação profissional com o objetivo de desenvolver lugares seguros e acolhedores em nosso País.

Como homens e mulheres podem combater esse tipo de atitude? A que se deve esse crescimento de casos? Precisamos combater isso diariamente com informação e ações efetivas para promover mudança, como denúncia e punições mais severas. Em briga de marido e mulher se coloca a colher no meio sim. O apoio às mulheres é fundamental. Assim poderemos enfim promover o fim do feminicídio.

Hoje em dia masculinidade e machismo estão sendo misturados e muita gente já não sabe o limite de um e do outro. Gentileza sendo confundida com machismo. O que pensa sobre essas atitudes? É possível ver alguns avanços na sociedade, mas ainda está longe do ideal. Esse debate faz com que possamos promover mudanças estruturais importantes não só para o hoje, mas principalmente para o futuro. Muitos homens têm respeitado o lugar de fala de nós, mulheres. E esse é apenas um exemplo de atitudes que precisam acontecer com cada vez mais frequência para termos menos atitudes machistas.

Esse discurso de empoderamento feminino ainda se faz muito necessário, em que aspectos, segundo seu ponto de vista? Não se trata apenas de um discurso, mas sim de um entendimento empoderado de nosso papel e nossa força. O empoderamento de todas as mulheres é algo necessário para que consigamos as mesmas oportunidades, como salários iguais e mais posições de liderança. Precisamos nos ver representadas e exercer a nossa sororidade.

Existe muito exagero hoje em dia e tudo é policiado nas redes sociais. O mundo está mais chato ou as pessoas? Já sentiu algo na pele? Acho que hoje, graças à internet, todo mundo tem espaço para expor suas opiniões. Muitos acham que tem o direito de julgar o outro ou que estão protegidos para escrever coisas por estar atrás de um monitor, o que sabemos não ser verdade. Temos leis que garantes a proteção para que atitudes, como bullying cibernético, sejam penalizadas. No mais, acredito que é preciso ver o lado bom da vida e das pessoas. Exercer o amor nunca é algo que deixará as pessoas ou as redes sociais mais chatas, pelo contrário.

Mãe de três filhos, recentemente você declarou que não pretendem ter mais filhos. O quanto a maternidade mudou você e sua vida? Como começou essa revolução chamada maternidade? A maternidade é uma coisa linda. É um amor tão grande que não existem palavras para descrever. Meus filhos me mudaram para melhor, uma pessoa melhor. Sempre achei que quando tivesse filhos, eu iria ensinar tudo para eles, mas às vezes acaba sendo ao contrário, eu aprendo todos os dias com meus filhotes.

Onde arruma energia para encarar os palcos, três filhos, apresentar o The Voice, ser esposa… Energia não falta aqui não, eu amo o que faço, música é minha vida. Para me ajudar, tenho apoio de Márcio, e de toda nossa família, eles sempre estão ao meu lado oferecendo todo suporte necessário.

Onde recarrega as baterias? O que te dá uma carga extra? Acredita que eu amo recarregar a energia também em cima do palco com meus fãs? Além disso, gosto de passar o meu tempo livre em casa, ao lado da minha família, com certeza isso me traz felicidade e renova as energias.

Se fosse apontar um defeito, um pecado e uma virtude seus quais seriam? Defeito: ansiedade; Pecado: chocolate branco com coisinhas crocantes ou não (risos); Virtude: eu sempre me coloco no lugar do outro AMOR é uma palavra que me define.

Em um ano tão atípico, quais os novos desafios? Ouvimos falar de um convite para atuar como atriz. Procede? É um desejo antigo? Recebi sim o convite, fiquei muito feliz e animada. Não posso dizer mais coisas ainda, mas espero que o projeto role. Gosto de me experimentar, mas sempre reforço que minha vida e foco são sempre a música.

Outra novidade é o álbum “Bandera Move” que chegou com sua 2ª parte. Como surgiu essa ideia de dividir em duas partes e o que esse novo trabalho te trouxe de novo. Se reinventou nesse novo álbum? A ideia de dividir o álbum veio porque nós queríamos mostrar dois momentos; um mais animado, alegre e dançante e, o outro, mais romântico e envolvente, embora não deixe de também ser dançante. Neste álbum quis trazer um pouco de toda versatilidade artística do meu trabalho, com músicas em diferentes idiomas e estilos, além de trazer uma mensagem central, que é a questão sobre aquilo que move as pessoas todas as manhãs. O objetivo é trazer amor, reflexão e diversão para todos.

Com esse novo álbum veio a música “Rebolada Bruta” em parceria com MC Zaac. Como surgiu essa parceria e o que ficou de bom dessa troca? A parceria aconteceu por intermédio de Augusto Cabrera, que produziu Baldin de Gelo e está sempre antenado a essência do meu trabalho. O Zaac é um talento incrível, inclusive como compositor. Rebolada Bruta foi escrita por ele.

Como foi esse período de quarentena? Como usou seu tempo e o que descobriu durante o isolamento social? Passei a quarentena com minha família. Para mim, a quarentena tem foi um momento de reflexão e autoconhecimento. Tenho pensado muito na minha vida, nas minhas atitudes e prioridades. Além disso, aproveitei para escrever algumas canções e trabalhado bastante também em alguns projetos.

O que costuma ler, ver e ouvir? Gosto de ouvir de tudo, sou bem eclética. O que combina, inclusive, com o Carnaval e o trio elétrico, que me permitem escutar e me experimentar em vários estilos musicais. Isso é massa! Adoro ver filmes e séries também, tenho assistido alguns nessa quarentena. Sobre livros, atualmente estou lendo “The Accidental Universe”, de Alan Lightman, e acabo de ler “Flow”, de Mihaly Csikszentmihalyi.

Para conquistar Claudia basta… Basta um sorriso sincero, honestidade e um coração pulsante de amor.

Fotos Danilo Borges

Beleza Krisna Carvalho

Styling Yan Acioli

Produção executiva Márcia Dornelles

Claudia Leitte veste Lino Villaventura