Podemos dizer que Suzana Pires é uma força da natureza. É um turbilhão de emoções, ideias e ação que por onde passa deixa sua marca. Seja atuando, seja escrevendo, seja debatendo e provocando questões importantes. O grande público deve conhecer Suzana de papéis marcantes na TV, mas ela é muito mais do que isso. E foi justamente atrás dessa mulher múltipla que nós fomos procurar conhecer nesta entrevista. Divertida, séria, forte e delicada. Essa é a Suzana que você vai encontrar aqui na MENSCH. Uma mulher acima de tudo “dona de si”.

Atriz, roteirista e agora escritora. O que ainda falta para essa mulher em constante evolução? Confesso que não planejei tanta potência na minha vida. Eu deixo meu poder de realizar acontecer e ele sempre me surpreende. Acredito que, evolução, seja a coragem de se deixar transformar. A próxima evolução será da marca DONA DE SI, venho me preparando para isso.

Você chegou a ser a primeira atriz (e talvez única) a escrever uma novela (Sol Nascente). Como é estar do outro lado, ser a pessoa que define o destino dos personagens? Sim, a única atriz também autora de novela no Brasil. E gostaria que outras atrizes conquistassem isso também, provando que a capacidade feminina para o multitalento não é um fenômeno, é normal. Decidir destinos de personagens é ouvir o que o público está sentindo com a história e fazer algumas escolhas, como: com essa personagem vou dar o que o público quer, com essa vou surpreendê-los e por aí vai. A maior conexão que pode existir entre um artista e o público, é a escrita de uma obra aberta.

Isso te influenciou de alguma forma como atriz? E o fato de ser atriz te influenciou na hora de assinar uma novela? Sim, a experiência no set me ajudou a entender o todo, quando estou escrevendo e a atuar como showrunner (a pessoa responsável por todo o programa). No Brasil, essa posição ainda não é bem definida, mas como acontece nos EUA é como eu tenho me sobressaído. A minha experiência de 30 anos como atriz em set de filmagem, é valorizada no meu trabalho como autora.

Em novelas e filmes o humor sempre esteve presente na maioria de seus trabalhos. Como é sua ligação com o humor? E quando surgiu tudo, ou foi um caminho escolhido? E já sentiu algum empecilho para encarar personagens mais dramáticas? Eu tenho um olhar bem humorado para a vida, sou dotada de uma alegria de viver imensa e sempre ri de mim mesma. Acho natural que eu tenha essa pegada na atuação e na escrita. As personagens dramáticas sempre aparecem, como no filme premiado CASa GRaNDE ou A Grande Vitória (prêmio de melhor atriz no festival de cinema de Los Angeles)

No dia-a-dia você é bem humorada? E o que te tira o humor? Sou muito bem humorada. Para eu perder minha tranquilidade, tem que ser algo grave, tais como covardia, injustiça ou atos de preconceito. Aí, eu viro uma fera.

Política atual, polarização, intolerância racial e social, são assuntos que tiram esse humor? Como isso te toca? Sim. O Brasil hoje é o país com mais células anti-nazistas do mundo. Isso é perigoso e aponta que não estamos numa boa direção como nação. Sou judia e não tolero racismo com qualquer etnia.

Acha que como atriz você tem dever de levantar questões e debates desse tipo em suas redes ou em público? Ou é uma questão delicada que você prefere não encarar tão publicamente? Acho que a visibilidade vem com uma responsabilidade. Eu utilizo o poder da minha voz para jogar luz sobre questões justas.

O Dona de Si surgiu um pouco disso, de dar voz às mulheres que não têm voz? Sim. Porque, no fim das contas, a diferença entre as mulheres no mercado de trabalho hoje e entre as que lutam por sua voz e as que estão começando a ter consciência disso. O problema é o mesmo em qualquer instância feminina.

Como mulher e artista já sentiu algum tipo de preconceito na pele e precisou se posicionar? Muitas vezes! Ser a única mulher em equipes de roteiro e ainda mais atriz, foi problemático. Precisei ser muito forte, corajosa e topetuda para continuar. Como empresária, também tenho que me posicionar o tempo todo. Mas, hoje, trabalho com equipes que monto e que me respeitam.

Você parece ser bem humorada, mas também parece ser uma mulher forte e boa de briga. (risos) É isso mesmo? (risos). Eu não brigo, tenho pavor a barraco e discussão. Eu argumento com serenidade e quando canso, apenas me retiro. É muito forte esse meu lado.

O que o Dona de Si já fez por você quanto mulher e o quanto pretende ajudar outras mulheres? A Dona de Si me mostrou que sem rede feminina de apoio, nossas conquistas não acontecem. Sororidade – foi o que aprendi.

E isso tudo te levou a lançar o livro Dona de Si dia 08 deste mês. Como foi encarar mais esse projeto e como tem sido a repercussão? Escrever o livro foi a tarefa mais difícil a que já me coloquei. Levei três anos, mas não por falta de conteúdo e sim por insegurança se o conteúdo seria bom. Mas, enquanto eu escrevia, mais o método dona de si de empoderamento, de empreendedoras dava certo no instituto e isso me fez ter a comprovação de que o que eu havia criado, estava transformando vidas. Aí, em 2021, a coragem foi maior que minha insegurança.

O que ainda falta para você como mulher e artista? Tenho a alegria e a gratidão de afirmar que não me falta nada, mas eu sou movida à abundância; então, deixo os projetos fluírem e vou realizando.

Com tantas atividades, o que curte na hora de relaxar? Entrar em sintonia? Curto muito a minha casa, minhas plantas, meu cachorro, ficar com a minha família, minhas amigas, namorar, ir à praia… uma vida calma com gente que eu amo.

O que podemos esperar de Suzana Pires para este ano ainda? Uma grande mudança na vida profissional. Vai ser lindo

Para conquistar Suzana basta… Não é tão simples assim me conquistar… mas, tem três atributos fundamentais para eu abrir meu coração: disponibilidade, gentileza e honestidade. Aí é um passo para o amor, né?

Fotos Thalles Leamari

Beleza Magô Tonhon, Clara Soria e Maria Agatá

Stylist Milton Castanheira

Assessoria e produção executiva Piny Montoro

Assessoria de Imprensa Julyana Caldas

Empresariamento Montenegro Talent