
Por Márcia Dornelles
Carisma, intensidade e entrega definem o novo momento de Fernanda Arraes. Depois de conquistar espaço na TV americana com a série The Bay e participar de produções elogiadas, ela vive um dos maiores desafios de sua carreira no longa O Futuro é Agora, onde interpreta três personagens completamente distintas e também assina a co-produção. O filme, dirigido por Miguel Rodrigues, nasce da expansão de um universo de curtas para uma narrativa única, vibrante e profundamente humana, explorando como a tecnologia molda, afeta e tensiona as relações contemporâneas. Nesta entrevista exclusiva, Fernanda fala sobre o processo, os bastidores, os desafios de interpretar três mulheres em uma mesma obra e suas expectativas para os próximos lançamentos, incluindo Deixe-me Viver, onde atua ao lado de Humberto Martins.
Você interpreta três personagens em um único filme. O que passou pela sua cabeça quando recebeu esse convite/desafio? Quando recebi o convite, senti uma mistura de honra e um pânico saudável. Interpretar três mulheres completamente diferentes exige um mergulho profundo, quase como desligar e religar versões de mim mesma em poucas horas. Eu sabia que seria difícil, mas também sabia que seria transformador.
Como foi o processo de construir essas três personalidades tão distintas? Cada uma exigiu um trabalho de corpo, voz, energia e história interna. Criei diários individuais, playlists, formas de caminhar e até maneiras diferentes de respirar. Às vezes, no set, mudávamos cabelo, figurino e postura em minutos. Era quase um ritual de troca de pele.

O filme dialoga com tecnologia, algoritmos e inteligência artificial, mas sob um olhar humano. Qual foi, para você, a mensagem mais poderosa dessa narrativa? A tecnologia muda tudo ao nosso redor, mas não muda nosso coração. O filme fala de responsabilidade emocional, empatia, limites e escolhas. Mostra o quanto estamos expostos e o quanto podemos transformar nossa realidade quando entendemos quem somos, não quem os algoritmos dizem que somos.
Você também atua como co-produtora. Como foi conciliar esse papel com a performance artística? Foi desafiador, mas muito enriquecedor. Produzir me deu uma visão mais profunda da estrutura e da intenção do filme. Você passa a cuidar do projeto como quem cuida de uma casa. Isso me deu mais precisão e mais entrega na atuação.
Você também está no elenco de Deixe-me Viver, que estreia em breve no Brasil, atuando ao lado de Humberto Martins. O que pode nos contar sobre essa experiência? Deixe-me Viver foi um presente. Trabalhar com o Humberto, que é extremamente generoso e comprometido, elevou meu trabalho. Meu papel nesse filme tem uma carga emocional intensa e muito humana. É um projeto que fala de superação e reconstrução, temas que me atravessam como artista e como pessoa. Estou muito feliz com a estreia no Brasil. Sinto que é um longa que confirma essa fase da minha carreira, em que posso transitar por universos e profundidades diferentes.
E o que Fernanda Arraes espera do futuro? Espero continuar contando histórias que toquem as pessoas. Espero continuar me desafiando. E espero que a arte continue sendo um lugar onde o humano possa respirar, sentir e existir plenamente.

Foto Daniel França


