Quando Graciela Pischner achava que sua carreira de modelo tinha se encerrado, mesmo em tão pouco tempo, a dança revelou para ela uma nova forma de realização profissional. Aliás, a dança a levou para o outro lado do mundo, mais especificamente para os Emirados Árabes, e Graciela viu sua vida dando um verdadeiro reboot. Morando em Dubai há alguns anos, Graciela se tornou uma queridinha para os árabes que se encantaram com sua beleza e seu jeito de mexer o quadril. Entre idas e vindas para o Brasil, para visitar a família, ela arrumou um tempinho para posar para este ensaio e conversar com a MENSCH.

Antes de tudo nos explica como a dança te levou para Dubai? Como surgiu isso? Eu tinha acabado de voltar de um intercâmbio de um curso de inglês em Cape Town, onde aproveitei e me apresentei em um restaurante árabe. Minha professora de inglês me assistiu e disse que eu precisava viajar o mundo com meu show. Aquilo entrou na minha mente e quando voltei para São Paulo fui direto procurar um empresário libanês de bailarinas de dança do ventre que trabalhava com uma agência de artistas no Líbano. Eu estava muito segura porque eu fazia shows com a mãe de uma bailarina que já viajava com esse empresário há muitos anos. Então fui para o Líbano, fiz uma mês de aulas para aprimorar minha dança e de lá fui para o Yemem por 3 meses para pegar experiência, depois Bahrain Tunísia e finalmente quando entendi bem o Universo Árabe, fui para Dubai.

E morar em Dubai, o que mais curte e o que foi mais difícil de se adaptar? Eu curto muito a segurança, a possibilidade de falar 4 idiomas diariamente. Em Dubai quando você conhece alguém a primeira pergunta é Qual o seu nome e depois de onde você é. Eu encontro pessoas do mundo inteiro diariamente e outra coisa que amo é a possibilidade de expansão, de viajar, de prosperar e aprender. Foi difícil no começo a adaptação cultural, eu era barrada no shopping porque minha roupa era muito curta ou tinha problemas no trabalho porque em país árabe a mulher precisa falar bem manso. A saudade da família acho que foi o mais difícil de tudo mesmo para me adaptar.

Como é a relação homem e mulher? Muita distância? Como se dá uma paquera? Como funciona isso para você, uma brasileira, em uma terra de costumes tão diferentes dos nossos? A relação homem e mulher lá por incrível que pareça é de muito respeito. Os homens pensam antes até mesmo de cumprimentar uma mulher com um beijo. Mas claro que por ser um lugar com pessoas do mundo inteiro cada hora vivemos uma cultura, literalmente. No tradicional dos Emirados existe muita distância entre o homem e a mulher, mas nós estrangeiros não vivemos isso, somente se nos relacionarmos com famílias locais, que normalmente isso acontece pouco. Eu como brasileira me sinto muito preservada, a paquera é mais suave. Morando lá há tanto tempo quando venho para o Brasil me sinto invadida com algumas abordagens.

Entre o homem brasileiro e o de Dubai, o que te atrai mais? Os homens “de Dubai” que chamamos de locais em geral não me atraem. Apesar de serem extremamente cavalheiros, eles usam uma vestimenta branca diariamente e tem uma mentalidade tão diferente da minha que nunca me senti atraída por nenhum.

E como surgiu a paixão pela dança? Eu estava num momento muito triste da minha carreira de modelo, estava com anorexia, me sentindo vazia, então decidi experimentar fazer algo novo, então ouvi uma música árabe e decidi fazer uma aula de dança do ventre. Fiz uma aula com uma professora libanesa que mal falava português. Quando a música tocou e começamos a dançar foi como se eu tivesse entrado em transe, eu senti algo que eu nunca havia sentido antes, foi um estado de êxtase e depois desse dia eu nunca mais parei de dançar. Minha tristeza acabou, a anorexia também e na minha vida houve uma divisão, antes e depois da dança do ventre.

No início da sua carreira você trabalhou como modelo. Como foi esse começo como modelo?Eu trabalhava como modelo antes da dança do ventre, mas no Brasil minha carreira foi bem difícil porque eu precisava sempre estar muito magra e isso era muito estressante pra mim. Eu não era uma modelo comercial por ter 1,81 cm, mas também não era fashion por ter curvas mesmo quando estava magérrima. Quando fui pra fora do Brasil para dançar eu assumi que minha carreira de modelo havia acabado, mas foi um grande engano. Quando cheguei em Dubai as agências amaram meu perfil, eu trabalhei por quase 10 anos praticamente todos os dias a ponto de sair no jornal que eu era a modelo que mais trabalhava nos Emirados Árabes. Eu modelava durante o dia e dançava a noite. Foi divino, porém exaustivo a ponto de eu precisar diminuir meus trabalhos para ter mais qualidade de vida. Foi um sonho em termos de realização pessoal.

Você chegou a fazer comerciais para várias marcas internacionais e de luxo. É um trabalho que te dar prazer ainda hoje? Sim é um trabalho que me realiza sempre. Mas hoje eu prezo muito meu tempo e minha qualidade de vida, procuro manter o equilíbrio entre minha vida pessoal e profissional, seleciono melhor meus trabalhos.

Falando em o que dar prazer, quando quer relaxar e curtir o momento o que mais te distrai?Eu amo a natureza! E o Brasil é divino para viver isso. Sempre que posso vou para um lugar mágico na natureza para ler um livro, caminhar, meditar, nadar e namorar. ?

Você é mais do dia ou noite? Praia ou Campo? Boate ou restaurante? Sem dúvida do dia. Já fui muito de festa, mas hoje acordo cedo e depois da meia-noite viro abóbora. Amo praia, água em geral, cachoeira, rios. Praia, campo e Neve. Amo muito! Me sinto em contato com o Divino! Gosto de restaurantes também, quando estou na cidade ou um café bacana no fim da tarde. Com um livro ou uma companhia top.

Para conquistar Graciela basta… Para me conquistar basta ser verdadeiro, ter autenticidade, espontaneidade e bom humor. Menos é mais pra mim. Depois de tantos anos em Dubai, um lugar onde tudo é tão sofisticado eu passei apreciar a felicidade nas coisas mais simples da vida.

Fotos Bia Ferrer
Produção e Estilo Ju Hirschmann
Beleza Augusto Rebello
Assistente de foto Marlos Barros
Tratamento de imagem Celinha Fink