O termo “empreendedorismo criativo” está amplamente em uso por todos que convivem ou fazem parte da era digital. Junto com o termo, proliferaram vários artigos sobre o tema, algumas críticas à geração do “bota pra fazer”, falácias aqui e acolá e muitas tentativas de rotular o conjunto de pessoas que usa e abusa da criatividade para desenvolver seus negócios.

Agora, imagine você:

Sou professor de empreendedorismo criativo e gosto de materializar o termo com exemplos reais, de pessoas com capacidade de botar de pé projetos de A a Z sem usar “se” ou “mas” durante o processo. E um dos exemplos que uso nas minhas aulas é de um paulistano, criado ali no Planalto Paulista (SP), que alguns anos mais tarde sairia direto do curso de publicidade e marketing da Universidade Mackenzie para a gerência de marketing e comunicação da Trip Editora. Lugar em que conheci Gustavo Giglio.

De cara nos identificamos por causa da música. Ele, na época, tocava com primos e amigos de infância na banda Sé7ima. E foi num show dessa banda que aprofundamos conversas sobre projetos de conteúdo. Posso dizer que muito do braço de Mobile Content da editora saiu desse papo de boteco. Giglio é um inquieto. É obcecado por colocar projetos de pé. De qualquer natureza.

Na Trip, conheceu seu atual sócio, o também publicitário Wagner Brenner, do Update or Die, uma curadoria/produtora de conteúdo/consultoria criativa que se materializa no mais abrangente portal de referências e inspiração do Brasil, talvez da América Latina. É a principal curadoria de conteúdo que tenho conhecimento. Essa amizade rendeu frutos e fez com que Giglio deixasse a Trip para se tornar sócio do “UoD”. Na Trip, participou e criou diversas campanhas, fechou parcerias importantes, colocou de pé eventos e foi um dos realizadores do prêmio Trip Transformadores. No UoD, há 10 anos, aplica essas habilidades nos negócios da empresa.

O Update or Die é um daqueles cases que merecem ser compartilhados. Há mais de 12 anos no mercado, é um movimento que celebra a inovação através da troca de referências e insights entre membros de uma comunidade de Early Adopters. De criativos para criativos. Não apenas o que produzem, mas principalmente o que consomem. Como apaixonados que somos, entendemos logo que nada supera essa característica. Isso mesmo, nada supera um apaixonado, nem mesmo um especialista. A missão é localizar essas pessoas, curiosas e obcecadas por natureza e criar um ambiente que seja interessante a ponto de atraí-las.

Giglio criou projetos de conteúdo multiplataformas para marcas como Spotify, Facebook, Budweiser, Samsung, EBAC, GNT, Tecnisa, Oakley, Netflix, Santander, Twitter, Evoke, Disney, Fox, GoPro, Cerveja Sol, AXE, Canon, OLX, Talent Marcel, Publicis, Heineken (entre tantos outros). Um desses foi na área da música, claro. O “House of Jam” leva novas bandas para um show intimista, no melhor estilo “tamo em casa”. Tudo foi gravado, editado e posteriormente disponibilizado no site. Giglio co-criou, produziu, entrevistou e até tocou no projeto, com sua banda, o Kisser Clan (com Andreas Kisser – do Sepultura, Yohan Kisser e Amilcar Christófaro). Banda que foi um dos shows mais elogiados no Rock in Rio 2017 e no de 2019.

Empreendedor sem nem mesmo saber o porquê, o cara é curador e head de conteúdo do Unlock CCXP (braço de negócios da maior Comic Con do mundo), fundou com o irmão Felipe Giglio o Coffee Hunter – uma marca de café customizados em que criou o termo “Branded Coffee”, foi considerado um dos profissionais de comunicação mais admirados do ano (Prêmio Comunique-se), faz parte da comissão julgadora da Bienal Brasileira de Design Gráfico, é membro do comitê Marketing Experts (da Fundação Getúlio Vargas) e foi jurado no Prêmio Abril de Publicidade em Criação Digital e Native Ads. Isso tudo o credenciou a ser eleito com um dos 50 profissionais mais inovadores do mundo digital brasileiro (pela Revista PróXXima).

E, sabemos que prêmios só se tornam relevantes quando a história por trás do premiado é verdadeira.

Nesse momento do artigo estou exausto. É que o volume de projetos que o cara se envolve é tão extenso que fico cansado só de pensar. É Embaixador da cerveja Guinness no Brasil, apaixonado desde sempre por quadrinhos e cinema é jurado do Troféu HQMIX (principal premiação do mercado nacional). Calma, tem mais. É autor do livro “Planeta das Macacas” (Sopa Editora, 2016),  atuou na cinebiografia “ELIS”, como baixista da banda e é produtor executivo do documentário “Memórias de Mariana”, uma vigilância digital sobre o crime ambiental acontecido em Minas Gerais.

Pensa nisso: como pode um peixe vivo tocar para 50 mil pessoas, produzir um documentário, criar e aplicar projetos de marketing para grandes marcas e gerenciar projetos de cobertura e produção de conteúdo no SXSW (Austin), Super Bowl, Festival de Cannes, CCXP e San Diego Comic Con?

Minha única explicação é que Giglio entendeu há tempos que a palavra profissão não faz mais o menor sentido na era digital. E que, no empreendedorismo de hoje, desenvolver habilidades é questão de sobrevivência. Bater o corner e correr pra área é cotidiano. Os MBAs e cursos de negócios espalhados pelo Brasil precisam urgentemente de reciclagem, e cá entre nós, um bom começo é estudar cientificamente o Gustavo Giglio.

Por Gustavo Ziller – Criador da série 7CUMES do Canal OFF, colaborador da Revista Trip, Update or Die e autor do livro Escalando Sonhos.