ESTRELA: MARIANA SENA É SUCESSO EM HORÁRIO NOBRE E NO STREAMING

Mariana Sena vive um dos momentos mais intensos e especiais de sua trajetória. Depois de personagens marcantes em produções como Mar do Sertão e Garota do Momento, a atriz chega ao horário nobre da TV Globo em Quem Ama Cuida, onde interpreta Elenice, uma mulher envolvida em um relacionamento abusivo e atravessada por conflitos que exigem entrega, sensibilidade e responsabilidade.

O trabalho surge em uma fase de amadurecimento pessoal e artístico, na qual Mariana também celebra a maternidade e uma relação mais livre com o próprio ofício. Para construir Elenice, mergulhou em pesquisas e relatos de mulheres que viveram situações semelhantes, ao mesmo tempo em que buscou estabelecer limites para não levar para a vida pessoal a carga emocional da personagem.

E a boa fase vai além da novela. Mariana também está em Jogada de Risco, como a advogada Cris, estreia no cinema com Antártida e amplia sua presença no streaming. Entre diferentes personagens, linguagens e plataformas, ela vive o que define como um período de “colheita” — resultado de anos de escolhas, persistência e dedicação à atuação.

Nesta entrevista à MENSCH, Mariana Sena fala sobre os desafios de viver Elenice, a importância de discutir a violência contra a mulher na dramaturgia, maternidade, maturidade profissional e os novos caminhos de uma carreira que ela pretende levar até os 90 anos — sempre trabalhando e aberta ao próximo personagem.

Você estreia no horário nobre da TV Globo com “Quem Ama Cuida” vivendo a intensa Elenice. O que esse papel representa neste momento da sua carreira? A Elenice é um presente que vem junto com muitas responsabilidades. Eu agradeço muito por ela ter chegado nesse momento da minha carreira, um momento de amadurecimento mesmo como mulher e como mãe. Acho que interpretar a Elenice agora faz muito sentido pra mim.  É uma responsabilidade muito grande, mas que eu peguei com muito afinco e sigo tentando ao máximo fazer e interpretá-la da melhor maneira possível.

Elenice vive um relacionamento abusivo e emocionalmente complexo. Como foi o processo de preparação para interpretar uma personagem com tantas camadas? Como todo o processo criativo, a preparação para interpretar a Elenice partiu de muita pesquisa, troca com mulheres, pessoas que vivem ou viveram situações parecidas. A Elenice não só sofre apenas violência psicológica, mas física, que é o escalonamento muito forte que ela já veio vivendo desde o começo da trama. Tratar sobre este assunto foi algo muito delicado, não só pelo que representa socialmente, mas pessoalmente por conhecer bem o que era um relacionamento abusivo no passado. Não queria misturar a personagem com questões da minha vida pessoal. Por ser uma obra aberta ela exige que a gente continue em preparação ao longo do processo e na troca com o meu parceiro Alan (Souza Lima), com quem eu estabeleci uma construção em conjunto. A maneira como Elenice lida com as pessoas, com o mundo ao redor dela, com a casa, depende muito da maneira como é a relação dela com o Tom. Estou muito feliz com essa parceria.

Você comentou que o maior desafio foi separar a Mariana da Elenice. Como tem sido esse exercício de mergulhar na personagem e depois conseguir se desligar dela? Vivo um dia de cada vez.  Elenice é uma personagem intensa, que consome psicologicamente e ter um intervalo de descanso entre uma gravação e outra é crucial. Além disso, a terapia que eu já faço há muitos anos tem me ajudado demais a estabelecer a separação entre personagem e atriz. Consegui achar um caminho de não emprestar muito da Mariana pra Elenice. E tenho me preservado nesse processo.

A novela aborda temas muito atuais, como violência psicológica e relacionamentos tóxicos. Qual a importância de levar esse debate para o horário nobre da televisão? Falar sobre violência física e psicológica é uma responsabilidade muito grande. Acho que o que mais está causando uma revolta no público, inclusive, é a dificuldade em entender o quão grave é um relacionamento com violência psicológica e a dificuldade de se desvincular mesmo depois que ele escalona para violência física. A minha esperança é que as Elenices pelo Brasil consigam se identificar e buscar maneiras seguras de se salvarem.

Você acredita que Elenice pode ajudar mulheres a reconhecerem situações semelhantes em suas próprias vidas. Como enxerga o papel social da dramaturgia nesse tipo de discussão? Sou uma pessoa que não consigo dissociar a minha profissão de atriz com o papel social que a gente representa. Somos pessoas que estamos ali interpretando histórias que representam algumas pessoas. E calhou de agora nesse momento eu ter a missão de interpretar uma dessas mulheres que sofrem esse tipo de violência continuamente. Então, pra mim, tem sido uma responsabilidade muito grande e que eu agarrei com unhas e dentes. Eu lido com seriedade e afinco. É importantíssimo retratar esse tipo de relacionamento da maneira como está sendo mostrado na TV.

Depois de personagens marcantes em “Mar do Sertão” e “Garota do Momento”, você chega a um momento de maior maturidade artística. Como percebe a evolução da sua trajetória nesses últimos anos? Um ator que tem a oportunidade de exercitar o seu trabalho acaba criando ao longo do tempo essa maturidade. Tudo o que a gente como ator precisa é espaço e oportunidade. As personagens que recebi ao longo desses anos são personagens que me encaminharam para este momento. Mas não sei como percebo essa evolução (risos). O que noto é que antes eu tinha muito mais tensão e medo de errar, necessidade grande de acertar e foi justamente no momento em que eu ‘desliguei’ isso foi quando eu consegui experimentar mais em cena, de não ter medo de me arriscar.

A maternidade mudou sua forma de enxergar a vida e também influenciou sua atuação. O que interpretar uma mãe pela primeira vez trouxe de novo para você como atriz? A maternidade me tirou exatamente esse medo de arriscar e a necessidade de acertar o tempo todo. Influenciou não só a parte profissional, da atuação, como a minha vida por completo. Interpretar uma mãe na ficção ao menos me trouxe algo, acho que eu mais emprestei nesse processo. Entendi também a responsabilidade que é trabalhar com uma criança num ambiente fictício em que a personagem vive situações muito pesadas. Então, pra, mim vem sendo um exercício muito grande conduzir. Tenho um outro olhar. É uma oportunidade de muito aprendizado e troca com as meninas atrizes que interpretam a Dafne (nas duas fases).

Além da novela, você também pode ser vista em “Jogada de Risco”, vivendo uma advogada em um universo predominantemente masculino. O que mais chamou sua atenção nessa personagem e como foi descobrir o mundo do futebol durante a preparação? “Jogada de Risco” foi uma aventura. Mergulhar no universo do futebol, pra mim, que nunca fui uma pessoa interessada em futebol, não entendia absolutamente nada, compreendo mais agora porque as pessoas são tão apaixonadas pelo futebol. O que mais chamou a minha atenção na personagem foi essa capacidade da Cris ser rápida e ágil, de pensar muito bem, de ter o dom de articular e negociar as coisas e de ser uma mulher naquele ambiente completamente masculino conseguindo se impor sem perder a feminilidade. Ela tem muitas qualidades. É uma jovem advogada ambiciosa, mas que é contra passar a perna nas pessoas. É o cérebro na parceria com o Maurício (Cauã Reymond) e muito potente. Acho a Cris fascinante. Foi muito divertido e especial fazer essa série.

Sua estreia no cinema acontece com “Antártida”, além dos novos projetos para o streaming. Como você encara esse momento em que televisão, cinema e plataformas digitais se encontram na sua carreira? Pra mim é um sonho estar vivendo esse momento profissional. Atuar na novela das 21h com grande repercussão, numa série no streaming que está bombando e é o título mais assistido do Globoplay, ter um longa para estrear… é mágico. A Mariana, lá, de 17 anos, quando estava decidindo se continuaria a faculdade de Fonoaudiologia ou se eu ia trabalhar com atuação, estava com muitos conflitos, incerteza do futuro… e o meu sonho sempre foi ter a oportunidade de trabalhar como atriz. Conseguir me sustentar com o meu ofício me sentir bem e plena fazendo o que eu amo. É um momento de colheita, de comemoração e estou muito feliz.

Você já revelou o desejo de interpretar uma grande vilã e também experimentar gêneros como ação e comédia. Que desafios ainda faltam para a Mariana Sena realizar como atriz? Acho que o maior desafio pra Mariana atriz é chegar aos 90 anos trabalhando sempre, com uma carreira consolidada e seguir fazendo teatro, performance, streaming, cinema, novela e tudo mais que a profissão nos proporcionar.  Ser uma atriz  trabalhando constantemente, de forma saudável, até a chegada da velhice. Não sou uma pessoa que tenho vontade de se aposentar (pelo menos no momento atual).

Quando não está gravando o que faz para recarregar as baterias? Para se inspirar? Ah, eu faço muitas coisas. Como uma boa taurina aprecio demais o descanso, dormir bastante e acordar tarde. De vez em quando eu, o Elzio (marido, o ator Elzio Vieira) e a nossa filha (Ayomi), damos umas fugidas nos fins de semana e vamos para o ‘mato’, nos desconectamos de celular, redes sociais, para aproveitar a natureza e a companhia um do outro. Agora que estamos morando no Rio de Janeiro temos a praia bem perto e é outro lugar maravilhoso para recarregar as baterias. Me traz uma paz muito grande também visitar aquários. Eu amo aquários, peixes. E passei a olhar para isso com mais atenção depois que tive um burnout no início do ano. Então eu paro, me dou pausas, aproveito as folgas e descanso.

Pará conquistar Mariana basta… A Mariana é uma pessoa muito fácil de ser conquistada. Acho que ela devia até ser mais criteriosa. (risos). Mas, pra me conquistar, é preciso ter um bom papo, sinceridade e ser honesto. Eu detesto gente mentirosa. Adoro conversar, gosto de encontrar pessoas. Sou uma pessoa muito honesta e isso é até ruim, né? Às vezes falo verdades demais.

Créditos da equipe:

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Stylist @schiavellii

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Manager @megastageoficial @claudiaandrade100 

Making of @megalabs @joaoamarantec @gustavo_gall

Créditos dos looks

Look 1

Vestido Vitor Zerbinato, Meia Calzedonia, Bota Zara

Look 2

Vestido: Argauji, Blaizer: Vitor zerbinato, Meia: Calzedonia, Cinto: Virgínia Cavalheiro, Sapato: Prada, Anel: Cristina Sabatine

Look 3

Saia: Chart, Corset: Acervo, Lingerie: Intimissimi , Sapato: Arezzo