CAPA: JULIANO LAHAM – VERSATILIDADE EM CENA

Last updated:

Após construir uma trajetória sólida na televisão, Juliano Laham vive uma das fases mais diversificadas de sua carreira. Conhecido por papéis marcantes em novelas e produções bíblicas, o ator amplia seus horizontes com projetos no cinema, streaming e grandes produções de época, apostando em personagens cada vez mais complexos e desafiadores. Entre comédia, suspense e drama histórico, ele demonstra versatilidade e disposição para explorar novas possibilidades artísticas.

Nesta entrevista exclusiva para a MENSCH, Juliano fala sobre os bastidores de filmes como De Volta à Bahia, Quarta-feira de Cinzas e 8 Segundos, além da aguardada série Ben-Hur, na qual interpreta Barrabás. O ator também reflete sobre sua evolução profissional, os rumos da carreira, os projetos autorais que estão por vir e revela como encara este momento de transformação, em que a busca por boas histórias passou a falar mais alto do que a simples visibilidade.

Depois de interpretar personagens marcantes em produções bíblicas como Reis, o que o público pode esperar de diferente dos seus trabalhos mais recentes? Acho que o público vai ver um Juliano mais maduro e disposto a se arriscar. A produção bíblica foi muito importante na minha trajetória, e hoje tenho buscado personagens mais complexos, contraditórios e humanos. Tenho vontade de explorar lugares que talvez as pessoas ainda não tenham me visto visitar como ator.

Você está no elenco do longa De Volta à Bahia. O que mais te atraiu nesse projeto e no seu personagem? O que mais me atraiu foi o coração da história. Nos bastidores, a gente brincava que era um “dorama baiano”. Foi minha primeira experiência em uma comédia, e acredito que muita gente vai se divertir e também se emocionar com a mensagem que o filme traz.

Como foi o processo de construção do personagem em De Volta à Bahia e quais desafios ele trouxe para você como ator? Tive um processo muito curto. Estava finalizando outro filme e tive apenas dez dias para me aprofundar na história do Arthur. Foi um período de muita observação. Gosto de buscar a humanidade do personagem antes de qualquer coisa. O desafio foi encontrar nuances que o deixassem real e, ao mesmo tempo, cômico em situações comuns da vida. A interação com toda a equipe nos bastidores me ajudou muito a encontrar o tom desse personagem. Sem dúvida, ele me trouxe novos desafios como ator.

Em 2025, você participou de produções para cinema e streaming. Quais diferenças percebe entre atuar para novelas, séries e longas-metragens? Cada formato tem sua beleza. A novela exige rapidez e fôlego porque você está criando enquanto a obra acontece, com um ritmo muito intenso. Já o cinema e as séries, dependendo do tempo de produção, costumam permitir um mergulho maior na construção dos personagens. Como ator, gosto de transitar por diferentes universos porque eles me desafiam de maneiras distintas.

O filme Quarta-feira de Cinzas apresenta uma atmosfera bastante diferente dos trabalhos pelos quais o público está acostumado a vê-lo. O que mais te chamou atenção nesse projeto? Justamente essa diferença. Quando um projeto me tira da zona de conforto, ele já desperta meu interesse. Por ser um suspense, o personagem vai se transformando aos poucos e acaba mergulhando na loucura que a trama propõe. Foi um desafio muito interessante de construir.

Você também está ligado ao projeto Ben-Hur. Como tem sido retornar ao universo das grandes produções de época e qual a expectativa para a estreia? É sempre especial. Produções de época exigem um nível de imersão muito grande porque você precisa compreender não só o personagem, mas todo o contexto daquele mundo que existiu. Estou muito animado e acredito que será um projeto que vai emocionar muita gente. O meu personagem, Barrabás, tem convicções muito fortes e um objetivo muito claro sobre aquilo em que acredita, o que torna a construção dele ainda mais interessante.

Sua trajetória reúne novelas, séries, realities e agora novos projetos no audiovisual. Em qual momento da carreira você acredita estar hoje? Acho que estou em um momento de expansão. Hoje me sinto mais seguro para fazer escolhas guiadas pelo propósito e pela qualidade dos projetos, e não apenas pela visibilidade. Tenho buscado trabalhos que me desafiem artisticamente e deixem alguma mensagem.

Depois de trabalhos tão distintos nos últimos anos, sente que os diretores passaram a enxergar novas possibilidades para você como ator? Sim, e isso é muito gratificante. Acho que, aos poucos, as pessoas vão entendendo que eu gosto de experimentar e que não quero ficar preso a um único perfil. Quanto mais diferentes forem os desafios, mais motivado eu fico.

Existe algum personagem recente que tenha provocado uma transformação pessoal ou profissional mais profunda? Todo personagem deixa alguma coisa, mas alguns acabam te obrigando a revisitar questões pessoais. Os que mais me transformam são justamente aqueles que me fazem olhar para minhas próprias vulnerabilidades e enxergar o mundo por perspectivas diferentes.

Ao olhar para seus projetos mais atuais, qual deles você acredita que vai surpreender mais o público e por quê? Acho que justamente os projetos que fogem daquilo que as pessoas esperam de mim. Gosto quando o público assiste a um trabalho e pensa: “Eu não imaginava ver o Juliano fazendo esse tipo de personagem”. Ainda este ano, vocês poderão me ver no filme 8 Segundos e na série Ben-Hur, dois projetos bem diferentes entre si e que mostram novas facetas do meu trabalho.

O que você aprendeu com a experiência de viver personagens históricos e de época que leva para seus trabalhos contemporâneos? Aprendi a importância da pesquisa e da escuta. Quando você interpreta alguém inserido em outro contexto histórico, entende que ninguém pode ser julgado apenas pela nossa visão atual. Isso me ajuda a construir personagens contemporâneos com mais profundidade e menos julgamento.

Quais são os próximos passos da sua carreira? Há algum projeto que já possa adiantar ou um tipo de personagem que está buscando neste momento? Tenho me aproximado cada vez mais do cinema, tanto como ator quanto como produtor. Também estou desenvolvendo alguns projetos autorais que me empolgam bastante e que, em breve, poderei compartilhar. Como ator, procuro personagens que me desafiem emocionalmente e que contem histórias capazes de provocar reflexão.

Está namorando? O que é preciso para te conquistar? Não estou namorando. E, para me conquistar, acho que não tem fórmula. Admiro muito pessoas com bom humor, autenticidade, valores sólidos e que saibam construir uma relação de forma leve. No fim das contas, a conexão verdadeira continua sendo o mais importante.

Fotos Rodrigo Lopes 

Produção de moda Samantha Szczerb

Agradecimentos Angelo Bertoni, Dois Maridos, Democrata e Oficina