CAPA: PAULO MENDES MOSTRANDO A QUE VEIO COM O SEU RAUL EM “TRÊS GRAÇAS”

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Com presença cada vez mais marcante na televisão brasileira, Paulo Mendes, de 21 anos, consolida sua trajetória com uma sequência de trabalhos de destaque. Após conquistar o público na série Os Outros e na novela Mania de Você, o ator vive um novo momento de projeção. Atualmente no ar em Dona Beja e também em Três Graças, onde interpreta o personagem Raul, Paulo reafirma sua versatilidade e consistência em papéis que exploram diferentes camadas dramáticas. Sua evolução artística evidencia um talento em ascensão, atento às nuances de cada personagem e cada vez mais presente no imaginário do público.

Paulo, como foi o seu primeiro contato com o projeto Três Graças e o que te motivou a aceitar o papel para interpretar Raul? Eu soube dos testes no final das gravações de Mania de Você e alguns meses depois acabei tendo a oportunidade. Sempre é do meu interesse trabalhar na Globo, com profissionais de primeira e com muito amor pela obra. Saber quem assinava a novela foi algo que me fez querer cada vez mais ir atrás desse papel. A densidade, incongruência do personagem e a mensagem que é passada para o público também foram motivos para que eu me interessasse cada vez mais.

Seu personagem tem muitas camadas emocionais. Como foi o processo de construção desse papel? É um jovem que vive com grandes vazios dentro dele, que ele acaba preenchendo com as drogas. Esse escape se torna vício e o vício se torna uma porta fechada com a chave perdida dentro de um quarto escuro. Quis trabalhar os extremos e a confusão em cena, quase como se fosse errado vê-lo ali. Ele não se encaixa e é exatamente sobre isso. Nisso eu vou me guiando com o que vou recebendo de texto.

Houve alguma cena particularmente desafiadora ou marcante durante as gravações? As cenas em que a Samira revela ser mãe do Raul e a conversa com a Arminda logo depois. Acho que me marcou muito pelo fato de que finalmente existiu um confronto sobre a história da vida dele. Ele tenta de tudo pra ser claro e entender o que está acontecendo, e isso era uma coisa que eu esperava há muito tempo. Uma linda cena, que recebi como um presente dos autores e direção no meu coração.

Com apenas 21 anos e uma sequência de ótimos personagens você se torna um destaque da nova geração. Imaginava isso para sua carreira? Como despertou para a dramaturgia? Eu nunca imaginei nada disso, mas quero ir cada vez mais fundo para melhorar sempre. Eu me apaixonei por esse trabalho, por essa arte, e isso foi aos poucos. Quando assisto a um filme, série, peça, seja lá o que for tocar meu coração numa manifestação artística, eu sinto que estou em casa, essa é a certeza que eu tenho agora. Estou vivo e vou aproveitar cada oportunidade que alguém quiser me dar para atuar.

O grande público conheceu você de fato com o problemático Rogério na série Os Outros. Como a série impactou sua carreira e a forma como o público te enxerga hoje? A série foi o meu primeiro trabalho no audiovisual e foi incrível. Hoje mesmo pensei em como Luisa Lima e Lucas Paraizo foram importantes pra minha vida, toda aquela trupe de Os Outros. Gi Fernandes, Antonio Haddad, Milhem Cortaz, Maeve Jinkings, Thomás Aquino e Adriana Esteves tem um lugar no meu coração para sempre. Todos eles tem. Muita gente me fala do Rogério, de como ele foi impactante. Eu não tinha noção nenhuma do que estava fazendo e é isso que eu sempre busco em todo o trabalho. O esquecer de que estou representando e apenas viver aquele momento com aquelas pessoas foi o que me fez quem sou agora.

Você costuma trazer algo pessoal para os personagens, alguma experiência ou referência própria? Sempre e isso é inevitável. Se eu não trouxer as coisas de mim, acaba não fazendo sentido do porquê fui escolhido para tal papel. Por mais que, na maioria das vezes até agora, eles sejam totalmente diferentes de mim eu literalmente empresto meu corpo pra dar vida aquele ser. É inevitável.

Qual a dinâmica com o elenco e o que mais te marcou nos bastidores até hoje? Eu lembro do primeiro dia de preparação com a Alana Cabral. Tava tão perdido, mas acho que estar ao lado dela me tranquilizava pelo menos por aquelas horas naquela sala. Estava apenas vivendo, sentindo.

Você tem se especializado em personagens problemáticos e densos. Isso foi algo desejado ou simplesmente foi acontecendo? Como isso te toca? Só foi acontecendo mesmo. Eu sou muito tranquilo e sempre fui o cara engraçado no teatro. O moleque que improvisava pra fazer graça e aí acabei nesses papéis dramáticos e densos. Acho que acontece porque é para ser assim e eu aproveito porque sempre será uma nova experiência. Meus ídolos são comediantes e tal qual a maioria deles eu também guardo grandes mágoas em que prefiro transformar numa piada. Então acessar esses lugares no mais puro e cru que aquela sensação poderia ter é desafiador.

O próximo personagem deseja que seja mais leve e divertido? (risos) Um dos meus grandes sonhos é fazer algo na comédia, mas isso só o futuro vai responder.

Fora das telas, quais projetos você tem vontade de explorar no cinema e nos palcos? Tenho muita vontade de fazer cinema, séries e continuar fazendo bastante novela. Preciso me manter vivo e a arte é uma injeção de adrenalina que é sempre bem vinda. Teatro… preciso bastante dele nos próximos anos. Quase fiz uma peça esse ano, mas a agenda não batia.

Onde recarrega suas baterias? O que curte fazer fora do ambiente de trabalho? Assistindo muito Dr. House e fazendo muitos exercícios físicos.

Você é um cara vaidoso? E como é sustentar esse cabelo de cacatua (como zoam com o Raul na Chacrinha) ao longo desses meses? (risos) Eu detesto esse cabelo, mas aprendi a conviver com ele. É como um outro ser andando comigo. Tem dias que ele escolhe estar bonito, outros dias não, mas geralmente eu só lavo ele e vivo minha vida mesmo. 

Que mensagem você espera que Raul deixe para o público? Drogas não são legais, crianças. Amem muito e não abandonem seus parceiros.

Fotos Márcio Farias

Stayling Samantha Szczerb

Beleza Igor Leite

Agradecimentos Ângelo Bertoni, Dois Maridos, Democrata

Locação @Portinhorj