CAPA: RUAN AGUIAR SE COLOCANDO EM RISCO

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ATOR REVELA AS MOTIVAÇÕES DA CARREIRA, O IMPACTO DE SEUS PERSONAGENS E O QUE PENSA SOBRE O FUTURO NA ATUAÇÃO

Por Ivan Reis / Fotos Chico Cerchiaro

Aos 26 anos, o ator Ruan Aguiar vem construindo uma trajetória sólida entre televisão, teatro e cinema, reunindo trabalhos em produções de destaque e ampliando cada vez mais seu espaço no audiovisual nacional. Entre seus personagens de maior repercussão está Merreca, de ‘Fuzuê’ (2023). O vilão da novela conquistou o público e representou um marco importante em sua carreira, abrindo caminho para novos desafios. Na televisão, Ruan também soma passagens por títulos como ‘Malhação’, ‘Amor de Mãe’, ‘Um Lugar ao Sol’, ‘Além da Ilusão’ e outros sucessos. 

Ruan Aguiar também viveu Esqueleto em ‘Os Donos do Jogo’, e se prepara para uma nova temporada da série da Netflix. O ator foi convidado para integrar o elenco de ‘Tudo por uma Segunda Chance’, a primeira novela vertical brasileira que já ultrapassa 150 milhões de visualizações nas redes sociais. Um projeto inovador que traduz uma nova forma de contar histórias. “O formato muda, o tempo muda, a tela muda, mas, pra mim, o essencial continua sendo a verdade da história”, afirmou Ruan que também participa de ‘A Nobreza do Amor’, nova novela de temática histórica da TV Globo. 

Nos palcos do teatro, ele já esteve em 18 espetáculos onde construiu versatilidade e repertório em sua trajetória. Nas telas do cinema, atuou em ‘Confia: Sonhos de Cria’ e em ‘Papagaios’, produção vencedora de quatro Kikitos no 53º Festival de Cinema de Gramado. Em entrevista exclusiva à MENSCH, o ator, que também é irmão do ex-BBB Arthur Aguiar, fala sobre o seu processo criativo, amadurecimento artístico, a rotina fora dos estúdios e o desejo constante de evoluir na profissão. 

Ser ator sempre foi um desejo profissional? Ser ator sempre foi uma condição de vida. É a forma que encontrei de reagir ao mundo e me relacionar com ele. Eu me sinto privilegiado por ter transformado isso em profissão e confesso que tenho grande desejo de viver do cinema. Estou empolgado com a estreia de Papagaios e desejo novos desafios para a minha carreira. 

Como foi viver seu primeiro personagem de repercussão nacional? O personagem nasce em um espaço íntimo e, de repente, chega ao público ganhando outras camadas, outras leituras, dividindo opiniões. O que mais me interessa são os debates e as reflexões que ele provoca.

Dos tipos que já viveu ao longo da carreira, o vilão Merreca, de ‘Fuzuê’ (2023), pode ser considerado o mais marcante? Que tipo de

amadurecimento artístico esse papel te proporcionou? Uma carreira se constrói de degrau em degrau — alguns mais visíveis que outros. O Merreca foi um deles. Uma grande oportunidade que agarrei com unhas e dentes. Fazer novela exige resistência: é um processo longo em que você precisa se manter vivo, sólido, criativo e incansável. Isso te amadurece como ator e como pessoa. O Merreca era um personagem muito bem escrito e dirigido, cheio de camadas e acredito que entregamos um personagem capaz de tudo. São esses personagens que eu busco na minha carreira. 

Após interpretar Esqueleto, em ‘Os donos do jogo’, o que muda no seu processo ao fazer uma participação especial em ‘A nobreza do amor’? Fiquei meses me preparando para o Esqueleto, pensando em cada detalhe da obra. Já na novela, tive menos de dois dias. Fiquei muito empolgado porque me colocou em um lugar de desafio. Tem sido um processo leve e muito prazeroso. Gosto da possibilidade de transitar por diferentes formatos e maneiras de trabalhar — isso me prepara para personagens cada vez mais complexos, que é o que eu quero.

Neste ano, você também participou de ‘Tudo por uma chance’, a primeira novela vertical brasileira. Acredita que esse formato pode crescer e ganhar espaço na dramaturgia? É mais uma forma de contar histórias e também de produzir e gerar trabalho. Como ator, me interessa experimentar diferentes linguagens e entender como cada uma se relaciona com o público. O formato muda, o tempo muda, a tela muda, mas, pra mim, o essencial continua sendo a verdade da história.

Por ser irmão do ator Arthur Aguiar, as comparações acontecem em alguns momentos. Como você lida com isso na construção da sua identidade como artista? Tenho dois irmãos, Arthur e Fausto, cada um com sua trajetória e desejo sucesso a ambos. No meu caso, estou interessado em construir uma identidade artística a partir das escolhas que faço e dos trabalhos que me desafiam.

No dia a dia das gravações, o que é mais importante para você? Um bom relacionamento com a equipe é fundamental. Nosso trabalho reúne muitos talentos, principalmente por trás das câmeras, e essa troca me enriquece muito. Dou prioridade ao descanso para estar bem fisicamente e, nos momentos de espera, procuro estudar as cenas. No set, busco estar totalmente presente.

Fora dos estúdios, o que faz para manter o corpo em dia? Gosta de praticar esportes? Faço musculação e também jogo futebol, que faz parte da minha rotina e não abro mão. Em algumas semanas, é o momento mais esperado e me ajuda a extravasar e me deixa leve. É o esporte mais presente na minha vida desde que me entendo por gente.

O que não para de tocar na sua playlist favorita? Eu escuto de tudo — samba, pagode, reggaeton, piseiro, forró, rap, MPB. Tenho escutado bastante João Gomes também. Sou bem eclético. Gosto muito de dançar, e isso faz parte do meu lazer.

Nas redes sociais, você compartilha momentos de trabalho incluindo bastidores e cenas do cotidiano. Qual a importância do universo digital para a sua carreira? Não vejo o universo digital como prioridade ou algo fundamental para a minha carreira. Encaro mais como uma janela de acesso ao público. Meu trabalho não é construído a partir disso, mas sigo presente e utilizando as redes.

O que te move como artista hoje? O que me move hoje é o incômodo. Não quero me repetir; quero me colocar em risco como ator. Busco personagens que atravessem as complexidades humanas, mas também aqueles que tragam leveza, e que permitam respirar. Tenho muitos desejos: quero contar histórias de amor, comédia romântica, suspense, tragédia, drama… Onde houver uma boa história, é onde eu quero estar.

E o que o público pode esperar de você nos próximos tempos? O público pode esperar alguém em movimento, fazendo escolhas com intenção e agarrando cada oportunidade porque, pra mim, o desafio é sempre o próximo.