CARREIRA: ARTHUR SALLES, DE MODELO INTERNACIONAL A ATOR

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Arthur Salles (@arthursales) é daqueles nomes que provam que o acaso pode ser apenas o ponto de partida para uma trajetória extraordinária. Descoberto ainda na adolescência, em Recife, o pernambucano transformou uma oportunidade inesperada em uma carreira internacional de sucesso, conquistando espaço nas principais capitais da moda e trabalhando para algumas das mais prestigiadas grifes e publicações do mundo. Entre campanhas icônicas, desfiles, editoriais históricos e uma passagem pelo seleto grupo dos modelos mais reconhecidos do mercado global, Arthur construiu uma história marcada por disciplina, perseverança e constante reinvenção. Nesta entrevista, ele relembra os desafios do início da carreira, fala sobre os bastidores da moda internacional, sua transição para a atuação e compartilha a filosofia que o acompanha em cada novo passo: dedicação, fé e a certeza de que grandes resultados são fruto de consistência ao longo do tempo.

Aos 16 anos você caiu de paraquedas no mundo da moda e nunca mais saiu dele? Quais as dificuldades enfrentadas na época? Como as superou? Foi exatamente isso. Comecei por acaso, substituindo um modelo em um evento em Recife, e naquela mesma semana já tinha uma proposta de construir uma carreira internacional na mão. A maior dificuldade foi a adaptação, precisei mudar o corpo, parei o Jiu-jítsu que praticava, para emagrecer e perder massa magra, e tudo isso muito novo. O que me sustentou foi a organização e a disciplina que já tinha desde cedo. Sempre fui muito consciente das minhas responsabilidades, tanto com o corpo quanto com as finanças. Fui na força e na fé.

Qual foi a primeira proposta internacional que recebeu e que percebeu que estava no caminho certo? O convite para as temporadas de Milão foi o primeiro grande sinal. Tinha menos de 18 anos e fui para os desfiles com a mentalidade de “fico três meses, faço um dinheiro e volto.” Quando a temporada acabou, agências de várias partes da Europa já me chamavam para novas temporadas. Ali entendi que o que havia começado por acaso estava se tornando uma carreira de verdade.

Que mudanças de padrões exigidos pelo mercado da época caíram ao longo do tempo? Ou para modelos masculinos isso não chega a acontecer? No início era tudo muito rígido, medidas específicas, um padrão físico bastante fechado. Hoje o mercado evoluiu bastante nesse sentido, há mais espaço para diferentes biótipos e estilos. Quando comecei, precisei perder massa muscular para entrar nos padrões. Felizmente, o mercado foi abrindo a cabeça com o tempo.

O que de fato fez você trancar a faculdade de Direito poucos meses após ingressar no curso? Em algum momento se arrependeu? Recebi o convite para ir a Milão e não havia como recusar. Era uma oportunidade que eu sabia que não voltaria duas vezes. Tranquei sem muita hesitação. Arrependimento? Não. Mais tarde voltei ao Direito, fiz o curso de investimentos, busquei mais conhecimento no momento certo para mim. Acredito que cada coisa tem seu tempo, e aquela decisão me colocou em um caminho que jamais teria previsto.

Quais foram os primeiros trabalhos de destaque que contribuíram para impulsionar sua carreira internacional? O editorial com a Shakira para a Vanity Fair fotografado em Paris foi um momento especial logo no início. Mas o que realmente alavancou tudo foi a campanha da Dsquared2, fotografada nos Estados Unidos, Miami. A partir dali, as portas foram se abrindo de forma muito mais consistente na Europa e além.

Em que cidades europeias chegou a morar durante sua trajetória profissional que marcaram sua trajetória? Morei em Milão, Paris, Barcelona, Londres e Hamburgo. Cada uma delas me marcou de um jeito diferente. Paris pela elegância e pela exigência do mercado. Barcelona pela energia, culinária e jogava meu futevôlei nos tempos livres. Londres pela diversidade. Hamburgo por uma experiência mais intensa e focada na organização. Foram anos de muito aprendizado, viagens constantes, não sabia onde acordava as vezes e crescimento acelerado.

Qual era o principal objetivo profissional que buscava alcançar ao longo da carreira como modelo? Sente que conquistou seu espaço? Nova York sempre foi o grande objetivo. Sempre ouvi que seria o lugar mais difícil, mais competitivo, mas onde o mercado realmente reconhecia e remunerava bem o modelo. Quando cheguei lá e as coisas começaram a acontecer, especialmente após a edição especial da L’Officiel Hommes Paris, senti que sim, estava conquistando meu espaço. Entrar no Top 10 do ranking do Models.com dos modelos mais bem remunerados, foi uma confirmação disso.

A revista L’Officiel Paris foi um divisor de águas para sua projeção internacional? A que se deve isso? Com certeza. Foi ali que tudo ganhou outra escala. O diretor e fotógrafo da revista, após um editorial em Miami, decidiu fechar uma exclusividade comigo. Nos meses seguintes, fotografamos em Marrakesh, Paris e novamente em Miami, e saí com 200 páginas publicadas. A modelo que havia atingido essa marca foi a Gisele. Aquilo abriu portas para campanhas e desfiles em um nível que eu ainda estava construindo. Preparação e bênção, mesmo.

Quais grandes marcas e publicações fizeram parte do currículo que você tem orgulho de ter participado ao longo de sua carreira? São muitas. Dolce & Gabbana, Giorgio Armani, Versace, Ralph Lauren, Hugo Boss, Roberto Cavalli, Dsquared², Brunello Cucinelli, John Galliano, entre outras. Em publicações, GQ, Vanity Fair, L’Officiel e Vogue. Cada uma dessas marcas representa um capítulo importante. Tenho muito orgulho dessa trajetória, ela foi construída com muita dedicação, suor e muitos “nãos” antes dos “sins”.

O que motivou sua decisão de dar uma pausa na carreira de modelo em 2015 e iniciar uma nova trajetória profissional? Depois de realizar praticamente tudo que havia me proposto no mundo da moda, senti que precisava expandir. Sempre fui consciente de que a carreira de modelo seria efêmera, então quis usar o espaço que havia conquistado para me reinventar. Comecei a estudar música e teatro em Nova York, voltei ao Brasil, retomei a faculdade e fiz curso de investimentos. Uma nova carreira estava nascendo, a de ator. Estreei na televisão em Haja Coração (2016), entrei para a Trupe em Cena (oficina de atores) da Globo e estreei no teatro com Afora Isso em 2017. Depois vieram os papéis mais marcantes como Ícarus em Deus Salve o Rei (2018) e Felipe em Bom Sucesso (2019/2020), personagem fixo da novela e o mais significativo da minha trajetória como ator até hoje.

De Pernambuco para o mundo, percebeu algum tipo de preconceito? O mercado de moda internacional tem suas preferências e padrões historicamente muito fechados. Mas sempre acreditei que a melhor resposta para qualquer barreira é o trabalho e a consistência. Ser de Recife, do Nordeste, nunca foi um peso, foi sempre uma força. Minha base, minha identidade. Carrego isso comigo em qualquer lugar do mundo.

Quais os planos para um futuro próximo? Sigo dividindo minha vida entre Pernambuco e Nova York, que é onde meu coração e minha carreira se encontram. Acabei de voltar do Tennessee, onde filmei e fotografei uma campanha americana nas Great Smoky Mountains. Continuo ativo na moda, com projetos pela Ralph Lauren e Brunello Cucinelli, e sigo de olho em novos projetos na atuação. A vida segue me surpreendendo, e eu sigo aberto a tudo que Deus preparou. Como costumo dizer: dedicação, perseverança e fé. Os juros compostos assumem o comando.

Fotógrafo – Pedro Fonseca | @fonsecapedroo

Styling – Camila Sales | @camilla_sales

Assistente de Styling – Maria Luisa Lisboa | @lisboamarialuisa

Direção Criativa – Vito Albuquerque |@virtualvito

Agência – Amazing Model | @amazingmodel

Produção – Creative AMZ | @amzcreativemgmt