
A trajetória de Marco Túlio é marcada por uma virada corajosa e estratégica. Aos 29 anos, após quase uma década atuando como bancário em uma instituição financeira — período em que não se sentia realizado —, decidiu mudar de rumo para seguir um propósito que sempre esteve presente: comunicar, entreter e impactar pessoas.
Determinando-se a transformar talento em profissão, Marco apostou na criação de conteúdo digital, explorando seu carisma, sua habilidade de comunicação e sua formação em atuação. O que começou como uma mudança ousada rapidamente se consolidou em um projeto sólido. Hoje, soma mais de 17 milhões de seguidores nas redes sociais, resultado direto de dois pilares fundamentais: disciplina e estudo.
Desde o início, encarou sua jornada como um negócio. Manteve constância rigorosa na produção diária de conteúdo e investiu fortemente em qualificação — é formado em Administração, possui MBA em Marketing, certificação na área financeira, além de formação como ator e DRT. Paralelamente, aprofundou-se em estratégias digitais, métricas e engajamento, construindo um crescimento consistente e planejado que o levou a conquistar relevância em todo o país.


Você começou sua trajetória após alguns anos trabalhando como bancário. Em que momento percebeu que o YouTube poderia te proporcionar uma carreira sólida e não apenas um hobby? Iniciei minha carreira na internet aos 29 anos, depois de ter trabalhado por nove anos como bancário em uma instituição financeira, um lugar onde eu não estava feliz e não sentia que estava vivendo meu propósito. Sempre tive dentro de mim esse desejo de comunicar, de entreter, de alegrar as pessoas. Em determinado momento, percebi que precisava ter coragem para mudar. Foi quando decidi, de forma estratégica, focar na criação de conteúdo para as redes sociais, onde eu poderia explorar meus talentos — atuação, comunicação e carisma — e transformar isso em profissão.
Seu conteúdo conquistou milhões de seguidores ao longo dos anos. Qual você acredita que foi o diferencial que fez seu canal crescer tanto? Eu atribuo os mais de 17 milhões de seguidores, somando todas as redes, a dois fatores principais: trabalho e estudo. Desde o início, encarei isso como profissão. Sempre tive disciplina e constância — produzia conteúdo todos os dias, sem parar, porque realmente queria que desse certo. O segundo ponto é o estudo. Eu sou formado em Administração, com MBA em Marketing e certificação na área financeira, mas decidi ir além: me especializei em atuação, fiz formação de atores por dois anos, tirei meu DRT e também estudei profundamente métricas, engajamento e estratégias para cada plataforma. Nada foi por acaso — tudo foi planejado. Acredito que essa combinação foi essencial para alcançar um público em nível nacional.
Como foi fazer essa mudança de carreira, de gerente bancário para atuar na internet usando sua experiência financeira para abordar negócios? Eu fui muito feliz na minha carreira no banco. Foram nove anos de aprendizado intenso, onde conquistei coisas importantes, como meu primeiro apartamento, mas, principalmente, experiência de vida. O banco me ensinou a lidar com todos os tipos de pessoas, de diferentes realidades, e isso foi fundamental para minha comunicação hoje. Ao mesmo tempo, eu estava me afastando da minha essência — daquele menino artista, extrovertido, que gosta de interpretar, dançar e criar. Em 2021, percebi que tinha perdido o brilho. Foi quando decidi sair e seguir o que meu coração dizia. A partir daí, mergulhei nos estudos sobre redes sociais e atuação, testei diferentes formatos de conteúdo até encontrar minha identidade. E sigo testando até hoje, porque a internet exige reinvenção constante.

Em suas palestras e entrevistas você sempre fala da importância da educação financeira. Acredita que é aí que muitos negócios e empresários se perdem? Sem dúvida. Vivemos em um país onde a educação financeira ainda não é prioridade — nem nas escolas, nem dentro de casa. E isso deveria ser básico. Eu tive o privilégio de crescer com essa consciência e também de me formar em Administração pela Universidade Federal de Uberlândia, além da experiência prática no banco. Vi de perto muitas pessoas endividadas, especialmente por falta de controle com o consumo. Isso destrói não só finanças, mas também relacionamentos e sonhos. Nos negócios, não é diferente. Muitos empreendedores começam sem planejamento, sem capital de giro, sem estrutura. Empreender exige consciência financeira, visão de longo prazo e organização. Sem isso, as chances de dar errado são muito grandes.
Você defende muito que influenciadores devem estudar e ter visão de sociedade. Qual o maior obstáculo nisso? O maior desafio é entender o tamanho da responsabilidade que temos. Influenciadores impactam vidas, formam opiniões e influenciam decisões. Por isso, é fundamental ter consciência sobre o que se fala e o que se promove. Não precisa ser um especialista em tudo, mas é importante ter uma visão geral do contexto social em que estamos inseridos. As pessoas confiam na gente — e isso exige responsabilidade, estudo e cuidado com as mensagens que transmitimos.
Ao longo da sua carreira, como você lidou com a pressão da exposição e com as críticas nas redes sociais? Sempre fui muito focado e, felizmente, tive poucos haters ao longo da minha trajetória. Entendo que comentários negativos e desrespeitosos dizem muito mais sobre quem escreve do que sobre mim. Agora, quando a crítica é construtiva, eu escuto com atenção. Muitas vezes, ela traz aprendizados valiosos. Eu valorizo esse tipo de retorno e procuro evoluir a partir dele.


O mercado digital mudou muito desde que você começou. O que mais te surpreende nessa evolução e como você se adaptou a essas transformações? O marketing de influência é uma profissão relativamente nova e está em constante evolução. Hoje, já vemos uma estrutura mais consolidada, inclusive com regulamentações que antes nem existiam. O que mais me chama atenção é a velocidade das mudanças. O que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Por isso, estudar, analisar dados e testar formatos é essencial. Mas, acima de tudo, acredito que o segredo continua sendo a verdade. Produzir conteúdo com autenticidade, respeitando seus valores e o direcionamento das marcas. Um vídeo viral não garante o próximo, mas sempre traz aprendizados. Para 2026, vejo uma tendência clara: conteúdos mais orgânicos, menos produzidos, mais reais — que criem conexão e expectativa no público.
Empreendedorismo também faz parte da sua trajetória. Como você equilibra o lado criativo com o lado empresarial? Hoje tenho duas empresas: a Davi Representações Artísticas e a Davi Produções Audiovisuais. Ao mesmo tempo em que preciso criar, roteirizar e pensar em conteúdo, também lidero uma equipe e tomo decisões estratégicas. Não é simples equilibrar esses dois lados. Exige organização, disciplina e, principalmente, equilíbrio emocional. Também tem o desafio de trabalhar com pessoas próximas, como minha esposa, minha irmã e amigos. Saber separar o profissional do pessoal é fundamental. É um aprendizado constante.
Fora das câmeras, quem é o Marco Túlio? Quais hobbies e interesses fazem parte da sua rotina? É curioso, porque o que era meu hobby virou minha profissão. Então precisei encontrar novos interesses. Hoje, gosto muito de praticar atividade física — é o que me ajuda a desligar e manter o equilíbrio. Também adoro cantar, ir a shows e viajar. Essas experiências me enriquecem culturalmente e alimentam minha criatividade.

Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória até agora? Tive vários momentos especiais em que parei e pensei: “Será que isso é real?”. Um deles foi gravar um comercial de TV com a Ivete Sangalo para o McDonald’s — uma marca mundial. Foi uma experiência incrível, gravada no Rio de Janeiro, e eu sou muito fã dela. Outro momento marcante foi apresentar na arena da Festa do Peão de Barretos, em 2025, para milhares de pessoas, em uma ação com a Brahma. Sentir aquela energia, no universo sertanejo onde cresci, foi inesquecível.
Olhando para o futuro, quais são seus próximos sonhos e projetos que o público ainda não conhece? Meu foco principal continua sendo a criação de conteúdo — é minha base, meu negócio. Quero continuar surpreendendo o público com novos formatos, personagens e histórias com as quais as pessoas se identifiquem. Também pretendo mostrar mais da minha vida pessoal e continuar homenageando profissões, algo que faz muito sentido dentro da minha trajetória. Além disso, tenho o sonho de expandir para a TV e o streaming — seja apresentando um quadro ou atuando em uma série. Para isso, sigo estudando e me preparando. Acredito muito que, com dedicação e consistência, as oportunidades chegam — e quando chegarem estarei pronto.

Fotos Anderson Macedo


