Inquieta e cheia de projetos, Danni Suzuki está com tudo no streaming e na internet. Cada vez mais dedicada ao marketing digital e as diversas mídias que isso pode proporcionar, Danni está cada vez mais conectada. Gravou série para a Amazon, lançou programas no Instagram, palestrou no TEDx e ainda fez a estreia de seu canal no YouTube. Temos uma Danni cada vez mais digital e plugada nas novas ferramentas. Da nossa última conversa com Danni, em 2019, pra cá ainda teve a segunda temporada de “Arcanjo Renegado” (Globoplay), onde interpreta a capitã Luciana. Isso sem falar na produção de um documentário sobre crianças refugiadas. Ou seja, Suzuki está mais on do que nunca.

Danni, de nossa última capa (set/19) para cá, novos projetos e visual completamente diferente. Como foi essa mudança radical? Muita coisa mudou mesmo de lá para cá, tanto em mim quanto no mundo. Quem poderia imaginar naquela época que meses depois viveríamos uma pandemia que dura até hoje? Isso mudou completamente a vida de todos nós. Por aqui, me tornei mais tecnológica, aprendi muitas coisas novas na área do marketing digital, fiz muitos cursos on-line, consegui acompanhar ainda mais de perto a rotina do Kauai, a escola. E apesar de muitos projetos terem sido adiados, consegui continuar produzindo muito. Fiz uma nova palestra pro TEDx, só que on-line, desenvolvi alguns programas ao vivo pelo Instagram, que foi muito divertido também, e pude lançar meu canal de YouTube. E ainda consegui estar presente nos sets de filmagem rodando a série “Desjuntados” para a Amazon, no Uruguai. Foi uma experiência muito rica: além de trabalhar em outro país, com uma equipe diferente, também conheci uma nova cultura e um novo país. Amei o Uruguai. Foi para esse trabalho que mudei o cabelo, aliás, e fiquei loira.

Nesse meio tempo veio a série Arcanjo Renegado (Globoplay). Como foi participar desse projeto e abordar temas mais pesados (e reais)? Eu aprendi muito com a capitã Luciana. Passei por um treinamento tático com o Major Blaz e o Major Luciano, que já foram do Bope. Era tudo muito intenso, tanto que às vezes eu terminava o dia sem conseguir andar direito de tanta dor nas pernas (risos). Fiz um treinamento também para aprender a atirar em Los Angeles, com o Taran Butler, que me ajudou muito na série. Acompanhei o trabalho da tenente Priscila, que me mostrou como é o trabalho de uma mulher em posição de comando em uma instituição ainda dominada por homens. Acompanhar de perto o trabalho dos policiais me fez admirar mais ainda as pessoas que se arriscam para nos proteger todos os dias.

Já que estamos falando de trabalho… como foi gravar no Uruguai a série Desjuntados, da Amazon? O que pode nos adiantar desse trabalho? Ainda não posso adiantar quase nada (risos). Mas logo, logo, vocês poderão conferir o trabalho. O que dá para dizer é que a série vai ser bem divertida. Ela foi criada pelas nossas queridas Dani Valente e Mina Nercessian, que além de escritoras são atrizes e extremamente talentosas. Um elenco delicioso e com a direção delicada da Anne Guimarães. Trabalhar no Uruguai foi muito especial. Conviver com uma equipe de filmagem de outro país agrega muito ao trabalho, você ganha uma outra perspectiva. Um timão muito profissional e alegre. Me senti muito segura durante as gravações. Eu adorei a experiência e também o país. Quero voltar outras vezes, ao Uruguai.

Isso sem falar do documentário sobre crianças refugiadas S.O.S. Crianças Refugiadas. Como surgiu a ideia para esse documentário e como ele está sendo enriquecedor para você? Eu acho muito importante sempre ter um olhar sobre a infância, sobre as crianças. Elas são o futuro da humanidade. As crianças refugiadas, em especial, sofrem um impacto muito grande pela ruptura brusca com seus lares, de sua terra natal e em grande parte, a ruptura com suas famílias. Temos que olhar com mais carinho ainda para elas, para a vida delas e sua realidade. O documentário é para mostrar a visão delas do novo mundo em que elas se encontram e despertar, assim, a empatia em nós. São vozes que precisamos muito escutar, para pensar o futuro.

O fato de ser mãe te toca, de forma diferente, ao ouvir e acompanhar essas histórias de vida? Acho que a maternidade me fez amadurecer e ficar atenta à importância da infância. Me faz pensar o tipo de mundo que quero apresentar para o meu filho para que ele se torne um ser humano construtivo para a humanidade. Isso me instiga a mudar, a melhorar como ser humano. Acho importante meu filho saber que o mundo é muito maior que o quintal da casa dele e que cabe a ele também transformar a sociedade. Já percebo que a nova geração tem uma consciência empática e uma personalidade mais livre e curiosa, com uma disponibilidade muito grande para ajudar o próximo, pensar em soluções. Isso é muito importante para mudarmos o mundo. Já é uma mentalidade diferente.

Foi a partir desse documentário que surgiu a ideia para o projeto Mi Casa, Tu Casa? O projeto visa arrecadar doações para construir 13 armários-bibliotecas para os refugiados e migrantes que estão em Roraima. Quais os maiores desafios nisso tudo? E quais as maiores conquistas? O projeto é iniciativa do Jornal Joca. Tivemos uma reunião sobre a importância das crianças terem acesso ao jornal e enfatizei que gostaria que fosse desenvolvido algo para as crianças refugiadas. E o Jornal Joca e o Edgar, um grande parceiro meu na causa do refúgio, desenvolveram o “Mi Casa, Tu Casa”. Me disponibilizei a dirigir um vídeo para divulgação. O maior desafio, eu acho, é integrar os refugiados, acolhê-los, mostrar que aqui também é a casa deles, fazê-los se sentirem em casa. Dar a oportunidade de ter acesso à educação e a tudo que eles têm direito. Porque não é fácil você chegar em um país em situação de refúgio, deixando tudo para trás. Quando conseguimos isso, é a melhor sensação do mundo. Mostrar para essas pessoas que há esperança no futuro, possibilidade de recomeço.

Tudo isso representa uma Danni mais madura e ciente do seu papel de cidadã? Pensou “Chegou a hora de fazer algo por alguém que precisa de uma melhor condição de vida?” Como tudo isso te toca? Sempre fez parte da minha vida essa ideia de retribuir ao mundo. Tenho consciência de que não vivo aqui neste planeta sozinha e que precisamos uns dos outros. O mundo já existia antes de cada um de nós e vai continuar existindo depois. Me questiono sempre sobre como posso contribuir para que minha vida aqui possa impactar em transformações no mundo. E o envolvimento em trabalhos sociais deveria ser um hábito de todos. Gosto de pesquisar sobre o comportamento humano, é algo que me fascina. Eu acho mesmo que a gente é agente de mudança, e isso me move a agir.

Danni, e como cada um pode ajudar? E que dica daria para quem quer iniciar algum projeto que ajude pessoas? Acho importante encontrar causas que também façam sentido para a pessoa, buscar organizações sérias e transparentes. Eu, em particular, prefiro me conectar a projetos de longo prazo que ajudam a pessoa a se fortalecer para que ela possa seguir por si só. Se puder estar presente em campo é a melhor experiência, ser voluntário e contribuir com sua presença e habilidades, porque você compreende o que o outro realmente precisa. Mas caso não seja possível, ajudar com doação de recursos financeiros ou materiais para que o projeto seja executado. E exercer diariamente a solidariedade que seja em palavras, elogios, ideias… Há várias maneiras de ajudar o próximo.

Você acha importante (e complementar) pessoas públicas se engajarem em projetos sociais? Acha que isso tem um peso diferenciado para o resultado final? Eu acho que pessoas públicas possibilitam uma visibilidade maior para os projetos. Acho que são vistos como exemplo e referência de comportamento. Então, a responsabilidade é maior. Quanto mais conseguirmos unir pessoas por uma causa, maior será a corrente do bem.

Quando resolve parar um pouco, dar uma pausa de tudo, como e onde  costuma recarregar suas baterias? No mar, sem dúvidas. O surfe me traz uma energia muito grande. Sempre que consigo, surfo de manhã cedo e sinto que meu dia ganha um ar diferente. Esse momento de conexão com meu corpo, com a água, esse momento de me ouvir. A yoga também representa isso para mim. É uma atividade que me faz focar a atenção, me energiza e me deixa renovada. Assim como meditar muda minha respiração e meu dia. Estar com Kauai também me transporta para outro mundo, um universo paralelo.

O que te inspira e coloca um sorriso no rosto? O Kauai sempre. Ele deu outro sentido para minha vida. Kauai é um menino muito gentil, curioso, criativo, empático… Ver a maneira como ele olha o mundo, com esse ar de novidade, me traz frescor, me faz perceber que nada sei, me faz querer ver o mundo mais equilibrado.

E o que podem fazer por você? O que gostaria que viesse de fora para deixar você mais feliz, realizada…? Realmente acredito que a nossa felicidade só cabe a nós mesmos. Quando delegamos essa responsabilidade para outra pessoa, ficamos muito suscetíveis ao outro, às opiniões alheias, à presença do outro. Então, eu busco as coisas que me deixam feliz e realizada. Seja ir atrás de um trabalho, ou fazer um primeiro movimento se estou interessada em alguém… Não fico esperando que as coisas cheguem até mim.

Fama, sucesso, beleza… Tudo isso passa e o que fica de real? Já percebeu isso em sua vida? O que fica de real são os amigos, a família, os afetos, as relações que crio no meu trabalho e na minha vida pessoal… O que fica é a história que a gente construiu. Tenho muito orgulho da vida que Deus me deu e da história que estou trilhando. Viveria tudo igual um milhão de vezes.

Hoje em dia você se recusa a quê? (Seja no trabalho ou vida pessoal) Acho que estou mais consciente do que me faz bem. No trabalho, se é um projeto que não acho tão interessante, eu explico que não combina agora comigo e agradeço, mas sempre deixando as portas abertas. Não é uma recusa, é uma ponderação sobre mim, sobre o que me faz bem. E muitas vezes preciso fazer duras escolhas, abrir mão de coisas maravilhosas para me arriscar.  Escolher, por exemplo, entre dirigir ou atuar às vezes me divide, mas explorar novos horizontes, por fim, me amplia em todas as áreas. Acho que a gente tem que se sentir mais livre para tomar as rédeas da própria vida, para escolher. Às vezes, algo de que a gente abre mão aqui, pode voltar ali na frente de uma maneira ainda mais positiva. São escolhas. Escolher, nunca é fácil. Afinal, cada escolha, é uma renúncia. Mas a vida é feita de escolhas, então, não tem jeito.

Para conquistar Danni, basta…Ter um bom caráter, leveza, bom humor e ser companheiro. Essas coisas fazem toda a diferença.

E o que ainda vem por aí que pode nos adiantar? Eu rodei a série “Desjuntados”, que deve estrear em breve na Amazon. No dia 9 de setembro estreia o longa “Um Casal Inseparável”, do Sergio Goldenberg, nos cinemas. Estou reservada para uma série sobre o sociólogo Betinho, do Globoplay. Acabei de lançar meu canal do Youtube, “Meu DNA de Família”, que era um sonho antigo. Um canal para falar de comportamento, inteligência emocional, física quântica. Estou editando meu documentário, “S.Ó.S”. Fui jurada da semifinal do Emmy Internacional, grande prêmio de TV norte-americano, em que competem obras do mundo todo. Foi muito especial participar. E estou com um outro projeto que é meu grande projeto de vida, mas que não posso contar ainda (risos). Mas em breve vocês saberão.