Em eterna metamorfose, a nossa estrela de capa Isabella Santoni tem sido isso ao longo dos últimos anos. Se descobrindo com atriz, surfista e empreendedora. Aos 25 anos, algumas novelas e filmes no currículo, assim como todo mundo ela foi pega de surpresa com o isolamento social e antes que pirasse resolveu se dedicar a outras tarefas. Entrou fundo na meditação, fez cursos, procurou se autodescobrir ainda mais e enquanto não volta a gravar (vem série e filme por ai) tem participado de novos projetos. Em breve vamos poder conferir Isabella nos cinemas, com o filme “Missão Cupido” e na websérie “Quarentenados” (@quarentenadostv), que estreia hoje (21/06). E para recarregar as energias, muito surf! Para nossa sorte conseguimos algum tempo para esse ensaio fotográfico via vídeo chamada, o primeiro e único de Isabella até agora. E pelo resultado, valeu cada minuto de pose!

Isabella, da época de “Malhação” (2014), seu primeiro grande trabalho na TV, até hoje muita coisa aconteceu. Quais os grandes destaques ao longo desses anos? Profissionalmente falando, passei por muitos desafios, como quando fui escalada, com tão pouca experiência, para uma personagem muito densa em pleno horário nobre. Sofri muitas críticas e isso foi muito importante para meu crescimento profissional. Não me deixei abalar, muito pelo contrário, fui estudar e me dedicar ainda mais aquilo que escolhi para ser minha profissão. Nesse meio tempo fiz teatro, fiz outras novelas, fiz cinema e estou em constante aprendizado. Não quero nunca parar de estudar, não quero nunca ter o sentimento de que “aprendi tudo”. Gosto de estar em constante evolução. Na vida pessoal, de 2014 para cá passei por muitas mudanças. Ter uma vida pública me trouxe uma maior responsabilidades aos meus posicionamentos. Outra grande mudança que ao meu ver me fez amadurecer também, foi que, aos 21 anos saí do Brasil pela primeira vez, e, desde então, já conheci 11 países diferentes, é enriquecedor conhecer outras culturas e outras realidades. Desbravar o mundo é uma grande paixão.

A canalha Laura, em “As Canalhas”, a mimada Letícia, em “A Lei do Amor” e a impetuosa Charlotte em “Orgulho & Paixão”. Três personagens bem diferentes. Como foi passar por cada uma delas? Foram construções maravilhosas, cada uma, deixa uma marca especial. As personagens vão nascendo e com elas, vou me transformando. A Laura me colocava em contato com meu lado mais sedutor, a Letícia com meu feminino mais vulnerável, a Charlotte com meu lado mais curioso e corajoso. Sempre quando um trabalho se inicia, tento colocar muito de mim na personagem, mas quando ele termina, percebo que levo muito da personagem para mim. É um troca constante e tiro sempre um aprendizado com elas.

O que te desafia em um novo trabalho? O que te motiva mais em querer fazer cada vez mais e melhor? Meu maior desafio é compreender a essência da personagem, entender seus valores e a forma como ela enxerga o mundo. O que mais me motiva é gerar identificação com o público, saber que as pessoas vão se enxergar nela, refletindo sobre si ao mesmo tempo que assistem.

No cinema este ano você vem com Rita em “Missão Cupido”. Segundo trabalho no cinema. O ritmo é muito desafiador para você? Como foi participar desse longa? O ritmo do cinema é bem diferente da televisão, como é uma obra fechada, já sabemos o final, o que torna a construção dos personagens diferente também, você já sabe o destino dele. Esse filme foi muito divertido de fazer! É uma comédia romântica surrealista, os personagens se transformam em HQ, foi uma experiência única e incrível. Estamos na maior expectativa por essa estreia!

A beleza ou tipo físico já atrapalhou em algum momento? Não lembro disso já ter sido um problema. Acho que a beleza não pode ser um fardo porque é algo muito raso e subjetivo. O ator tem que se propor a abrir mão de qualquer tipo de vaidade para dar vida a uma personagem, eu não tenho o menor problema com isso. A beleza não sustenta um ator, só o trabalho e a dedicação conseguem esse feito.

Vida pública, beleza, carreira artística, mulher. Como lida com essas conexões, cobranças sociais e escolhas pessoais? Lido da forma mais natural possível. Sou uma pessoa muito pé no chão. Nasci e cresci na Baixada do RJ, não tive nenhuma facilidade, tudo o que conquistei (e sigo batalhando) é fruto de muita dedicação e esforço. Só que sou uma pessoa demasiadamente exigente comigo mesma, quero abraçar o mundo, cuidar do planeta… Ainda estou procurando um equilíbrio em mim, me permitindo ficar em silêncio, parar um pouco sabe? Tenho valorizado muito esse momento só meu, esse autoconhecimento.

Como usa redes sociais? Como separa o que “postável” do que é pessoal? Acho que a palavra chave é responsabilidade. A rede social, ao longo dos anos, se tornou uma ferramenta extremamente poderosa e todos precisam ter muita responsabilidade com o que se posta. Tenho que saber que o que posto, poderá influenciar quase 10 milhões de pessoas, entre elas, muitos jovens que se identificam comigo, por isso, procuro usar essa ferramenta da forma mais positiva, responsável e agregar ao máximo. Não uso a rede social apenas para mostrar fotos e poses lindas, a uso para me posicionar com assuntos que eu julgo importantes e dar voz a causas que eu realmente acredito. E poder influenciar positivamente as pessoas me deixa extremamente feliz. Procuro também dividir meus momentos, não só os alegres, mas minhas angústias e dores também, acho que isso me torna mais próxima de quem me segue. Traz uma conexão muito importante para mim.

A paixão pelo surf e mar já existia ou surgiu por conta de outra paixão? Conta aí… (risos) Surfar era um sonho desde criança, mas eu morava em Nova Iguaçu, bem longe do mar, então o contato era de veraneio. Quando passei a morar perto da praia, estava em um momento de preparação pessoal muito grande, de muita dedicação, logo depois comecei a trabalhar e o surf não era uma prioridade. Quando eu percebi que a vida profissional estava caminhando, percebendo também que podia me permitir momentos de pausa e conexão, comecei a correr atrás desse sonho que tinha ficado esquecido. Comecei a surfar em 2017 e logo no início, conheci o Caio. Falo sempre que minha vontade de surfar o atraiu. O conheci depois de ter começado e ele foi fundamental pra não desistir do esporte, que exige uma prática e dedicação muito grande. Peguei minha primeira onda sozinha na nossa primeira viagem juntos, no Algarve, em Portugal.

O que torna um homem interessante aos seus olhos? O que ele precisa ter e ser? Ele precisa ser companheiro, verdadeiro, carinhoso e leal.

Como você se descreveria em relação à vaidade? Não sou uma pessoa que valoriza a aparência, reconheço mais valor no ser do que no ter. Gosto de me cuidar e de sentir bem, minha vaidade é muito mais no cuidado interior do que no exterior. Isso pode até soar clichê, mas quem me conhece sabe que sou exatamente assim. Acho a beleza algo tão fugaz que não vejo sentido nesse valor tão grande que muitas pessoas dão a ela.

Qual seu pecado, digamos, favorito (e confessável)? A gula! Gosto muito de comer, culpa do meu signo! Sou taurina, (risos).

Enquanto a rotina de gravações não começar, o que tem feito para relaxar? Onde recarrega suas baterias? Agora que a prática de esporte no mar liberou, tenho ido surfar, o que me conecta muito com o momento presente e com a natureza. Antes disso, estava descobrindo outras conexões, aprendi a cozinhar e a leitura continua sendo um ótimo escape pra relaxar também.

Como tem ocupado o tempo durante essa quarentena? No início, fiquei com muito medo e isso mexeu bastante com minha rotina, meu sono, minha ansiedade… Me percebi outra pessoa e isso me gerou um desconforto enorme que me fez começar a estudar sobre inteligência emocional. Fiz alguns cursos e leituras e isso tem me transformado. Estou com novos hábitos, uma rotina da manhã, práticas de exercícios cognitivos, meditação, leituras diárias. Percebi os estímulos que eu estava me dando e mudei, buscando um autoconhecimento e uma perfomance maior. Tô com novas metas de trabalho, investindo meu tempo em treinar meu perfil empreendedor e tô fazendo uma websérie mesmo em plena quarentena! Me uni com uns amigos e num processo colaborativo, criamos a série “Quarentenados” (@quarentenadostv), estreia hoje (21/06)!! Tá sendo uma experiência de muito aprendizado.

Tem descoberto algo novo no meio de tudo isso? Meu lado empreendedor, tô muito motivada.

Como foi posar para essas fotos via celular? Foi o primeiro e único ensaio que fiz via celular até agora! Foi bem diferente essa dinâmica, confesso que um pouco desconfortável ficar se olhando enquanto fotografa. A Fernanda Garcia, fotografa, tornou o ensaio leve e descontraído. Adorei o resultado”

O que mais deseja fazer depois que o isolamento social passar? Depois de abraçar meus avós, ir na cachoeira! Estou com uma saudade imensa.

Quais os planos para esse resto de ano? Retomar as filmagens de uma série e de um longa que foram interrompidas por conta da pandemia, e, quem sabe, não vemos esse meu lado empreendedor lançando alguma novidade no verão?! (risos)

Para conquistar Isabella basta… Ser autêntico.

 

Fotos Fernanda Garcia / Styling Samantha Szczerb

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