Paloma Duarte, atualmente no ar em “Malhação – Toda Forma de Amar”, sempre se desafiou como atriz em seus mais de 30 anos de carreira. E, como uma das protagonistas da atual trama das 17h, não podia ser diferente. No papel de Ligia, médica e mãe adotiva de Nina, Paloma teve que se aprofundar nos dramas e dilemas de sua personagem para não julgá-la. “Eu, como atriz e mãe, tive que sentir esse medo e essa angústia, por isso, sou incapaz de julgar as reações da Ligia”, explica. Na vida pessoal, a atriz segue feliz e em harmonia com suas duas filhas mais velhas, seu marido, Bruno Ferrari, e Antônio, filho mais novo e fruto de seu atual casamento com Bruno. Conhecida também por sua forte opinião e posicionamento diante das injustiças, Paloma Duarte, seja como atriz ou cidadã engajada, segue encantando a todos. Prova disso, é este lindo ensaio de capa que fizemos para vocês!

Paloma, depois de 16 anos, você voltou à Globo no papel de Lígia na atual fase de “Malhação”. Como foi essa volta? Como surgiu o convite? O convite veio através do Adriano Melo que me chamou e disse: “Topa fazer uma novela pra falar de amor?”. Achei tão “na contra mão” de todo o cenário brasileiro que topei na hora! É muito bom pensar em falar de amor e empatia numa época de tanta intolerância.

Sua personagem é uma “mãe leoa” que briga pelos filhos. Você acha que algumas atitudes dela são questionáveis? Como você enxerga a Lígia? Onde ela erra e acerta? Ela é uma leoa, sim, mas também é uma trabalhadora e uma esposa. Ela viu a vida dela desmoronar, a adoção da filha entrar em questionamento na justiça e, para complicar mais, o filho começou a namorar a mãe biológica da filha dela. Eu, como atriz e mãe, tive que sentir esse medo e essa angústia, por isso, sou incapaz de julgar as reações da Ligia. O casamento dela acabou da pior maneira possível, numa traição, na falta de amizade e abandono. E ainda teve toda essa dose de realidade brasileira sendo discutida no hospital público onde ela trabalha. Tive que ampliar o peito pra dar conta da carga dramática dessa mulher.

Já se imaginou no lugar dela, de ter que brigar na justiça pela guarda de um filho? Como isso seria para você? É como eu disse. Não foi nada fácil viver isso em cena, que dirá na vida real.

Falando em filhos, você possui três. Como administrar tudo isso? Tranquilamente. As meninas já são praticamente adultas e tem suas vidas independentes. O Toni, claro, exige mais por estar com 3 anos, mas adoramos isso!

Aliás, como é Bruno como pai? Como vocês dividem as tarefas em família? O Bruno nasceu para ser pai! Ele é completamente apaixonado pelo filho e muito amigo e amoroso com minhas filhas. Dividimos com equilíbrio, pois gostamos muito da nossa vida em casa. Somos caseiros.

Qual dos dois é mais romântico ou mais racional? Nenhum de nós é romântico. Somos intensos, mas práticos.

Para um casal de atores onde o relacionamento é mais difícil? Acha que, nesse caso, ser anônimo tem suas vantagens? Eu e o Bruno lidamos muito bem com a nossa profissão, gostamos de assistir um ao outro. Acho que, a essa altura da vida, já nos acostumamos com a falta de anonimato.

Quem sofre mais com o assédio? Como administrar isso? Eu tenho alguns acordos comigo mesma que sempre respeito. Um deles é não tirar fotos na praia, mas peço desculpas e explico o porquê.

E quando sobra tempo só pra você, o que gosta fazer? Antonio, praia, séries e sono.

Qual a importância de um ator expor sua opinião política? Acha que isso influencia o público criando mais empatia ou antipatia? Estamos em uma era onde o artista virou expiação comunitária. E isso é muito triste! Acho muito importante o artista expressar seu posicionamento político, independente de trazer empatia ou antipatia. Acho o respeito fundamental, é preciso saber conversar com quem discorda de você. Fiz muito isso na época da eleição. Foi intenso porque as pessoas estão muito intolerantes, mas consegui me expressar com respeito e calma.

Essa intolerância em ouvir opiniões divergentes cria um muro entra as pessoas. Já percebeu muito isso? Como combater? Como já disse, com respeito e calma. Não adianta ser engajado e não ter tolerância com quem discorda de você. Isso acaba se tornando um desserviço. Não vamos conseguir combater a ignorância ou a agressão se não entendermos o cenários sob todas as perspectivas. É doído demais ver o Bolsonaro presidente, mas é fundamental entender a trajetória política e os maus hábitos da máquina que tornaram possível a eleição dele.


Feminismo, machismo… Existem exageros dos dois lados. Como combater isso? Como encontrar um equilíbrio? Apoio minhas manas sempre, mas sou bem tranquila. Nasci feminista! (risos). Saí de casa muito cedo, trabalho desde menina e sempre encarei ambientes tradicionalmente masculinos. Por uma questão de idade, o tema já era íntimo em mim. Não peguei esse movimento de redescoberta.

Você tem duas filhas, de 21 e 24 anos. Uma fase, hoje em dia, com muita opinião e desejo de expor ideias. Como as orienta sobre esses assuntos sem tolher a liberdade delas de tirar as próprias conclusões? Sempre incentivei que elas expusessem suas opiniões. Sou da turma da conversa, da abertura, da clareza. Não tenho paciência para indiretas, nem para ficar tentando entender o que o outro não quis falar. Quer mudar algo? Espera algo de alguém? Então se expresse, e de forma clara. Sou muito amorosa, mas sou prática.

O que te faz sorrir e o que te tira do sério? Meus filhos e qualquer manifestação voluntária de amor me fazem sorrir, sempre! A burrice me tira do sério.

Que assunto você prefere não emitir opinião? Por quê? Nenhum. Sou aberta e gosto de me comunicar.

Pra relaxar um bom… …tempo com Bruno, uma boa viagem.