
João Victor Gonçalves vive um dos momentos mais importantes de sua trajetória artística. Depois de conquistar espaço no teatro desde a infância, estrear no audiovisual com Mila no Multiverso e ampliar sua experiência no cinema, o jovem ator chegou ao horário nobre da TV Globo com um papel que rapidamente chamou a atenção do público e da crítica. Em Quem Ama Cuida, ele interpreta Mau Mau, personagem que protagoniza uma das tramas mais sensíveis da novela ao abordar conflitos familiares e temas de forte impacto social, dividindo cenas com nomes consagrados como Tony Ramos.
Nesta entrevista à MENSCH, João Victor fala sobre a emoção de estrear em uma produção de grande alcance, a construção de um personagem que tem emocionado milhares de espectadores, a influência do teatro em sua formação, os desafios de equilibrar carreira e redes sociais e os sonhos que alimentam sua caminhada. Com talento, maturidade e paixão pela arte, o ator revela por que acredita que o maior papel de um artista é emocionar e transformar a vida das pessoas por meio das histórias que conta.


Você estreou em horário nobre na TV Globo com um papel de destaque em Quem Ama Cuida. Como recebeu a notícia de que faria parte desse projeto e o que esse momento representa na sua carreira? Recebi a notícia por meio de uma ligação da Dani Ciminelli, nossa produtora de elenco. Foi uma grata surpresa, não esperava um convite como esse. Esse momento representa uma enorme oportunidade na minha carreira, a chance de mostrar para milhões de brasileiros quem é o João Victor, artista e ser humano.
Seu personagem, Mau Mau, logo caiu nas graças do público e da crítica. A que você atribui isso? A um texto bem escrito e à forma como escolhemos contar essa história. Na novela, parte das criações vem do próprio intérprete e da direção, além dos autores, e foi isso que fizemos!
Você está satisfeito com a trajetória do personagem, que traz uma história muito importante? Os embates com o avô têm trazido dramas muito reais e tocado o público. Como você tem recebido esse retorno? Estou muito satisfeito. Contar essa história da forma como estamos contando é uma grande honra. É uma narrativa verdadeira, extremamente verdadeira. E, todos os dias, tenho mais certeza de que estamos contando da melhor forma, pois recebo muitas mensagens de pessoas que se identificam com a história desse avô e desse neto.



Sua relação com a atuação começou muito cedo, aos nove anos, no teatro. O que despertou essa paixão pelas artes e quais aprendizados dessa fase você leva até hoje? Acho que é uma paixão que nasceu muito cedo. Desde os quatro anos, frequento peças de teatro, consumo novelas e, desde essa idade, gosto de criar personagens e imitar outros que já existem. Então, essa paixão sempre existiu. A arte me ensinou tudo o que eu sei. Ensinou-me disciplina, amor ao próximo, a vibrar positivamente e a entender que nossa maior vitória não está na nossa emoção, mas em poder emocionar o outro.
Antes da televisão, você já acumulava experiência nos palcos. De que forma o teatro contribuiu para a construção do ator que vemos atualmente? Em tudo. O teatro é a grande base da cena. O cinema e a TV são um teatro gravado. Tudo o que sei aprendi no palco.
Em Mila no Multiverso, você conquistou o público vivendo Vinicius durante duas temporadas. O que esse projeto significou para a sua formação artística e pessoal? Foi a minha primeira experiência em uma grande produção audiovisual e foi importantíssima para eu conhecer o espaço de um set de filmagem, entender a minha potência como artista e perceber que poderia ocupar esse lugar.


Você também transitou pelo cinema com Nicole – A Última Fome. O que mais gosta em cada linguagem: teatro, cinema e televisão? Sou apaixonado por todas as linguagens. O teatro é meu berço, minha casa, mas sou extremamente realizado fazendo televisão e cinema. Meu maior sonho é poder fazer cinema de segunda a sexta e teatro aos sábados e domingos!
Sua estreia na Globo acontece em um momento de crescimento da carreira. Existe uma responsabilidade maior quando se entra em uma novela de horário nobre? Como você lida com essa expectativa? Olha, eu não sei se é uma responsabilidade maior, porque não passei pelas outras ainda (risos), mas te garanto que é uma ENORME responsabilidade interpretar um personagem tão importante em uma novela de horário nobre e contar uma história tão relevante.

Além da atuação, você mantém uma presença bastante ativa nas redes sociais e tem uma comunidade muito engajada. Como faz para equilibrar a exposição digital com a vida pessoal e a profissão? É um processo interessante. Vou acertando e errando até entender qual é a melhor forma de me posicionar sem interferir na minha vida pessoal. Sempre tento aproximar o meu público da minha carreira, pois é algo que o João mais novo gostaria de ter visto em outros artistas.
Você pertence a uma nova geração de atores que já cresce conectada ao universo digital. Como acredita que as redes sociais podem contribuir para a carreira de um artista sem tirar o foco do trabalho? Acho que a internet é uma grande aliada e também uma vilã. Com as redes, podemos acessar produtores de todo o Brasil e do mundo, mas, ao mesmo tempo, essa necessidade de presença constante nas redes traz dificuldades para artistas incríveis que não têm familiaridade com esse formato.
Quais são as maiores inspirações da sua trajetória? Há algum ator ou diretor com quem sonha trabalhar no futuro? Sou muito fã dos artistas brasileiros e, por uma grande sorte, na novela estou ao lado de grande parte desses atores. Tony Ramos, Antônio Fagundes, Letícia Colin e Mariana Ximenes, por exemplo, eram nomes com os quais eu sonhava trabalhar e estou realizando esse sonho. Mas tenho muitos outros nomes, como Wagner Moura, Esmir Filho, Kleber Mendonça Filho e por aí vai.

Ainda muito jovem, você já reúne experiências importantes no teatro, no streaming, no cinema e agora na televisão aberta. Quais são seus principais objetivos para os próximos anos e que tipo de personagem ainda sonha interpretar? Meus objetivos são simples: continuar conquistando espaço e reconhecimento no mercado e poder assumir um personagem após o outro, construindo uma carreira consolidada. Meu sonho é poder continuar contando histórias, sejam elas quais forem!
E como é atuar ao lado de um mestre como Tony Ramos? É uma aula de atuação e humanidade. Somos muito parceiros em cena e temos um espaço de escuta gigante, em que juntos criamos e vivemos essa história. O Tony, além de ser um grande artista, é uma pessoa incrível, de um coração impecável.
Até onde você espera que esse personagem, Mau Mau, te leve? Quero que o Mau Mau me leve para dentro da casa de milhões de pessoas que sofrem como ele dentro de casa, para que elas saibam que não estão sozinhas. Se, ao fim da novela, eu souber que pude mudar a realidade de algumas pessoas, estarei feliz. O resto, em relação à minha carreira, vem como consequência!

Fotos Guilherme Lima
Styling Samanth Szczerb
Beleza Zuh Ribeiro
Agradecimentos Amil Confecções, Dois Maridos
Locação @9casabela


