Marcos Veras já é um velho conhecido nosso. Nosso primeiro papo com ele foi em 2014, depois em 2015 Veras foi nossa capa impressa #13. Época em que sua carreira dava uma guinada grande com filmes nas telonas e sua estreia nas novelas da Globo. De lá pra cá muita coisa aconteceu, novos projetos, filmes, e no meio dessa pandemia veio seu primeiro filho, Davi. Mas Marcos segue ainda mais radiante com seu novo papel, o de pai, e cheio de empolgação (e alto astral de sempre) para os novos desafios. “Estou escrevendo o roteiro de um longa, tem projeto de programa, podcast, peça de teatro. Projetos não faltam”, completou ele ao fim da nossa entrevista. Estamos na expectativa. E que venha muito Veras por aí!

Marcos, estamos num momento de restrições por conta da pandemia o que nos leva a pensar e sermos mais criativos. Para você que é um cara agitado não deve ser fácil. Como manter a mente ativa e positiva no meio disso tudo? É bastante difícil se manter positivo e criativo diante de tanta tristeza. Esse é um momento muito ruim para o mundo todo, no Brasil em especial. Mas venho me agarrando cada vez mais a minha família, curto 24 horas por dia meu filho. Ele me faz ter esperança e tento manter a mente ligada no meu trabalho também. Vejo séries, filmes, leio, escrevo. 

E foi justamente no meio dessa loucura que veio o nascimento do seu filho Davi em pleno Dia dos Pais. Que baita presente heim?! Olhando com mais calma agora, como foi esse turbilhão de emoções? Foi a experiência mais linda da minha vida. Um nascimento no meio de tantas mortes é muito forte. Estávamos apreensivos aqui em casa, com medo. Mas nos agarramos no amor e na fé. E Davi veio em pleno Dia dos Pais, saudável e feliz. Fomos para a maternidade na hora que estavam reprisando na Globo o programa “Tamanho Família” onde participei com minha mãe, irmão e prima, foi muito simbólico tudo. E ali do dia do nascimento dele as emoções só se multiplicam a cada dia. 

Ter um filho muda a perspectiva de mundo e nossas responsabilidades diante dele. Como isso te toucou/toca? Me toca todos os dias ser pai. Eu amo. É uma mistura de sentimentos, todas com o amor de protagonista. Mas tem também medo, um senso de responsabilidade enorme, insegurança criar um ser humaninho já era desafiador, no mundo e no momento em que vivemos o desafio é muito maior. Como criá-lo num mundo cada vez mais egoísta e raivoso? Para onde estamos indo? Mas ao mesmo tempo a criança significa esperança também. Então nessa confusão de sentimentos vem também a sensação de que o mundo vai mudar, vai ser mais justo, menos desigual. E as crianças e jovens tem a ver com isso. Espero estar aqui para presenciar parte desse mundo novo e melhor. 

Ser pai aos 40 traz mais segurança? Mais maturidade requer mais responsabilidades? Sem dúvida. Sinto que fui pai na hora certa. Hoje me sinto maduro, mais tranquilo. Trabalho com que amo. Me sinto bem de saúde e pronto para esse momento tão gostoso que é a paternidade. E sim, as responsabilidades aumentam. Os gastos mudam, os cuidados com a saúde se intensificam. Tudo muda. Ainda bem. 

Que pai deseja ser e que filhos quer criar? Quero ser um pai que ensina, mas que também aprenda. Ele só tem 7 meses e já aprendi muito com ele. Fico imaginando ele crescendo e esse aprendizado, essa troca aumentando. Quero conversar, ouvi-lo. E principalmente respeita-lo em suas escolhas. 

Fora o pequeno Davi, outros “filhos” seus estão indo pro mundo. No caso falamos dos seus trabalhos no cinema e TV. Como tem sido essa volta ou recomeço do trabalho depois de um período de longa pausa? Estou morrendo de saudade dos estúdios, dos sets de filmagem. Atualmente estão sendo lançados trabalhos que já estavam gravados. Como por exemplo a série “Filhas de Eva” que está um sucesso no GloboPlay e foi gravada há mais de 1 ano, quando achávamos que a pandemia era algo só lá na China. Não tinham casos por aqui. Em setembro do ano passado conseguimos gravar uma temporada inédita da “Escolinha do Professor Raimundo” com todos os protocolos e deu tudo certo. O filme “O Filho Eterno” de 2016 entrou no catálogo da NetFlix e a impressão que tenho é que foi uma reestreia de tanta repercussão que está tendo. 

Um desses novos trabalhos é o filme “Um Casal Inseparável”, rodado início do ano passado e programado para estrear este semestre (nos corrija se estivermos errados). Como foi participar dessa comédia romântica que traz um pouco de leveza? Esse filme foi rodado em janeiro e fevereiro de 2020. Uma comédia romântica rodada no Rio de Janeiro com imagens lindas. Eu e Nathalia Dill protagonizamos. Vivemos um casal que vivem suas diferenças de uma maneira leve, mas com seus contratempos. Namorar alguém igual a você deve ser chato, né? Então esses dois são muito diferentes e por isso dão certo juntos, mesmo que demorem a enxergar isso. A ideia era lançar no cinema ainda esse ano, mas ainda é uma incógnita, porque dependemos de uma vida quase normal de volta. Acredito que as pessoas estarão loucas para voltarem a uma sala de cinema. Eu estou! 

Diria que o casal inseparável da vida real hoje é você e Rosanne? Deu “match” total em que momento? hahaha! Somos sim inseparáveis e diferentes um do outro. Rosanne é mais introspectiva que eu, mais tímida. E fazemos uma dupla, um casal que funciona muito bem juntos. A quarentena nos aproximou ainda mais e com a chegada do Davi o amor então, explodiu de felicidade. 

Ir do humor para a romance e para o drama deve ser um grande desafio do ator. E pelo seus últimos trabalhos você tem conseguido fazer isso. É um processo natural para você? Como isso te toca como ator? É o que mais me atrai no ofício de ator. A multiplicidade de gêneros. Sempre busquei essa versatilidade na carreira e venho conseguindo mostrar e praticar isso com os trabalhos. Se eu puder sempre revezar entre a comédia, drama, apresentar um programa, fazer um filme, depois uma novela ou série, aí fico feliz demais. E isso está cada vez mais natural para mim. 

Para o lado mais dramático temos sua participação na série “Filhas de Eva” onde você interpreta um jornalista. O que esse trabalho te trouxe de novo? Qual o desafio dessa vez? Em “Filhas de Eva” faço um jornalista tímido, discreto. Um cara super profissional, mas que na vida pessoal não se joga muito. Até que o coração vai lá e prega uma peça nele, onde ele se vê num dilema entre a profissão e a paixão. Para mim foi muito rico o processo, porque acho que consegui fazer um trabalho minimalista, contido, mas ao mesmo tempo intenso. Completamente diferente dos últimos papéis. A direção do Léo Nogueira foi essencial nesse resultado. E a parceria com a Giovanna que é uma atriz incrível. 

O humor mais do que nunca é essencial hoje em dia com todos esses dramas da vida real que estamos vivendo. Como é o Marcos no dia a dia em relação a isso? Sempre teremos motivos para rir. Sei que está cada vez mais difícil, porém manter o humor e buscar motivos para rir é terapêutico. Seja vendo um filme leve, seja brincando com seu filho. A saúde mental é muito importante para seguir a vida nesse momento. Eu procuro não ver todas as notícias, apenas uma vez por dia para me informar. Não me faz bem saber de tudo e nem de todos os detalhes. É uma maneira de me resguardar, para não enlouquecer. 

O que te coloca um sorriso no rosto e te tira o humor? Meu filho, minha esposa, meus amigos me colocam muitos sorrisos no rosto. Levo a vida de maneira leve e bem humorada. E o que me tira o humor é sem dúvida esse governo e seus pares. 

Acredita que o humor acima de tudo é uma “arma” política e social? Com certeza. O humor não serve só para fazer rir. Humor também denuncia, faz pensar, coloca luz numa questão importante. Pode ser político sim. Humor é uma arma potente para se tocar em qualquer assunto. O próprio brasileiro consegue rir de si mesmo diante da desgraça. É uma característica nossa. 

Marcos, o Brasil é mesmo o país da piada pronta? O Brasil é uma potência mal utilizada. Somos grandes, temos riquezas, temos um povo talentoso e trabalhador, mas vivemos uma fase de descrença total. Uma fase raivosa, vingativa, bélica. Acho que o povo faz rir e ri para não enlouquecer. Tudo a gente acha graça, faz piada. É uma forma de viver, ou de sobreviver, mas seria muito bom a gente rir de outras coisas e não dá política ou pandemia, por exemplo.

Nosso último papo foi em 2015, na época você participava do programa de Fátima Bernardes, lançava o filme “Entre Abelhas” e se preparava para entrar na novela “Babilônia”. Como avalia aquele ano e sua carreira até aqui? Muita coisa aconteceu. Amadureci como artista e pessoa. Naquele ano de 2015 fiz muito cinema, nesse mesmo ano sai do programa “Encontro” para dedicar a outros trabalhos como ator. Foi uma época muita intensa da profissão. Hoje vejo que o caminho que venho percorrendo é tranquilo e bonito, sou feliz. 

No meio disso tudo, dá para planejar 2021? Se sim, o que vem por aí? Difícil porque toda hora os planos mudam, mas continuo tentando ser otimista para tentar colocar alguns projetos de pé ainda esse ano. Trabalho muito em casa, nunca fiz tanta reunião. Me sinto um executivo, mas acho que agora é o momento de plantar para colher já, já. Estou escrevendo o roteiro de um longa, tem projeto de programa, podcast, peça de teatro. Projetos não faltam. Falta a vacina para gente seguir a vida. 

Para encerrar… Para agradar Marcos Veras basta… Basta ser um cidadão de boa. Ah e me indicar um bom filme e um bom vinho.

Fotos Lúcio Luna

Styling Samantha Szczerb

Marcos veste Amil Confecções, Eduardo Guinle, Edu Bogosian e Foxton