CAPA: GUILHERME BERENGUER EM NOVA E NOVOS PROJETOS

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O ator Guilherme Berenguer construiu sua trajetória artística com talento, carisma e versatilidade. Revelado nacionalmente nos anos 2000 ao conquistar o público como Gustavo, na novela Malhação, tornou-se um dos rostos mais populares de sua geração. Com presença marcante em produções que dialogavam diretamente com o universo jovem, Guilherme equilibrou sensibilidade e intensidade em seus personagens, criando conexões genuínas com diferentes públicos. Ao longo da carreira, expandiu sua atuação para novos formatos e mercados, demonstrando maturidade artística e disposição para se reinventar — especialmente nesta nova fase, vivendo nos Estados Unidos e enxergando oportunidades além do Brasil. Seu trabalho mais recente em A Vida de Jó reforça essa evolução. Mais do que um galã de sua época, Guilherme Berenguer consolidou-se como um profissional dedicado, cuja trajetória reflete crescimento constante, paixão pela arte e uma relação autêntica com a audiência.

Você começou a carreira muito jovem e rapidamente se tornou um rosto conhecido do público. Como você enxerga hoje aquele início e o impacto da fama precoce na sua vida? Comecei muito jovem e, desde o início, entendi que a profissão de ator exigia disciplina, decisão e clareza. Foquei no que era realmente relevante para a carreira. A fama faz parte do processo, mas nunca foi o principal para mim. O reconhecimento é especial, claro, mas sempre encarei a fama como uma forma de retribuição ao carinho do público, da audiência e das fãs.

Seu papel em Malhação marcou uma geração. Que lembranças guarda dessa fase e como ela influenciou os próximos passos da sua trajetória? Ter participado de Malhação foi muito gratificante. Saber que marquei uma geração me deixa extremamente feliz. Tenho lembranças muito especiais dessa fase. Sinto que, de alguma forma, plantei uma semente de esperança nas pessoas, mostrando que é possível realizar sonhos. Até hoje recebo o carinho dos fãs, e isso é algo muito valioso.

Ao longo dos anos, você transitou entre novelas, séries e outros formatos. O que mudou na sua forma de escolher personagens? Eu avalio os projetos não necessariamente pelo formato, mas pelo personagem, pelo roteiro e pelo conjunto da obra. Com o amadurecimento, você passa a entender melhor quais histórias deseja contar e quais personagens quer viver. É isso que me inspira na hora de tomar decisões.

Existe algum personagem que tenha sido especialmente desafiador ou transformador para você? Por quê? Sem dúvida, o Gustavo, em Malhação, foi desafiador por ser meu primeiro trabalho na televisão. Exigiu dedicação intensa e grande disponibilidade artística. Já um personagem transformador foi Jó (em A Vida de Jó), um papel épico que aborda questionamentos profundos sobre justiça, fé, bem, mal, amizade e perda. Ele enfrenta tragédias intensas, como a perda dos filhos, e isso nos faz refletir sobre como pensamos, enxergamos o mundo e nos comportamos.

Você optou por morar fora do Brasil em determinado momento. O que motivou essa decisão e como essa experiência impactou sua vida pessoal e profissional? Foi um processo gradual, intencional e planejado. Sempre falei inglês e me senti conectado com o mercado internacional. Inicialmente, a motivação foi pessoal: eu queria viver um tempo mais dedicado à minha família, estava prestes a me tornar pai e queria estar mais presente com minha esposa. Profissionalmente, morar fora ampliou minha visão sobre a integração entre o mercado brasileiro e o internacional. Passei a entender melhor as novas mídias, os formatos e as possibilidades de me desafiar constantemente. Também despertou ainda mais meu lado empreendedor, um desejo que sempre esteve latente em mim.

A vivência em outro país mudou sua percepção sobre o mercado artístico brasileiro? Vejo de forma muito positiva. O artista brasileiro é extremamente competente, apaixonado e dedicado. Isso inspira. Especialmente em momentos de reconhecimento internacional do nosso audiovisual, percebemos que podemos ocupar espaços de excelência tanto no Brasil quanto fora dele. Somos multifacetados e temos capacidade de expandir para diferentes mercados.

A televisão brasileira passou por muitas transformações, com o crescimento do streaming e novas linguagens. Como você vê esse momento do audiovisual? Vejo de forma positiva. É fundamental nos abrirmos ao novo, às plataformas e formatos contemporâneos. Mas acredito que é igualmente importante valorizar o know-how e a profundidade técnica dos profissionais veteranos. A combinação entre experiência e inovação é poderosa — e quem ganha com isso é a audiência.

Em algum momento você pensou em seguir outro caminho profissional? Houve um “plano B”? Gosto de pensar em alternativas e desenvolver talentos complementares, mas não necessariamente em um plano B. Quando algo está alinhado ao seu propósito e à forma como você se enxerga, ele continua sendo um plano A. Para mim, sempre foi sobre integração, não substituição.

Como você lida hoje com a exposição nas redes sociais e a relação direta com os fãs? Eu venho de uma época em que o artista aparecia basicamente na TV, no cinema, no teatro ou em campanhas publicitárias. As redes sociais mudaram essa dinâmica. Aprendi a lidar com elas ao longo do tempo e gosto dessa interação direta com o público. É uma forma de manter proximidade e diálogo no dia a dia.

Quais aprendizados pessoais a carreira artística te trouxe? Trabalho em equipe, humildade, gratidão e respeito ao próximo. O drama nos ensina a compreender dores que muitas vezes não vivemos, mas que aprendemos a sentir e respeitar. Isso amplia nossa empatia e nosso senso crítico.

O que ainda falta realizar profissionalmente? Existe algum gênero ou tipo de personagem que você deseja interpretar? Gostaria de participar de um projeto internacional em inglês. Quem sabe interpretar um vilão? Seria um grande desafio — e eu adoro desafios.

Pode adiantar algo sobre projetos atuais ou futuros? Nos Estados Unidos, estou ativo e avaliando possibilidades tanto na TV quanto no cinema. No Brasil, dependendo do projeto, do personagem e do período, também há chances de trabalho ainda este ano.

Que conselho daria para jovens que sonham em seguir a profissão de ator? Sejam curiosos e mantenham sempre o desejo de aprender. Estudem constantemente e busquem entender o verdadeiro significado do ofício do ator. Procurem mentores, profissionais que já alcançaram os resultados que vocês desejam, e observem aqueles que admiram. E, acima de tudo, ocupem o seu espaço com dedicação e verdade.

Fotos Nanda Araujo

Produção executiva e styling Samantha Szczerb

Beleza Zuh Ribeiro

Assessoria Anamélia Caserta

Agradecimentos: Angelo Bertoni, Carol Rossato, Democrata, Dois Maridos e Oficina