Nossa estrela dessa semana, a atriz Claudia Ohana, atualmente em cartaz com o espetáculo musical Parabéns Sr. Presidente, onde interpreta a cantora lírica Maria Callas, tem razões de sobra para comemorar o ano de 2021. Só neste ano, a atriz completou 41 anos de carreira, celebrou os 30 anos da estreia de Vamp, onde interpretou a icônica vampira Natasha, e integrou o elenco da Super Dança dos Famosos no Domingão da TV Globo. Com uma das mais bem-sucedidas trajetórias no cinema e na televisão, Ohana protagonizou sua primeira novela em 1984 ao integrar o elenco de Amor com amor se paga, de Ivani Ribeiro, que estreou sua reprise no Canal Viva no último dia 15 de novembro.

Cláudia também é conhecida, principalmente, por seu trabalho na televisão, mas também interpretou papéis de destaque no cinema. Mais de dez anos depois de Erotique, de Ana Maria Magalhães –último filme da sequência de trabalhos no cinema iniciada na década de 80 – Cláudia Ohana voltou a aventurar-se brevemente nas telonas em 2005, com o curta-metragem Dolores, de Fábio Meira. Já em 2010, esteve em Desenrola, de Rosane Svartman, e, em 2011, filmou A novela das 8, longa de Odilon Rocha, lançado em 2012. Seu últimos longas exibidos nos cinemas foi Mais forte que o mundo, cinebiografia que conta a história do lutador José Aldo, no qual interpreta a mãe do lutador, Légua Tirana, onde interpreta uma cigana, e Nós Somos o Amanhã, filme musical que homenageia os anos 80. O segredo para tudo isso? Talvez a resposta para esta pergunta seja “…sei que busco sempre a felicidade, estar feliz e me sentir bem comigo mesma”, como a própria definiu ao longo da entrevista para a MENSCH.

Claudia, primeiramente um prazer em conversar com você novamente. É sempre muito bom. Duas capas MENSCH, a última em junho de 2019 na época em que você fazia Verão 90. De lá pra cá muita coisa aconteceu, inclusive uma pandemia. Como avalia esses últimos anos até aqui? Esses dois anos que passaram foram de muita reflexão. Ficar trancada em casa sem poder sair, sem nem poder ficar com a família, foi uma sensação meio apocalíptica. Mas eu acredito que aprendi muita coisa! Aprendi a cozinhar melhor, a trocar uma lâmpada e até emassar uma parede. E, sem dúvida, aprendi que a família é a coisa mais importante. Foram dois anos de simplicidade, de pé no chão, sem maquiagem e fazendo apenas trabalhos domésticos. Foi uma sensação de lutar pela sobrevivência. Também foi um ano de muita preocupação com as pessoas que eu amo. E isso me ensinou muito!

Você sempre passou a ideia de uma mulher forte, alto astral e com muita personalidade. É isso mesmo? De onde vem tudo isso? Sim, sou forte, alto astral, mas existe uma parte de mim que também é frágil e que, às vezes, se entristece, se sente vulnerável. E isso faz parte de ser humana.

Aliás, falar de alto astral, em relação a você, já é lugar comum. Conta pra gente, onde recarrega suas energias? Eu sou uma pessoa que sempre procurou a felicidade em tudo na vida. Pode até parecer uma coisa fácil, mas não é. Você só entende a felicidade quando percebe que ela está nas pequenas coisas. Recarrego minhas energias quando acordo, quando dou um “bom dia” bem grande para o mundo e coloco uma música bem alta para dançar. Mas, na realidade, não existe nada que recarregue mais a minha energia do que um belo mergulho no mar. Amo!

E qual o segredo, se é que existe, dessa juventude eterna? Acho que tenho espírito jovem. Claro que me cuido, mas me sinto jovem! Durmo muito bem, não bebo, tenho uma alimentação balanceada e não me desgasto com pessoas e nem com situações que eu não quero. Também tento administrar a minha ansiedade fazendo meditação, ioga, alongamento e tomando muito banho de mar.

Fôlego para você não falta. E na hora do trabalho então… Por sinal você já está em cartaz com um novo espetáculo, Parabéns Sr. Presidente. Como foram os preparativos, ensaios e volta depois de um longo período de teatros fechados e peças suspensas? Voltar a trabalhar, a pisar nos palcos e contracenar com outras pessoas foi incrível. Mas confesso que, no início, ainda estava com muito medo da pandemia. Depois, já vacinados e com os testes diários, fui criando uma confiança maior. Foi e está sendo muito bom poder estar junto da minha parceira Juliana Knust, do Fernando Duarte, com quem já tinha trabalhado, e do meu diretor Fernando Philbert. 

Claudia, o que é arte para você? Onde ela te toca? Arte, pra mim, é vida! Ter seguido pelo caminho da arte me deu um novo sentido, uma nova direção. Quando estou no palco, descarrego todas as minhas tristezas, angústias, raivas… Mas também descubro uma felicidade enorme! E, como já dizia o poeta Ferreira Gullar “A arte existe porque a vida não basta”.  

Voltando à peça, nela você interpreta a cantora lírica Maria Callas. Que preparativos você teve para encarar esse desafio? O que foi mais fácil e mais desafiador? Há 5 anos, eu já tinha interpretado a Callas com direção da maravilhosa Marília Pêra. E, isso, pra mim, foi um marco na minha trajetória como atriz. O teatro é a minha casa e, hoje, poder voltar a interpretar Maria Callas foi um grande presente! Como eu já tinha vivido essa personagem antes, foi mais fácil buscar a Callas que já existia em mim. Na peça eu canto pedaços de duas áreas de ópera Habenera da ópera Carmen e Ave Maria. Poder cantar essas áreas, com certeza, foi o meu maior desafio e o meu maior prazer.

Acostumada a dançar, Natasha que nos diga, como foi participar da Dança dos Famosos? Algum ritmo te pegou de jeito? E qual foi mais complicado? Eu amo a Dança dos Famosos! Quem está de fora talvez não saiba o quanto é gratificante, incrível e desafiador fazer esse quadro. Nessa última edição, infelizmente, eu e o meu parceiro Heron saímos muito cedo, mas nossas coreografias, principalmente o baladão, foram incríveis! Eu amo dançar! Amo muito!

Por incrível que pareça, você completou 41 anos de carreira. O que te marcou mais nisso tudo? Que trabalho ou personagem não poderia deixar de fazer se voltasse no tempo? É verdade… Estou completando 41 anos de carreira e sou muito grata por minha trajetória! Eu fiz personagens incríveis, fortes e marcantes. De todos, existem três personagens que eu acho que foram um marco na minha carreira: Erendira, no cinema, Natasha, na TV, e Carmen, no teatro.

Você já foi Erêndida, a Tieta, a vamp Natasha e a mulher de malandro, Ludmila. Quem personagem deixou algo em você e você guarda um orgulho danado de ter feito? Tenho muito orgulho de todos os personagens que você citou. Mas também tenho um orgulho enorme dos filmes, das novelas e das obras que esses personagens fazem parte. 

Na série Desnude, no GNT, você interpretou Débora, uma personagem bem resolvida que se envolvia com um surfista garotão. Diferença de idade já foi algum tabu para você? Como enxerga isso? Vejo poucas coisas como um tabu para mim. E diferença de idade, com certeza, não é uma delas! Toda forma de amor vale a pena!

Onde está a real beleza? E como você vê a beleza em você? Talvez a real beleza esteja no charme, naquilo que te encanta. Conheço pessoas belas esteticamente e sem o menor charme.  E outras que, ao contrário, te encantam mesmo que não tenham tanta beleza.

A passagem do tempo fez você descobrir belezas onde a juventude não te deixava enxergar? Quando a gente é jovem a gente não entende muito bem o que é verdadeiramente belo e esquecemos que a beleza da juventude não é eterna. O tempo passa, a gente envelhece e só depois percebemos que a verdadeira beleza está na felicidade, na gratidão e também nas pequenas coisas.

Quem é Claudia Ohana hoje e o que busca? Não sei muito bem dizer quem é a Claudia Ohana hoje, mas sei que busco sempre a felicidade, estar feliz e me sentir bem comigo mesma. 

Em para o futuro, como se vê? O que almeja? Espero estar em uma casa perto da praia, poder plantar, pintar, bordar, escrever e, claro, atuar.

Fotos Pino Gomes

Assessoria Equipe D