
Ao longo da última década, a banda Malta consolidou seu nome como uma das bandas de pop rock mais populares do país. Impulsionado por sucessos como Diz Pra Mim, Memórias, Supernova e Primeiro Amor, o grupo conquistou milhões de fãs ao transformar histórias de amor, superação e emoção em canções que atravessaram gerações. Agora, com o retorno de Bruno Boncini aos vocais, a banda vive um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. A Tour Reencontro resgata a formação mais lembrada pelo público, reacende a conexão construída ao longo dos anos e mostra que a relação entre a Malta e seus fãs permanece tão intensa quanto no início. Nesta entrevista à MENSCH, os integrantes falam sobre a emoção de reviver essa história, a força da nostalgia, os desafios de uma nova fase, as transformações do mercado musical e os planos para o futuro de uma banda que descobriu que algumas conexões simplesmente resistem ao tempo.
O retorno de Bruno Boncini aos vocais era um desejo antigo dos fãs. Como surgiu a decisão de promover esse reencontro e em que momento vocês perceberam que era a hora certa para escrever esse novo capítulo da história da Malta? Víamos muitos pedidos dos fãs e diversas páginas relembrando o programa e toda a história que vivemos. Conversamos entre nós e percebemos que era a hora de reviver esse momento tão mágico ao lado dos nossos fãs.
A “Tour Reencontro” tem despertado uma forte carga emocional em quem acompanha os shows. Como tem sido reviver canções que marcaram uma geração e sentir essa resposta tão intensa do público? É mágico. Tivemos a oportunidade de realizar novamente esse sonho, reviver tudo isso e sentir essa conexão com nossos fãs. Só temos um sentimento: gratidão.
Durante a música “Memórias”, o mar de luzes formado pelas lanternas dos celulares se tornou um dos momentos mais marcantes da apresentação. O que passa pela cabeça de vocês ao ver essa conexão tão forte entre banda e fãs? Fazemos isso também em “Diz Pra Mim”. É um momento de interação com nossos fãs que, além de lindo, mostra que cada uma daquelas luzes representa uma pessoa, uma história e momentos únicos. Dividir isso com a galera é bom demais.

A Malta sempre foi identificada por letras que falam de amor, superação e sentimentos. Na opinião de vocês, o que faz essas músicas continuarem relevantes tantos anos depois do lançamento? O amor é algo infinito, intenso e que muita gente não consegue medir ou explicar. Isso mostra que ele não representa apenas o lado físico, mas diversas formas e interpretações. Por isso, essas músicas tendem a transcender o tempo e continuam relevantes. Eu mesmo ainda escuto praticamente todas as baladas dos artistas que amo, independentemente da época. Dos anos 40 aos dias de hoje, o amor continua sendo universal e atemporal.
João Gomiero ganhou um momento de destaque no show ao interpretar “Lose Control”, surpreendendo o público. Como essa ideia surgiu e de que forma ela representa a identidade da banda nesta nova fase? Ela já fazia parte do repertório por ter sido o último lançamento da Malta antes do Reencontro. Quando percebemos que encaixava perfeitamente no show, a decisão foi unânime. É uma música linda que mostra o quanto somos versáteis. Sempre gostamos de incluir tributos a artistas que admiramos, assim como fizemos com “Against All Odds” e “I Don’t Want to Miss a Thing”, com o Bruno, relembrando os únicos tributos que apresentamos no Superstar.
O cenário musical mudou bastante desde o auge da Malta, especialmente com a força das plataformas digitais. Como vocês enxergam essa transformação e de que maneira ela influenciou a carreira da banda? Nós vivemos essa mudança de perto. Conquistamos discos de ouro, platina e diamante na era física e fomos uma das últimas bandas a ter essa honra. Pegamos exatamente a transição do mercado físico para o digital e vimos de perto o impacto que isso causou na carreira dos artistas e na indústria. No fim das contas, a evolução faz parte. O que não pode mudar é o nosso ideal e a nossa consciência como artistas. Não podemos esquecer nossas origens apenas para agradar um algoritmo. Como falamos anteriormente, existem coisas que são atemporais. A Malta surgiu justamente em um período de grande transformação na música, muito parecido com o atual. Essas mudanças não definem quem somos. Continuaremos fazendo as músicas que amamos e seguindo nossos artistas favoritos, independentemente do que aconteça ou mude no mundo.
A nostalgia tem sido um elemento importante na cultura atual, mas a turnê também transmite a sensação de um recomeço. Como vocês equilibram a celebração do passado com a vontade de construir um futuro para a Malta? Estamos levando tudo com muita calma e tranquilidade. Brincamos que temos um gnomo da prosperidade entre nós, que dita quanticamente o nosso caminho. (risos) Mas, no fim das contas, dependerá exclusivamente dos nossos fãs se isso será apenas um reencontro ou o início de uma nova fase duradoura. Só o tempo dirá.


Ao longo da trajetória, quais foram os maiores aprendizados que cada integrante carrega e que hoje fazem diferença na forma como a banda trabalha e encara a carreira? Cada história é única e cada integrante viveu aprendizados diferentes. Mas existe algo que é unânime entre todos nós: a maturidade. Ela mudou completamente nossa forma de enxergar a vida. Muitas coisas que antes pareciam fundamentais hoje são indiferentes. O tempo tem essa capacidade de ensinar o que vale a pena relevar e o que não vale. Esse se tornou um lema importante para entendermos o que é saudável e o que realmente faz sentido levar adiante.
Nos shows da Tour Reencontro, é possível ver fãs que acompanham a Malta desde o início e também uma nova geração que descobriu as músicas pelo streaming. Como é perceber esse encontro de diferentes públicos diante do palco? É muito engraçado. Nem somos tão velhos assim, mas aparecem pessoas com barba e filhos dizendo que fizemos parte da infância delas. Logo depois, os filhos dizem que também amam a banda. Ver essa transição entre gerações é muito gratificante e faz todo o esforço e dedicação valerem a pena.
Depois da excelente recepção da Tour Reencontro, quais são os próximos passos da Malta? Podemos esperar músicas inéditas, um novo álbum ou outros projetos que consolidem essa nova fase da banda? Como sempre dizemos, deixem tudo nas mãos do nosso gnomo da prosperidade, do universo, e emanem boas energias. Se tudo continuar fluindo de forma leve, certamente coisas muito boas virão. Por enquanto, estamos vivendo o presente, revivendo essa história de forma única ao lado dos nossos fãs e dando um passo de cada vez. Mas, se continuar assim, podem ter certeza de que coisas lindas estão por vir, porque tudo isso está sendo maravilhoso.

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