NEGÓCIOS: JOÃO APPOLINÁRIO E A BUSCA CONSTANTE POR INOVAÇÃO

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É impossível não lembrar de empreendedorismo quando se fala de João Appolinário. Sempre atento as mudanças tecnológicas e desafios do varejo ele continua um tubarão quando o assunto é inovação e novos negócios. Em suas palestras, João Appolinário compartilha com o público estratégias, erros e acertos que realizou no comando da Polishop e passeia por temas como empreendedorismo, inovação, canais de vendas, negociação e tendências para o varejo. Ao contrário de mentores da Internet ele admite que o sucesso e as grandes ideias dependem de muito esforço, suor e dedicação integral. Inovar nunca foi fácil!

Por Patricia Alves

Como você iniciou sua carreira e como foi o início da Polishop, que transformou o modo de vender produtos na TV? Eu venho de uma família de empreendedores, então já comecei empreendendo, seguindo aquilo que eu vivia dentro da minha casa. Meu pai era empreendedor e foi meu grande mentor. A Polishop começou numa época em que eu fui aos Estados Unidos para conhecer possibilidades de negócios e empreender. Lá, conheci um produto chamado Seven Day Diet, a dieta de Emerson Fittipaldi, e acabamos trazendo esse produto para o Brasil. Foi um grande sucesso. Era uma dieta de sete dias e, dali tudo começou. A Polishop nasceu com um conceito diferente: não vender produtos, mas sim benefícios. Ou seja, não era sobre vender uma dieta, mas sobre vender o benefício de perder peso. E todos os outros produtos seguiram essa mesma linha de pensamento: não focar no produto, mas no benefício.

Qual o principal conselho para quem quer começar a empreender no Brasil? Inovar. Questionar aquilo que já existe e fazer alguma coisa diferente, que entregue benefício ao consumidor.

Como aconteceu o convite para o Shark Tank? E você tem projetos de voltar à TV? Eu recebi um convite da Sony, que é a dona do formato do programa, para participar de um programa de empreendedorismo. Isso aconteceu muito pelo meu perfil de empresário, sempre buscando novidades, conhecendo coisas novas e investindo em segmentos diferentes, exatamente por essa vontade de investir em inovação. Eu nunca tive planos de trabalhar ou estar à frente das câmeras.

Inclusive, desde 2013 nós temos o nosso próprio canal de televisão, mas eu nunca apresentei produtos na TV. O Shark Tank foi uma oportunidade de levar educação empreendedora para mais pessoas. A decisão foi exatamente essa: poder compartilhar um pouco mais sobre a vivência do empreendedorismo em uma mídia que alcança tanta gente. E é muito interessante ver a evolução dos empreendedores que participam do programa. Hoje eles chegam muito mais preparados. As pessoas assistem ao programa, entendem melhor os pontos principais para empreender e aprendem muito ouvindo aquilo que nós, como Sharks, perguntamos e analisamos.

Como foi investir na Decor Colors, que virou um case de sucesso com o maior investimento do programa? Foi um investimento que fez com que eu realmente me dedicasse muito mais, exatamente pelo valor investido e pelo potencial do mercado. O mercado de tintas é gigantesco. Todo lugar que você olha existe tinta aplicada. É um segmento muito estruturado e com muita oportunidade. O diferencial foi justamente perceber que todos faziam a mesma coisa. Então eu trouxe uma proposta diferente: não vender tinta, nem lata, mas vender parede pintada, decorada e protegida.

Que produto você ainda não trouxe para a Polishop e gostaria de trazer? Olha, normalmente todos os produtos que eu gostaria de trazer, eu consegui trazer. Eventualmente, alguns produtos podem não ter viabilidade em um momento por conta do custo, mas, com o tempo, os preços acabam caindo e eles podem se tornar possíveis no futuro. Robôs humanoides são um exemplo.

O que significa inovação para você? Inovação é questionar o que já existe. Quando você questiona o que já existe, começa a enxergar oportunidades de fazer mais dentro daquele segmento em que já atua, mesmo imaginando que não havia mais nada para ser feito. Sempre existe espaço para inovar, seja aprimorando processos, os resultados ou criando algo inédito no mercado.

Como você vê o uso da IA no varejo? Eu vejo como algo super relevante, tanto agora quanto no futuro. Na Polishop nós já temos produtos com inteligência artificial, e somos a única empresa (pelo menos que eu tenho conhecimento) que está usando I.A em eletroportáteis, e o objetivo final é simples e o que sempre defendemos: facilitar a vida das pessoas.  Atualmente, a nossa linha gourmet (de airfryers, fornos, etc) possui o A.I Chef, um personal chef dentro do WhatsApp.

O cliente pode enviar uma foto dos ingredientes na geladeira e pedir sugestões de receita para fazer naquele modelo de Airfryer que ele comprou, por exemplo. O A.I Chef também pode ouvir e responder por áudio e está sempre ali, disponível.

Para ativá-lo a primeira vez, basta ler o QR Code do produto e enviar uma mensagem. Além disso, a I.A é muito importante na parte corporativa, principalmente para ajudar em atividades repetitivas e sujeitas a erros. Ela traz velocidade para processos, serviços repetitivos e até mesmo para atendimentos mais simples.

O que você diria para as pessoas que acham que inovar é difícil? Não existe nada fácil. Tudo na vida é uma questão de foco, dedicação e preparação.

O que é liderança para você? Liderança é o que faz toda a diferença no empreendedorismo. É você ter conhecimento naquilo que está se propondo a fazer. E, para isso, é preciso dedicação para adquirir esse conhecimento.

Quais os planos de expansão para a Polishop e para a Decor Colors no Brasil? É continuar aumentando a quantidade de produtos inovadores e também os canais de distribuição, sejam eles já existentes ou novos canais que possam surgir. Eu não os encaro simplesmente como canais de venda, mas sim pontos de contato com o consumidor, e o nosso objetivo é sempre estar onde nosso cliente está. Também quero avançar ainda mais em nossas iniciativas em I.A, tanto na Polishop quanto na Decor Colors. Já estamos vendo bons resultados internamente tanto para nossos clientes, quanto para agilizar processos, criação de peças no marketing, etc. É um caminho sem volta e temos grandes planos a curto e longo prazo.