CAPA: XANDE AVIÃO CELEBRA A PRÓPRIA HISTÓRIA E REINVENTA O SÃO JOÃO

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Com quase 25 anos de carreira, Xande Avião segue provando por que é um dos maiores nomes da música brasileira e uma referência quando o assunto é São João. Após consolidar projetos de grande repercussão, o cantor apresenta agora Meu São João, um espetáculo que revisita sua própria história, celebrando sucessos que marcaram gerações e reforçando a força de sua identidade artística. Em uma produção que une memória afetiva, tecnologia, linguagem cinematográfica e a tradição nordestina, Xande transforma o palco em uma verdadeira experiência imersiva. Nesta entrevista exclusiva, o artista fala sobre a inspiração por trás do novo projeto, o desafio de revisitar diferentes fases de sua trajetória com o auxílio da inteligência artificial, a parceria criativa com André Gress e o orgulho de levar a cultura junina a novos patamares sem perder suas raízes. Também compartilha momentos pessoais, planos para o futuro e a paixão que continua movendo sua carreira, consolidada pelo carinho do público e por uma sequência de sucessos que atravessa décadas.

Depois de dois anos à frente do projeto O Forró é Pop, o que motivou a criação de Meu São João e essa decisão de olhar para a sua própria trajetória? Às vezes a gente fica procurando fora o que tem dentro de casa. Com 24 anos de carreira, eu tenho um arsenal musical para fazer um show só com os meus sucessos. Foi isso que eu fiz. É muito massa abrir as minhas “gavetas” e sentir que o público queria ouvir essas músicas. 

O novo espetáculo é baseado na memória afetiva do público. Quais músicas você considera indispensáveis para contar a sua história nesses quase 25 anos de carreira? Difícil responder essa! Mas, sem sombra de dúvida, “Fiquei Sabendo”, “Inquilina”, “Chupa que é de Uva”… e por aí vai (risos). Tem muita música que faz parte dessa história.

Como foi o processo de selecionar um repertório capaz de representar diferentes fases da sua caminhada artística e, ao mesmo tempo, dialogar com novas gerações? Foi um processo prazeroso e gratificante. É muito bom olhar para trás e perceber que tenho uma bagagem autoral tão grande e, principalmente, aprovada pelo meu público.

O conceito de Cinema Popular ao Vivo traz uma narrativa diferente para o palco. Como surgiu a ideia de unir a linguagem cinematográfica ao universo do São João? Na verdade, a ideia do cinema veio do meu diretor artístico, André Gress. Como eu sou cinéfilo, aprovei a loucura na hora.

Um dos destaques do show é a interação com versões suas de diferentes momentos da carreira por meio da inteligência artificial. Como foi se “reencontrar” com esses Xands do passado? Confesso que, depois que pedi para fazer esse diálogo comigo mesmo, fiquei com receio de não ficar bom. Mas ficou melhor do que eu esperava. Cada Xand que aparece ali foi importante para formar o Comandante que sou hoje.

Em um espetáculo tão tecnológico, como garantir que a emoção e a conexão com o público continuem sendo o elemento principal da experiência? Temos que usar a tecnologia ao nosso favor, mas nada vai substituir a emoção da música, do som, dos sucessos. E isso, graças a Deus, a gente tem de sobra. 

Como foi o trabalho de construção criativa ao lado de André Gress, especialmente após o reconhecimento internacional conquistado pela parceria de vocês? O André é um cara que tem uma visão muito ampla do mundo artístico. Ele me ouve, eu ouço ele. Acho que formamos uma dupla que está no caminho certo e todo esse reconhecimento do público é a prova disso. 

A cenografia mistura elementos do cinema com símbolos tradicionais da cultura junina. O que essa identidade visual representa para você e para a essência do projeto? Representa o orgulho de manter viva a nossa cultura nordestina, mas com um olhar mais futurista. Lógico, sem perder a essência.

Sua estreia da temporada 2026 aconteceu em Maracanaú, cidade com forte ligação à sua história. Qual foi o significado emocional de iniciar essa nova fase justamente ali? Eu estava um pouco nervoso porque nunca tinha feito um show com marcação de palco tão detalhada e transmissão simultânea desse jeito. Mas, ao mesmo tempo, estava confiante porque estava em casa. Maracanaú é totalmente aviaozeira.

Você foi eleito duas vezes pelo público como o melhor show do São João de Campina Grande. O que esse reconhecimento representa para um artista cuja trajetória está tão ligada às festas juninas brasileiras? Eu tento não focar muito nisso, ficar me vangloriando por ser bicampeão (risos). Mas confesso que é uma honra ser escolhido pelo público entre tantos artistas gigantes da música brasileira. Fico muito orgulhoso. É um reconhecimento importante. 

Fora dos holofotes, quem é Xand? Onde recarrega as baterias? O José Alexandre recarrega as baterias com os filhos, a esposa, meus cachorros e na minha casa. Mas, depois da maratona de São João, eu sempre gosto de viajar para ver o que está tocando pelo mundo e buscar novas inspirações.

Quais os planos a curto prazo? O que falta fazer? Eu estou com tanta coisa na minha cabeça que não caberia aqui (risos). Mas ainda este ano vou gravar um projeto autoral de músicas inéditas, que passará por cinco cidades brasileiras.