Recentemente pudemos assistir Bruna Spínola mais uma vez na telinha com a reprise da novela “Pega Pega”, na Globo. E nossa paixão por ela reacendeu (risos). Aí corremos para convida-la para mais uma bela matéria de capa, e que bela matéria essa (não deixe de conferir o fashion film). Prestes a estrear nas telonas com uma história que marcou gerações, “Eduardo e Mônica”, Bruna nos fala um pouco de como foi participar desse filme tão especial, da sua personagem na séria “Impuros” (Globoplay) e dos seus desafios como mãe e outras atividades que ela vai nos contar ao longo dessa entrevista.

Bruna, bom ter você de volta à telinha e à MENSCH. Como foi se rever na reprise de Pega Pega? Dessa vez, sem dúvida com mais calma. Foi uma delícia. Como é uma novela recente, não imaginei que seria reprisada e ainda por cima no mesmo horário que foi exibida. A novela fez muito sucesso na época e amei reviver esse momento. Cíntia foi um grande personagem que a Claudia Souto, autora da novela, escreveu especialmente pra mim. É uma personagem que eu tenho muito carinho.

Mudaria algo? Sobre mudar algo, sempre tem uma coisinha ou outra que gostaríamos de fazer diferente. Acho que se pudéssemos assistir e regravar, tentaria outras nuances para alguns momentos da trama. 

Na sequência veio Orgulho e Paixão, novela de época. Qual seu maior orgulho e sua maior paixão em atuar? Meu orgulho é atuar de verdade, me jogar nos papéis e nos projetos que atuo. Em Orgulho e Paixão, por exemplo, tive que me jogar de cabeça pra viver a Briana. Marcos Berstein escreveu essa personagem que era muito diferente de mim, com várias camadas e nuances diferentes. Foi bem desafiador, principalmente sendo uma novela de época. Eu gosto de pesquisa, de criar uma memória pra cada personagem, de emprestar o meu corpo pra dar vida à história que está na cabeça do autor. Minha paixão é estar em cena, seja num set de filmagem ou num palco. Viver por algumas horas do meu dia uma história completamente diferente da minha.

Atualmente você está no ar também na séria Impuros no Globoplay. Como foi participar desse trabalho e como é sua personagem? Gostei muito de ter feito Impuros. Rebeca é diferente de tudo que já fiz. Uma mulher dos anos 60, viúva, que tenta cuidar do filho com amor e dedicação. Mas o vício não a permite ser uma boa mãe. Ela é viciada em cocaína, álcool e não consegue estabelecer limite pros vícios. Mesmo com todo amor que sente pelo filho, não consegue outro padrão na vida. Ela se sente culpada, mas não sabe agir de outro modo. O envolvimento com a personagem foi bem intenso. Assisti filmes e documentários e conversei com adictos e ex-adictos em drogas e álcool pra tentar entender as motivações de cada um, o estrago que o uso abusivo dessas substâncias fez na vida dessas pessoas. Foi um mergulho profundo que deixou enormes aprendizados. Talvez o maior seja diminuir os julgamentos. 

E em breve veremos você nas telonas no esperado filme “Eduardo e Mônica”. Como foi participar de um filme que traz um dos casais mais icônicos da música pop nacional? Foi um sonho. Eu amo essa música desde nova. E também pude trabalhar com uma equipe incrível e amorosa. Um prazer enorme também contracenar com Juliana Carneiro da Cunha, uma das maiores atrizes do Brasil e Alice Braga. Ambas excelentes companheiras de cena. 

Você viveu a onda Legião Urbana, Eduardo e Mônica…? Que memórias afetivas traz isso? Legião fez parte da minha adolescência e de jovens de muitas gerações. É uma banda atemporal. Até hoje quando toca em algumas festas vejo pessoas de diferentes idades cantando. Além das memórias incríveis essas músicas fazem parte do meu playlist dos clássicos eternos. 

A dedicação à maternidade te fez afastar um pouco das câmeras. Como tem sido administrar esses dois lados? Não apenas a maternidade, mas a pandemia também me fez buscar o isolamento. Tem sido um momento de descobertas e de muitos aprendizados. Descobri uma nova Bruna que tem paixão por várias outras coisas, além da atuação. Comecei a estudar arquitetura, me redescobri na fotografia que é uma das minhas paixões e até um programa de culinária eu gravei na pandemia. Em breve vou lançar essas receitas que eu trago da minha vida e dividir essa experiência com as pessoas. 

Por mais que o marido ajude, sempre a carga para a mulher é maior. Como equilibraram isso? Lá em casa eu diria que tudo é dividido. Tem dias que eu faço mais, outros ele. Depende da agenda de trabalho de cada um. Mas a responsabilidade é dos dois. Todas as decisões referentes ao dia a dia e à educação da Malu são decididas em conjunto, por nós dois. Conversamos diariamente sobre ela, como se comportou, quais as novas descobertas. E essa troca, essa parceria faz a maternidade ser mais leve. 

Como bem sabemos, nossa trajetória é feita por ciclos. Como você enxerga isso na sua vida profissional e pessoal? Quais os mais marcantes? Sim, temos ciclos que terminam e outros que se iniciam constantemente. Cada trabalho, por exemplo, é um ciclo. Encerrar um trabalho da sempre uma nostalgia, mas é importante fechar bem esse ciclo e se preparar para o próximo. Um dos ciclos mais marcantes da minha vida teve início quando eu me mudei pro Rio de Janeiro para fazer a Oficina de Atores da Globo. Foi quando eu sai da casa da minha mãe pra morar sozinha. E o ciclo mais importante sem dúvida alguma é o nascimento da minha filha. Aliás, o nascimento da Malu é como se nós tivéssemos atravessado um portal. Tudo muda, de fato. A maneira que enxergamos o mundo, a forma que queremos nos relacionar com as pessoas, os nossos sonhos e as nossas prioridades. 

Inspiração, vem de onde no meio disso tudo? Ah, no momento vem da Maria Luísa. Tudo nela me inspira. Cada nova palavra que ela balbucia, cada descoberta. Os medos e as angústias que a maternidade nos traz. Mas também vem dos livros, dos personagens que estou estudando, da fotografia e da vivência das artes. Uma coisa alimenta a outra. 

Algo que, com a maturidade de hoje, faria diferente nos primeiros passos de atriz? Com certeza! Eu sou muito perfeccionista e sempre penso que poderia ter feito algo diferente. Mas prefiro entender que tudo é parte do processo. Se a entrega ao trabalho e ao personagem é plena, tudo tem a verdade do momento e por isso é único e especial.

Hoje em dia, para relaxar o que procura? Onde está sua paz? Procuro o mar. Uma praia com pouca gente, pouco barulho. Também a natureza, barulho de pássaros. O mar e a natureza me acalmam. 

E sua agitação? Onde e como extravasa? Correndo ou andando de bicicleta na lagoa. Amo praticar esportes ao ar livre, principalmente no Rio de Janeiro que é uma cidade encantadora. 

Qual seu pecado preferido? Não resiste a que? Gula. Difícil pra mim. Admiro que abre uma barra de chocolate e só come um pedacinho. Eu, se não como tudo, fico pensando em cada chocolatinho que sobrou. Não sossego enquanto não comer o último. 

Planos para essa reta final de ano e início do novo ano? Eu tenho vontade de escrever sobre essa aventura de ser mãe. Não sei se um livro ou um texto pra teatro. Mas tenho muita vontade de compartilhar com outras mães as minhas descobertas da maternidade, minhas angústias, minhas escolhas. Tenho tido uma troca muito legal com algumas mães pelo Instagram. É importante saber que não estamos sozinhas. Profissionalmente estou começando a desenvolver um novo trabalho com Damaceno. Ele me dirigiu em Homem ao Vento, peça que estreamos em 2020 e que ganhou o Prêmio Shell de dramaturgia. Quero logo voltar ao teatro que é a casa do ator e onde eu me sinto em casa.

Direção de arte e moda Marco Antônio Ferraz

Fotos Aderi e Ian Costa

Assistente de fotografia Antonio Cléber

Tratamento de imagem Raphael FS

Assistente de estilo Iron NYC

Beleza Edduh Moraes

Cabelo Zuh Ribeiro (Studio do Cais)

Looks Junior Dias

Bruna veste: YSL, Arezzo, Txielo by Felicia Pretoo Assista o fashion film com Bruna: