NEGÓCIOS: CEO DO LIDE ORLANDO ANALISA AVANÇO DE EMPRESÁRIOS BRASILEIROS NOS EUA

A presença de empresários brasileiros nos Estados Unidos vem crescendo de forma consistente nos últimos anos, impulsionada por fatores que vão desde a busca por expansão internacional até estratégias de proteção patrimonial e diversificação geográfica. Na Flórida, especialmente em Orlando, esse movimento tem se intensificado e começa a ganhar contornos mais estruturados dentro do ecossistema empresarial local.

À frente do LIDE Orlando, o empresário Gustavo Prezia acompanha de perto essa transformação. Para ele, o movimento ainda está em fase inicial, mas tende a ganhar protagonismo nos próximos anos, à medida que empresas brasileiras passam a enxergar os Estados Unidos não apenas como destino de investimento, mas como plataforma de operação e crescimento global.

Em entrevista à Revista MENSCH, Prezia explica como o LIDE Orlando atua na conexão entre empresários brasileiros e o mercado americano, analisa os principais desafios enfrentados por quem decide internacionalizar sua atuação e comenta o papel da comunidade empresarial brasileira dentro da economia dos Estados Unidos.

O LIDE Orlando vem se consolidando como um elo estratégico entre empresários brasileiros e o mercado americano. Qual é hoje o papel real da entidade dentro do ecossistema empresarial da Flórida? O papel do LIDE Orlando é atuar como uma ponte institucional entre dois mundos empresariais extremamente relevantes: o Brasil e os Estados Unidos. Nós não somos apenas uma associação de networking. Somos parte de um ecossistema global que reúne líderes empresariais responsáveis por uma parcela significativa da economia brasileira. Na prática, o LIDE Orlando funciona como uma plataforma de conexão estratégica. Aproximamos empresários brasileiros que estão olhando para os Estados Unidos seja para investir, expandir ou estruturar presença internacional de um ambiente empresarial americano sólido, institucional e altamente regulado. Nosso papel é ajudar a transformar movimento em estratégia e relacionamento em oportunidade real de negócios.

Orlando deixou de ser apenas um destino turístico e passou a atrair investidores, empresários e famílias brasileiras em busca de expansão ou proteção patrimonial. Como o LIDE Orlando acompanha e organiza esse movimento? Orlando vive uma transformação silenciosa. Durante muitos anos a cidade foi vista quase exclusivamente como um destino turístico, mas hoje ela se consolidou como um hub estratégico para brasileiros que buscam segurança jurídica, qualidade de vida e oportunidades de investimento. O que vemos é um movimento de empresários que passam a dividir sua vida entre o Brasil e os Estados Unidos. O LIDE Orlando acompanha esse movimento organizando o capital relacional dessa comunidade. Criamos um ambiente onde empresários podem trocar experiências, acessar conhecimento e construir relações estratégicas com outros líderes empresariais. Nosso objetivo é dar estrutura a um fluxo que já existe, conectando esse público a oportunidades reais dentro do ecossistema econômico americano.

Existe uma diferença clara entre empreender no Brasil e nos Estados Unidos. Quais são os principais choques culturais e estruturais que o empresário brasileiro enfrenta ao tentar se posicionar no mercado americano? O primeiro choque é institucional. Nos Estados Unidos, as regras são muito claras e o ambiente empresarial funciona com alto grau de previsibilidade. Compliance, governança e transparência não são apenas boas práticas são requisitos básicos para operar. Outro ponto importante é a cultura de profissionalização. O empresário brasileiro muitas vezes chega acostumado a resolver tudo de forma muito centralizada, enquanto aqui os processos são mais estruturados e as decisões passam por múltiplos níveis de validação. Mas ao mesmo tempo, o empresário brasileiro tem uma característica extremamente valiosa: resiliência e capacidade de adaptação. Quem consegue alinhar essa flexibilidade com a disciplina institucional americana encontra um ambiente extremamente favorável para crescer.

Em um cenário de juros globais instáveis, tensões geopolíticas e mudanças migratórias, qual é o perfil do empresário que hoje busca o LIDE Orlando? Ele vem por oportunidade ou por estratégia de diversificação de risco? Hoje vemos dois movimentos acontecendo ao mesmo tempo. De um lado, empresários que enxergam os Estados Unidos como uma plataforma de expansão internacional. São líderes que querem acessar novos mercados, novas tecnologias e novas redes de relacionamento. De outro lado, existe um movimento legítimo de diversificação patrimonial e geográfica. Empresários que desejam proteger patrimônio, estruturar presença internacional ou preparar a próxima geração da família em um ambiente global. Na maioria dos casos, esses dois fatores caminham juntos. O empresário moderno pensa estrategicamente sobre onde quer estar nos próximos dez ou vinte anos.

O networking é um dos pilares do LIDE, mas networking por si só não gera negócios. Como transformar relacionamento em resultado concreto dentro  da comunidade empresarial? Networking sem propósito é apenas socialização. O que o LIDE faz é criar um ambiente onde o relacionamento acontece entre pessoas que realmente têm capacidade de decisão. Quando líderes empresariais se encontram em um ambiente de confiança, as conversas naturalmente evoluem para oportunidades. Mas existe um elemento fundamental: continuidade. Relacionamentos empresariais não se constroem em um único evento. Eles se constroem ao longo do tempo, com encontros recorrentes, troca de experiências e alinhamento de interesses. O papel do LIDE é justamente criar esse ambiente onde conexões estratégicas podem amadurecer e se transformar em negócios concretos.