ESTRELA: CÁTIA FONSECA: “SOU CAPAZ DE IR ALÉM DO QUE EU IMAGINAVA”

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APRESENTADORA FALA SOBRE TRABALHO, VIDA CONJUGAL E AS TRANSFORMAÇÕES DA CARREIRA

Por Ivan Reis

Um dos rostos mais conhecidos da televisão brasileira vive uma nova fase de sua vida pessoal e profissional. Aos 57 anos de idade e com mais de três décadas à frente das câmeras, Cátia Fonseca consolida uma trajetória de longevidade, reinvenção e tem investido em novos e promissores projetos. Companhia de tardes memoráveis que marcaram gerações no comando de programas como ‘Note e Anote’, ‘Mulheres’ e ‘Melhor da Tarde’, ela ampliou sua visibilidade ao participar da Dança dos Famosos, no ‘Domingão com Huck’, movimento que revelou ao público uma faceta menos previsível de sua carreira. Cátia expandiu horizontes, repensou rotas e mirou novos caminhos na televisão e no digital. 

Com mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais e um canal no YouTube que ultrapassa 400 mil inscritos, a apresentadora reposiciona sua presença midiática e dialoga com novas gerações sem perder a essência que a consagrou com naturalidade, simpatia e carisma inconfundível. Em entrevista exclusiva à MENSCH, Cátia Fonseca revelou alguns momentos de sua trajetória na televisão, o relacionamento com o diretor Rodrigo Riccó, as decisões que precisou tomar na profissão e os aprendizados acumulados na trajetória marcada por escolhas conscientes dentro e fora das câmeras. Confira!

Cátia, neste ano, você completa mais de três décadas de carreira na comunicação. Quais foram às transformações que mais te impactaram nesse tempo de trabalho? Eu acho que o principal é perceber como o mundo evoluiu. Eu acompanhei o rádio, as mídias impressas, a TV…e hoje vejo a internet, o Instagram, o YouTube chegando a qualquer lugar do mundo. Isso é encantador. Ainda mais para alguém como eu, que gosta de se comunicar, de levar conteúdo e também de consumir conteúdo, não só daqui, mas de fora, de vários lugares do mundo. A grande transformação foi essa: a abertura, o alcance. A democratização da informação e das mídias.

Nos últimos tempos, você tem se dedicado a projetos que expandiram a sua atuação na televisão, como o quadro ‘Dança dos Famosos’, no ‘Domingão com Huck’. Como foi a experiência? O público começou a te ver de outra forma? Foi desafiador. E, principalmente, abriu a minha cabeça para perceber que eu sou capaz de ir além do que eu imaginava. Encarar o novo, me abrir para algo que eu nunca tinha me visto fazendo; foi uma virada importante. O mais bonito é que essa atitude também acabou inspirando outras pessoas, e isso me deixa muito feliz. Porque mais do que a gente se superar, é mostrar para o outro que ele também pode. Isso não tem preço. Eu adorei viver isso. O Luciano [Huck] é um cara espetacular, fora da curva, que incentiva e apoia. Toda a produção, os participantes…foi uma experiência que, pra mim, foi absolutamente transformadora.

Seu último ciclo profissional foi à frente do programa ‘Melhor da Tarde’, na Band. Como foi trabalhar com o diretor Rodrigo Riccó que se tornou o seu marido? Encontrar um novo amor na maturidade foi complicado? Nós nos conhecemos há 26 anos quando ele me dirigiu no [programa] ‘Note e Anote’ da Record e estamos juntos há 13 anos. O principal é que não foi nada planejado. A gente se conhece há 26 anos, quando ele me dirigiu e somos amigos há muitos anos. Nunca houve esse clima, nunca houve essa intenção. Em determinado momento da vida, nós dois estávamos vivendo situações muito parecidas – eu separada e ele separado, e o que aconteceu foi algo muito natural: dois amigos conversando. Não foi algo que a gente planejou ou combinou. Foi acontecendo no dia a dia, na conversa leve e fluida.

Eu sempre digo que tudo o que é para acontecer, acontece. Não importa quando. A vida dá um jeito de unir quem ela tem que unir. Eu acredito muito que a gente precisa estar aberto à vida. Não precisa correr atrás, nem ficar desesperada quando o assunto é amor. Quando for para acontecer, vai acontecer. E pra gente aconteceu; estamos juntos há 13 anos. E pode ser com a pessoa mais inesperada. Pode ser alguém que mora do outro lado do mundo. Mas, se for para ser, o destino encontra um caminho. Hoje, aos 57 anos, eu sou uma mulher feliz. Uma mulher completa. Profissionalmente, conquistei muita coisa. E, pessoalmente, tenho uma vida que me dá conforto, o conforto de chegar em casa e saber que tenho um companheiro… um parceiro. E isso é muito especial.

O que é mais fácil e mais difícil em trabalhar com o maridão? Para mim, não é difícil porque conseguimos separar bem as coisas. Dentro da emissora, no trabalho, é o diretor Rodrigo Riccó. Ele tem a opinião dele e eu tenho a minha. A gente conversa com a equipe, cada um se coloca, argumenta e chegamos a um senso comum. No trabalho, eu e o Rodrigo somos duas pessoas diferentes, com visões próprias, sempre pensando no melhor resultado para o produto que estamos construindo. Na vida pessoal é diferente. Claro que cada um continua sendo quem é, mas ali o pensamento é de casal, é conjunto. No profissional, não. Cada um tem a sua posição, sua responsabilidade e o foco é sempre entregar o melhor.

O Rodrigo é um diretor e profissional formidável. A gente tem uma sinergia e uma cumplicidade profissional muito grandes. Ele já entende como eu trabalho, eu entendo como ele trabalha. Às vezes, só no olhar, a gente já se comunica e isso faz toda a diferença.

Como a sua família reagiu a sua nova fase pessoal e profissional? Eu acho que mais importante do que focar em como a família reagiu é entender se você está pronta. Porque as pessoas podem aceitar, podem não aceitar, mas o fundamental é você já ter feito a sua escolha e saber exatamente o que quer fazer.

Não é só a família. Na vida, todo mundo quer dar opinião sobre tudo. Se você não for segura de si, se não tiver posicionamento e clareza sobre o que quer, você se perde. Claro que teve gente que se assustou, teve quem foi contra no começo, assim como também teve quem achou ótimo. Mas o mais importante é que eu sabia o que eu queria. Tudo o que eu fiz foi muito bem pensado. Eu não tomo decisões por impulso. Eu reflito e amadureço. Levo para a terapia e trabalho internamente. Então, quando eu decido algo, é porque tenho muita certeza do que eu quero e de como eu quero.

Você também tem investido em suas redes sociais com novas atividades. Como é a sua relação com o universo digital? O público é muito diferente da televisão? É uma linguagem diferente da TV; é um público diferente de todos com os quais eu já trabalhei. É mais jovem, mais ágil, quer consumir conteúdo a qualquer hora do dia e sem horário marcado e eu gosto muito dessa dinâmica. Gosto dessa sensação de intimidade, como se a gente estivesse na mesma sala, conversando. No meu canal, a gente deixa o chat aberto em todas as redes. As pessoas falam, perguntam, comentam, participam em tempo real. Isso cria uma conexão muito forte… uma amizade. As redes sociais vieram para nos aproximar. Na TV, existe a tela, uma certa distância, algo que parece inatingível em alguns momentos. A internet quebra essa barreira. Ela aproxima, humaniza e transforma o público em parceiro.

Hoje, você se sente uma mulher mais livre? Eu sempre fui uma mulher livre. Sempre estive onde quis estar, com quem quis estar e nas situações que escolhi viver. Nunca fiz nada por imposição ou para agradar os outros. Hoje, além dessa liberdade, eu conquistei algo muito importante: autonomia sobre o meu tempo. Eu organizo minha agenda, trabalho nos horários que fazem sentido para mim, viajo quando quero, administro minha rotina da forma que considero saudável. Essa liberdade ganhou outro significado com a maturidade. Quando você une independência com experiência, você faz escolhas mais conscientes e aproveita melhor a vida. Hoje, eu me sinto mais segura, mais equilibrada e muito confortável com as decisões que tomo.

Como é a Cátia fora das câmeras e na cozinha? Tem alguma receita favorita? Eu sou a mesma pessoa dentro e fora da TV. Nunca criei um personagem para estar no ar. O jeito que eu falo no programa é o mesmo jeito que eu falo em casa.  Eu cozinho, organizo geladeira, arrumo o armário, cuido da minha rotina, igual ensino no programa. Eu tenho prazer nessas coisas simples do dia a dia. E quando estou na TV, continuo sendo exatamente assim: curiosa, espontânea e do meu jeito. Não existe uma versão diferente para a câmera. Existe uma continuidade. E acredito que é isso que cria conexão com o público. As pessoas percebem quando alguém é de verdade ou não. Elas sabem que vão me encontrar na rua exatamente como me veem na televisão. O difícil pra mim é escolher só uma receita favorita, mas gosto muito da receita Picadinho de carne com bacon. É muito fácil, rápida de fazer e serve como base para incrementar o cardápio.

É verdade que veremos você em breve na TV aberta? O ano de 2026 começa com novidades? Tudo ainda está sendo conversado. Sem pressa. Só quero voltar se for num projeto em que eu acredite de verdade.

Se existisse um ingrediente perfeito para a vida, qual seria? Eu acho que o mais importante é valorizar a vida. Acordar todos os dias, respirar e estar aqui. Isso, por si só, já é um privilégio. Nem todos os dias vão ser bons, é claro. Existem dias mais desafiadores, mas o simples fato de acordar já é uma nova oportunidade de fazer tudo diferente. Todo dia é uma nova chance. Se a gente entendesse isso de verdade, perceberia que a vida não é tão complicada quando, muitas vezes, insistimos em torná-la. Ela é simples. Somos nós que colocamos obstáculos além do necessário. Claro que existem desafios no caminho, mas eles vêm para ensinar, para fortalecer, para fazer a gente evoluir. A vida é esse movimento constante de aprendizado. E quando a gente aceita isso, tudo fica mais leve.

Foto Renam Christofoletti

Styling Bruno Pimentel

Beleza Camila Anac

Assessoria de imprensa Thiago Bunduky